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terça-feira, 17 de maio de 2011

O Peixe virou o barco do Timão

Agora quem dá bola é o Santos, bicampeão paulista em cima do Corinthians no domingo, com direito a belíssimas atuações de Neymar e Arouca. E olha, vou te dizer, estou para ver um técnico mais pé quente do que o Muricy. É um grande técnico e, ainda por cima, traz muita sorte para os times que dirige. Tudo bem, pega sempre grandes elencos, mas é ele que arruma a casa e transforma um grande elenco num time vencedor (arrumou a defesa do Santos, por exemplo, que antes era um pânico no lago, vamos combinar). Não é à toa que foi campeão paulista com o São Caetano, três vezes campeão brasileiro com o São Paulo, uma com o Fluminense e agora campeão paulista pelo Santos.

Vamos ao jogo, que começou muito movimentado e aberto, com os dois times aparentemente assustados e errando muito. Por isso mesmo, ambos tiveram boas chances de gol. Pouco a pouco, o Santos se acalmou e passou a dominar a partida, adiantando a marcação e forçando o erro do Corinthians, jogando em cima disso. O Timão, aliás, não parecia precisar de ajuda para errar. Muito nervoso, o time teve inúmeros passes errados e os meio-campistas não se acertavam, batendo cabeça e travando o jogo do Corinthians, que era obrigado a tentar lançamentos muito longos para o ataque, rifando a bola no famoso chutão e acabando por devolvê-la de graça para o Santos. Não é à toa que o primeiro gol não demorou a sair. Aos 16 minutos, Léo fez bom lançamento para a área, que ainda desviou no zagueiro do Timão (única participação da defesa com o intuito de tentar evitar o gol no lance inteiro) e sobrou nos pés de Zé Eduardo, que cruzou para o meio e achou Arouca livre. E Arouca, que nunca havia marcado pelo alvinegro, marcou logo na decisão. Agora cata o número de jogadores corinthianos que poderiam ter evitado o gol. Sete perto do lance, quatro só dentro da área e pra quê? Pra aplaudir e parabenizar o Arouca, só pode. O Santos manteve seu domínio total no restante do primeiro tempo e só não ampliou o placar para liquidar o jogo porque também errou muitos passes e pecou nas finalizações. Arouca mandou uma na trave aos 34, Alan Patrick perdeu uma chance clara aos 39 após belo lançamento de Neymar e o próprio Neymar desperdiçou um dos gols mais feitos que eu já vi após lançamento perfeito de Zé Eduardo (a defesa corinthiana ainda parou pedindo impedimento, que não existiu). Acho que Neymar não quis fazer porque estava fácil demais, não ia ser golasso e tal.

No segundo tempo, o Santos voltou mais cauteloso, recuando para administrar a vantagem. O Corinthians melhorou com a entrada de Willian no lugar de Dentinho que, convenhamos, há muito tempo não está jogando nada. O Timão dominou o segundo tempo, mas criou muito pouco, não obrigando o goleiro Rafael a nenhuma grande defesa. Aliás, não obrigou o goleiro Rafael a quase defesa nenhuma. Agitado, mas com poucas chances reais de gol, o nível do jogo caiu no segundo tempo. O time do Corinthians parecia estar muito desentrosado, como se os jogadores estivessem acabando de se conhecer, e a ligação entre meio-campo e ataque era nula. A partida voltou a melhorar com a entrada de Morais no lugar de Bruno César, que também esteve muito apagado em campo. A partir daí, o Corinthians organizou seu meio de campo e ganhou maior volume na partida. Apesar do espaço para contra-ataque que cedia ao Peixe em sua defesa, o time santista parecia cansado demais para aproveitá-lo. É, só parecia. E para provar que domínio de jogo sem gol não adianta nada, aos 38, Neymar, que faz a diferença, penetrou na área corinthiana pela esquerda e, no meio de quatro defensores, chutou para o gol. A bola veio rasteira e sem força, mas Julio Cesar decidiu que estava na hora de retribuir o favor que Neymar lhe havia feito ao chutar aquela bola no primeiro tempo em cima dele. Não teve nem dúvida. Deixou a bola, que estava em suas mãos, escapar, para o delírio do torcedor santista na Vila Belmiro. Mas que frango, hein? Quando o jogo parecia morto e a torcida já gritava "É campeão!", Rafael decidiu tornar as coisas mais dramáticas, porque não quis ficar devendo em número de frangos. Aos 41, Morais chutou de fora da área, talvez tentando cruzar (fica a dúvida), e Edu Dracena, que tinha condições de tirar a bola de cabeça se pulasse, ficou com preguiça e decidiu que era hora do amigo Rafael brilhar (reparem que Edu Dracena foi eleito hoje melhor zagueiro da competição. AHAM, CLÁUDIA, SENTA LÁ). Só que Rafael, que esperava que Edu Dracena fosse tirar a bola, pulou 38 dias atrasado. Show de horrores da defesa santista e desconto do Timão. O final do jogo foi mesmo eletrizante, mas aí já era tarde demais para reverter o placar ou mesmo empatar e levar a decisão para os pênaltis. Placar final: Santos 2 x 1 Corinthians.

Em outros resultados da rodada, o Cruzeiro sagrou-se campeão mineiro em cima do Galo (placar final: Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG); o Inter ficou com o título do Gauchão nos pênaltis, isso porque Renan me fez o favor de tomar mais um frango histórico no finalzinho, largando a bola que já havia defendido no alto nos pés de Borges (placar final: Grêmio 2 (4) x (5) 3 Internacional); a Chapecoense conquistou o título catarinense em cima do Criciúma (placar final: Chapecoense 1 x 0 Criciúma); o Santa Cruz perdeu para o Sport, mas mesmo assim garantiu o título pernambucano (placar final: Sport 1 x 0 Santa Cruz; no jogo de ida: Santa Cruz  2 x 0 Sport); o Atlético-GO conquistou o bicampeonato goiano mesmo empatando por 1x1 nos dois jogos contra o Goiás (o critério de desempate é a melhor campanha da primeira fase); e a zebra ficou por conta do título do Bahia de Feira, que virou o placar para cima do Vitória (placar final: Vitória 1 x 2 Bahia de Feira).

segunda-feira, 9 de maio de 2011

E o vento levou o Ganso

E nós perdemos o Ganso de novo... Quando ele se machucou ano passado, eu lembro de falar que a camisa 10 da Seleção deveria ser temporariamente aposentada, porque não havia nenhum outro camisa 10 brasileiro jogando o que ele estava jogando (uma barbaridade) naquele momento. Como de fato. Nesses últimos amistosos da Seleção, tem sido um camisa 10 decepcionante atrás do outro e, por conseguinte, uma série de jogos frustrantes, em que o time fica perde a capacidade de criação no meio-campo. E Ganso é muito mais do que uma capacidade considerável de criação. Ele é um craque, e só não digo o maior surgido nos últimos tempos porque há também Neymar e Lucas. O departamento médico do Santos está prevendo seis semanas fora de combate (com a possibilidade de reduzir para quatro). E aí eu estou prevendo uma Copa América sem Ganso no Brasil. PODE APOSENTAR A CAMISA 10, MANO MENEZES.

E aí? De quem é a culpa? Da própria compleição física do Ganso? Da diretoria do Santos? Do Muricy? Do calendário de competições? Da macumba do Ronaldinho Gaúcho, de olho na camisa 10 da Seleção? Vamos por partes. Que o Ganso tem uma compleição mais frágil do que a da maioria dos jogadores é fato, e inegável. O cara tem 21 anos e já passou por duas operações de grande porte, vamos combinar. Mas ninguém se machuca do nada também. Vejamos o calendário: o Santos está jogando incessantemente às terças, quartas ou quintas (pela Libertadores) e aos sábados ou domingos (pelo Paulistão). É uma rotina pra lá de sacrificante, ainda mais se considerarmos a última semana. No último sábado de abril (30/4), o Santos fez um jogo decisivo contra o São Paulo pelas semifinais do Paulistão. Logo depois, após dar tudo de si e conseguir a classificação, pegou um voo super agradável de 16 horas com destino ao meio do nada no México. Chegando lá onde Judas perdeu as meias, jogou mais 90 minutos de decisão, pelas oitavas de final da Libertadores. Apesar de visivelmente exausto, o Santos conseguiu a classificação para as quartas contra o América do México, segurando o empate por 0x0 (não sem pagar um preço, tendo perdido Arouca durante o jogo). Ufa, finalmente um descanso. NOT! É brinks, galera, porque logo em seguida o Santos teve que encarar o voo de 16 horas da volta (até eu já estou cansada). Aí ontem mais uma vez teve que dar tudo de si pelo primeiro jogo da final do Paulistão, contra o Corinthians (outro 0x0). E aí Ganso se machucou. Realmente, fica um pouco difícil.

O que nos leva ao próximo fator. Tudo bem que o calendário é um absurdo e tal (parece que eles pegam uma grande roda da fortuna e vão puxando as datas ao acaso, por loteria), mas também ninguém tem cara de reclamar com a CBF, porque ninguém quer se indispôr com Ricardo Teixeira e cia., essa quadrilha do futebol brasileiro. Nisso, a diretoria do Santos falha, como falha em muitos outros aspectos (em muitos sentidos, considero a administração santista um desastre). Mas por que não poupar alguns jogadores? É preciso definir um campeonato para priorizar. Afinal, quem tudo quer, nada tem. Levando-se em consideração que o Santos foi o campeão paulista em três dos últimos cinco anos e que não ganha uma Libertadores desde 1963, o torneio a ser priorizado é a Libertadores, logicamente. Não estou dizendo que era para ter entrado com todo o time reserva contra o São Paulo e contra o Corinthians, mas alguns jogadores poderiam ter sido poupados (como o próprio Ganso, voltando de uma lesão que o deixou sete meses afastado do futebol, afinal). Aí eu já ouvi tanto que o culpado disso é o Muricy, que quer jogar sempre com o time titular, quanto que é a diretoria, que pressiona Muricy a escalar o time titular. Para mim, o erro é de ambos. De Muricy por escalar e da diretoria por pressioná-lo e depois querer tirar o corpo fora.

O fato permanece que ontem perdemos mais uma vez um dos maiores jogadores brasileiros da atualidade e, sem dúvida, o maior camisa 10 atual. Tomara que o Ganso consiga se recuperar a tempo de jogar a Copa América pelo Brasil e que não seja um daqueles jogadores cuja fantástica e promissora carreira é interrompida por sucessivas lesões. Ele merece ter um futuro brilhante. A Seleção merece. Todos nós, torcedores e apreciadores do bom futebol, merecemos. Caso contrário, vou ter que admitir que o fator decisivo foi mesmo a macumba de Ronaldinho Gaúcho, que deve ter sido da braba.

0x0 é praga de mãe?

Vi muita gente dizendo que, apesar do placar de 0x0, o jogo Corinthians X Santos foi um bom jogo, até um jogasso, cheio de emoções. Gente, me desculpa, mas jogo 0x0 não pode ser um jogasso. Ou pelo menos eu nunca vi, em 21 anos de existência e pelo menos uns 15 de memória futebolística. Só por não ter a emoção maior, a do gol, a da torcida levantando e pulando toda ao mesmo tempo para comemorar, a da rede balançando, já não pode ser um jogasso. Fica sempre aquela sensação de que não aconteceu absolutamente nada em campo. E normalmente é mesmo um jogo-sonífero, daqueles que depois você se pergunta porque desperdiçou duas horas da sua vida assistindo, seja por ser caracterizado por uma marcação muito forte, ficando mais concentrado no meio-campo sem muita ação nas áreas, seja por trazer uma série de erros grotescos e um caminhão de gols feitos desperdiçados.

O Corinthians X Santos foi uma mistura pouco usual (e, pelo menos no primeiro tempo, mais chata ainda) dos dois fatores. No primeiro tempo (daqueles de apagar imediatamente da memória), o Santos veio muito retrancado (time à la Muricy), talvez contente em segurar o empate, sabendo que o segundo jogo será na Vila Belmiro. Só dá pra extrair de positivo uns dois minutos de surto em que o Santos resolveu vir para cima, criando boas oportunidades e, ao mesmo tempo, oferecendo o contra-ataque ao Corinthians, que também teve alguns bons lances (ao chute na trave de Neymar, por exemplo, seguiu-se a chance desperdiçada por Bruno César, chutando para fora com Rafael já batido, num contra-ataque que teve origem após a melhor chance santista do primeiro tempo). Isso para a sorte do pessoal responsável por selecionar os melhores momentos, senão só poderiam colocar o apito final do juiz, que acabou com a tortura. Ainda no intervalo, o Santos perdeu Ganso definitivamente, lesionado (vou dedicar um post exclusivo a isso, por isso não faço maiores comentários aqui).

No segundo tempo, o Santos resolveu fazer algo de diferente, e não foi ficar na sua casa na Europa, Espanha (pode catar Luísa Marilac no Youtube se você não sacou a interna, vale a pena): mesmo tendo perdido Ganso, sem condições de voltar para os 45 minutos restantes, veio para cima desde o início, como num último ato de desespero, digamos assim. Era aquele derradeiro esforço para fazer o gol, sair na frente e administrar o resultado, num jogo em que o Corinthians estava melhor. Apesar das chances (Neymar mandou mais uma na trave e Chicão salvou o que seria o gol por cobertura de Danilo), não conseguiu marcar. E morreu em campo, fato que já vinha se anunciando devido à sequência de jogos do Santos. A partir dos 20 minutos do segundo tempo, o domínio total foi do Corinthians, que, apesar das muitas chances (Liedson perdeu uma na linha da pequena área e também mandou a sua na trave), também não foi conclusivo. Mil chances perdidas depois, fim de papo e decisão adiada para a Vila Belmiro. Placar final: Corinthians 0 x 0 Santos.

O placar só deve mesmo ter agradado às mães paulistas e cariocas, que puderam contar com a atenção e dedicação exclusiva de seus filhos em seu dia especial, pouco interessados em assistir a uma partida digna de esquecimento. Em outros placares da rodada, o Vozão foi campeão cearense por antecipação (o que já está contribuindo para o oba-oba em torno do Ceará para a partida contra o Flamengo na quarta-feira pela Copa do Brasil. Bom para o Flamengo. E para mim.) em cima do Guarani de Juazeiro (placar final: Ceará 5 x 0 Guarani de Juazeiro); o Grêmio ganhou do Inter pelo jogo de ida da decisão do Gaúchão, com direito a dois frangassos de Renan, que mais pareciam replays um do outro, pode catar os lances (placar final: Inter 2 x 3 Grêmio); e o Galo desbancou o tão poderoso Cruzeiro, "melhor time do Brasil", no jogo de ida da final do Campeonato Mineiro (placar final: Atlético-MG 2 X 1 Cruzeiro).