Apesar do bom resultado no jogo da ida (o Peñarol venceu o Vélez Sarsfield por 1x0 em casa), ninguém creditava a classificação à final da Libertadores ao Peñarol. Eu sim. Todos colocavam o Vélez como um time muito superior tecnicamente (não sei então como teria perdido o primeiro jogo...), que com certeza reverteria a vantagem e sairia do duelo de semifinal classificado. A mídia dava como certa uma coisa que acha impossível do Coritiba fazer pela final da Copa do Brasil, por exemplo.
Desde o apito inicial, contudo, era possível perceber que a história seria diferente. Apesar do que todos esperavam, o Peñarol não veio em uma retranca absurda. Lógico que não partiu desesperado em direção ao ataque, mas manteve uma postura ofensiva. Recuperando muitas bolas no meio-campo, conseguia puxar bons contra-ataques. O Vélez, por sua vez, era muito pouco conclusivo em suas tentativas ofensivas e ficava pouco com a bola no pé. A necessidade da equipe argentina de ir em busca do resultado dava muito espaço para o Peñarol, que aproveitou. Foram muitos lances de perigo por parte do time uruguaio, partindo principalmente do camisa 10 Martinuccio (que parece cada vez mais distante do Palmeiras). As chances, contudo, não resultaram em gol, e a equipe cansou um pouco a partir dos 25 minutos do primeiro tempo. Por este motivo, o Vélez conseguiu reequilibrar a partida. A ligação entre meio-campo e ataque passou a acontecer de forma mais natural, sem chutões, e o time criou boas oportunidades. Mas como quem não faz leva, acabou sofrendo o primeiro gol aos 33 do primeiro tempo, num lance em que Martinuccio deixou Mier sozinho na cara do gol. O Peñarol, entretanto, se acomodou um pouco com a vantagem de 2x0 no placar acumulado (o Vélez precisaria de 3 gols para se classificar) e caiu na retranca. A equipe argentina, que já pressionava e crescia na partida, criou uma chance atrás da outra, até que, finalmente, encontrou o gol nos pés de Fernando Tobio, já aos 45.
No segundo tempo, a postura de ambos os times se manteve a mesma do final do primeiro. O Vélez veio para cima, enquanto o Peñarol permaneceu cautelosamente na retranca, apostando no contra-ataque. Quase chegou ao segundo com Martinuccio e Mier (que perdeu na cara do gol, sozinho). O time argentino, no entanto, não iria entregar os pontos assim tão fácil. O Vélez seguia pressionando e criando chances claras de gol. Aos 21 do segundo tempo, Santiago Silva não perdoou e mandou um chutão para o fundo da rede. 2x1. A partir daí, o jogo pegou fogo. A equipe argentina veio para cima com tudo, acreditando na classificação. O Peñarol se segurava do jeito que dava, abusando dos chutões. De vez em quando, contudo, conseguia encaixar alguns bons contra-ataques, explorando os buracos deixados pelo Vélez no campo defensivo e aproveitando um certo descontrole emocional por parte do time argentino. Descontrole esse que fez com que Fernando Ortiz recebesse o segundo amarelo e fosse expulso aos 23 do segundo tempo. Mesmo assim, o Vélez não alterou em nada sua postura ofensiva (perdido por um, perdido por mil, afinal) e seguiu na briga, pressionando o máximo possível. Finalmente, aos 30, Martínez disputou com Darío Rodríguez uma bola que parecia perdida na linha de fundo, ganhando o lance. Quando se preparava para cruzar, foi derrubado ao MESMO TEMPO por Darío Rodríguez e Guillermo Rodríguez dentro da área. Pênalti. Pênalti para o goleador Santiago Silva bater. Mas vamos catar juntos o fato de que colocar um uruguaio para bater um pênalti contra um time uruguaio não faz o menor sentido. Não que o cara vá errar de propósito, mas ele já vai com aquela pressão de ter que fazer, porque senão vão acusá-lo de ter perdido por ser uruguaio e tal. Vamos combinar que isso deixa o cobrador nervoso, então é melhor evitar. Quando ele se aproximou da bola, eu disse para minha mãe e minha irmã que iria perder, pelo semblante de nervosismo. Acertei. Ele correu todo torto e escorregou um pouco antes da bola, chutando-a por cima do gol. O Vélez via a classificação que antes parecia impossível escapar por entre os dedos. Ainda teve algumas boas oportunidades, mas o pênalti perdido deixou o time e a torcida abalados. Placar final: Vélez Sarsfield 2 x 1 Peñarol.
Na final, o Peñarol pega o Santos, que se classificou após um empate por 3x3 na casa do Cerro Porteño. E avante, Santos!
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