Apesar do bom resultado no jogo da ida (o Peñarol venceu o Vélez Sarsfield por 1x0 em casa), ninguém creditava a classificação à final da Libertadores ao Peñarol. Eu sim. Todos colocavam o Vélez como um time muito superior tecnicamente (não sei então como teria perdido o primeiro jogo...), que com certeza reverteria a vantagem e sairia do duelo de semifinal classificado. A mídia dava como certa uma coisa que acha impossível do Coritiba fazer pela final da Copa do Brasil, por exemplo.
Desde o apito inicial, contudo, era possível perceber que a história seria diferente. Apesar do que todos esperavam, o Peñarol não veio em uma retranca absurda. Lógico que não partiu desesperado em direção ao ataque, mas manteve uma postura ofensiva. Recuperando muitas bolas no meio-campo, conseguia puxar bons contra-ataques. O Vélez, por sua vez, era muito pouco conclusivo em suas tentativas ofensivas e ficava pouco com a bola no pé. A necessidade da equipe argentina de ir em busca do resultado dava muito espaço para o Peñarol, que aproveitou. Foram muitos lances de perigo por parte do time uruguaio, partindo principalmente do camisa 10 Martinuccio (que parece cada vez mais distante do Palmeiras). As chances, contudo, não resultaram em gol, e a equipe cansou um pouco a partir dos 25 minutos do primeiro tempo. Por este motivo, o Vélez conseguiu reequilibrar a partida. A ligação entre meio-campo e ataque passou a acontecer de forma mais natural, sem chutões, e o time criou boas oportunidades. Mas como quem não faz leva, acabou sofrendo o primeiro gol aos 33 do primeiro tempo, num lance em que Martinuccio deixou Mier sozinho na cara do gol. O Peñarol, entretanto, se acomodou um pouco com a vantagem de 2x0 no placar acumulado (o Vélez precisaria de 3 gols para se classificar) e caiu na retranca. A equipe argentina, que já pressionava e crescia na partida, criou uma chance atrás da outra, até que, finalmente, encontrou o gol nos pés de Fernando Tobio, já aos 45.
No segundo tempo, a postura de ambos os times se manteve a mesma do final do primeiro. O Vélez veio para cima, enquanto o Peñarol permaneceu cautelosamente na retranca, apostando no contra-ataque. Quase chegou ao segundo com Martinuccio e Mier (que perdeu na cara do gol, sozinho). O time argentino, no entanto, não iria entregar os pontos assim tão fácil. O Vélez seguia pressionando e criando chances claras de gol. Aos 21 do segundo tempo, Santiago Silva não perdoou e mandou um chutão para o fundo da rede. 2x1. A partir daí, o jogo pegou fogo. A equipe argentina veio para cima com tudo, acreditando na classificação. O Peñarol se segurava do jeito que dava, abusando dos chutões. De vez em quando, contudo, conseguia encaixar alguns bons contra-ataques, explorando os buracos deixados pelo Vélez no campo defensivo e aproveitando um certo descontrole emocional por parte do time argentino. Descontrole esse que fez com que Fernando Ortiz recebesse o segundo amarelo e fosse expulso aos 23 do segundo tempo. Mesmo assim, o Vélez não alterou em nada sua postura ofensiva (perdido por um, perdido por mil, afinal) e seguiu na briga, pressionando o máximo possível. Finalmente, aos 30, Martínez disputou com Darío Rodríguez uma bola que parecia perdida na linha de fundo, ganhando o lance. Quando se preparava para cruzar, foi derrubado ao MESMO TEMPO por Darío Rodríguez e Guillermo Rodríguez dentro da área. Pênalti. Pênalti para o goleador Santiago Silva bater. Mas vamos catar juntos o fato de que colocar um uruguaio para bater um pênalti contra um time uruguaio não faz o menor sentido. Não que o cara vá errar de propósito, mas ele já vai com aquela pressão de ter que fazer, porque senão vão acusá-lo de ter perdido por ser uruguaio e tal. Vamos combinar que isso deixa o cobrador nervoso, então é melhor evitar. Quando ele se aproximou da bola, eu disse para minha mãe e minha irmã que iria perder, pelo semblante de nervosismo. Acertei. Ele correu todo torto e escorregou um pouco antes da bola, chutando-a por cima do gol. O Vélez via a classificação que antes parecia impossível escapar por entre os dedos. Ainda teve algumas boas oportunidades, mas o pênalti perdido deixou o time e a torcida abalados. Placar final: Vélez Sarsfield 2 x 1 Peñarol.
Na final, o Peñarol pega o Santos, que se classificou após um empate por 3x3 na casa do Cerro Porteño. E avante, Santos!
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terça-feira, 7 de junho de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
O retorno de R10
Quando a contratação de Ronaldinho Gaúcho foi anunciada pelo Flamengo, eu fui a primeira a desconfiar. Achava que ele seria um daqueles jogadores que não iam fazer nada, nem aparecer para treinar, achava que ele ia querer viver só da própria fama. Enquanto todos enalteciam Ronaldinho e só falavam sobre ele, eu estava mais interessada na contratação de Thiago Neves, para mim o verdadeiro grande negócio. E, de fato, o novo camisa 7 do Flamengo provou o seu valor. Com garra e dedicação, foi de extrema relevância para a recomposição de um time que estava esfacelado após uma péssima temporada em 2010, e que vem se acertando a passos largos, já com muitos frutos em 2011. Soube assumir o seu papel e não quis competir com R10, aceitando a posição de "coadjuvante" em que todos o colocavam.
Mas, com o passar do tempo, houve uma inversão de papéis. Thiago Neves entrou em forma muito rápido e passou a brilhar, entregando-se totalmente ao time, correndo muito e marcando muitos gols. Até o pênalti perdido contra o Fluminense nas semifinais da Taça Rio foi perdoado e esquecido, logo substituído pelos elogios ao pênalti convertido contra o Vasco na final da mesma taça, que garantiu a conquista do Campeonato Carioca por antecedência e, ainda por cima, invicto. Ronaldinho Gaúcho, por sua vez, estava "deixando a desejar", de acordo com a opinião geral. E ninguém parecia mais lembrar do gol de falta marcado contra o Boavista, que garantiu a Taça Guanabara, sem a qual não poderia haver Campeonato Carioca por antecedência. A torcida, a imprensa, todos começaram a criticar os supostos desempenhos ruins de R10, culpando sua falta de entrega ao time. Tudo pareceu culminar na ausência de Ronaldinho Gaúcho na lista dos convocados para os amistosos da Seleção Brasileira nos dias 4 e 7 de junho (e na presença de Thiago Neves nessa mesma lista), da qual deve sair a escalação final para a Copa América, a ser disputada durante o mês de julho na Argentina (a única mudança que parece plausível é a convocação de Ganso para a Copa América).
O momento de redenção de Ronaldinho Gaúcho, contudo, parece ter chegado. Após partida brilhante contra o Avaí no sábado, em que marcou um gol, participou dos outros três e ainda deu passes para outras chances claras, com direito a canetas e o velho truque "olhos para um lado, bola para o outro" de R10, todos já veem aí o ressurgimento do antigo craque, já apontam o Flamengo como favorito ao título e já pedem Seleção para Ronaldinho. Esperançosos. Deslumbrados.
Mas agora vamos com calma e vamos por partes, porque, enquanto para a mídia é 8 ou 80, eu prefiro ficar ali nos 44, e, entre céu e mar, há sempre a terra e o pé no chão. Lembro muito bem que, um pouco antes de Ronaldinho Gaúcho manifestar interesse de retornar ao Brasil, todas as emissoras esportivas de televisão (e eu digo TODAS sem medo de ser feliz) se ocupavam em mostrar lances do jogador no Milan, dribles como lambretas, canetas e chapéus. Se os dribles eram efetivos ou não e se a participação de R10 nos jogos era conclusiva, não vinha ao caso. Apenas soltavam o replay dos lances e condenavam Mano Menezes por não convocar Ronaldinho para a Seleção. No único amistoso do jogador para a Amarelinha de Mano, foi uma algazarra, uma confusão. Um milhão de elogios, comentários, deslumbramentos, oba-obas. A cobertura da negociação de Ronaldinho com os clubes brasileiros foi feita em tempo real, realíssimo. Era plantão de notícias 24 horas por dia. E quando finalmente veio a notícia de que o jogador tinha acertado com o Flamengo, foi um tumulto. "Ninguém espera que ele vá jogar no nível do Barcelona, quando foi eleito melhor jogador do mundo", todos diziam, mas, no fundo, era isso mesmo que esperavam. E, durante todo este processo, eu fiquei na minha, aguardando o maior dos desastres, um fracasso colossal, uma decepção monumental. Thiago Neves era meu consolo.
Aí os jogos do Carioca começaram, Ronaldinho estreou e eu, que temia o pior, tive uma grata surpresa. Pois me deparei com um jogador, apesar de toda a fama, comprometido com o clube, que não falta um treinamento, que demonstra alegria em fazer parte do grupo, que faz questão de comemorar os seus gols com os companheiros, que comemora os gols dos companheiros como se fossem seus, que dá força e deposita confiança em cada um deles. Entre as quatro linhas e nos 90 minutos em que a bola rola (que acaba sendo tudo o que interessa), vi um jogador sério, batalhador, que perde uma bola e faz de tudo para recuperá-la, que corre o tempo todo, sem firulas, que não é fominha e prefere rolar a bola para um companheiro fazer o gol e garantir a vitória do time do que a segurar para ficar com a fama, mas perder o gol. Vi um jogador que arrumou o meio-campo rubro-negro e que, quando colocado no ataque (posição que não é sua especialidade), fez o sacrifício, se adaptou e marcou diversas vezes. Vi um jogador inteligente, que sabe atrair a marcação e que faz um par perfeito com Thiago Neves, trocando de posição com o mesmo e o deixando na cara do gol muitas vezes, bem como a diversos outros jogadores. É lógico que vi ainda muito espaço para melhora, tanto técnica, quanto física. Mas vi também já um bom desempenho, acima da média. Não foi o que a imprensa viu. Porque como eles, no fundo, esperavam e contavam sim com o Ronaldinho eleito melhor jogador do mundo pelo Barcelona (o que eu sabia ser impossível desde o início), tudo o que enxergaram foi o desastre que eu havia antecipado (e, no entanto, não vi). De repente, o jogador que tanto enalteciam, que faziam questão de colocar num pedestal, passou a ser condenado por sua "falta de entrega", por suas "péssimas atuações, abaixo da crítica", por "não valer o investimento". Todo o espaço foi dado para os comentários de Zagallo, que fez questão de descartá-lo sem hesitação da Seleção Brasileira numa entrevista em que estava sentado ao lado de Mano Menezes. E a mídia de repente decidiu que Ronaldinho não era bom o bastante para a Seleção, que não merecia, que pouco tinha feito em Copas anteriores (fato com o qual concordo 100%, mas atentemos para essa postura esquizofrênica).
A nova inversão total veio no sábado, com a vitória de 4x0 do Flamengo sobre o Avaí. Tudo bem que este entrou em campo com um time misto, pensando na Copa do Brasil, e que o esquema com três zagueiros no primeiro tempo não favoreceu (com o meio-campo prejudicado, o time errava muitos passes, devolvendo a bola de graça para o Flamengo e permitindo seu controle e sua posse de bola. Além disso, deixava os meio-campistas rubro-negros, incluindo aí R10, muito livres). Apesar da mudança tática para o segundo tempo, com a marcação mais avançada, os jogadores não corresponderam em campo, erraram muito e permitiram que o Flamengo mantivesse seu domínio, acabando por sofrer uma goleada, que só não foi maior porque o Flamengo também errou muitos passes de definição e pecou em algumas finalizações. Tudo isso posto, a atuação de Ronaldinho Gaúcho foi, de fato, brilhante. O desempenho do time como um todo foi excepcional (já havia sido contra o Ceará, incluindo aí R10, mas como a equipe acabou sendo eliminada da Copa do Brasil naquela partida, todos os méritos coletivos e individuais foram, até certo ponto, deixados de lado). Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu o passe para Galhardo, que cruzou para Bottinelli marcar o primeiro gol. Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu aquela arrancada fantástica e acertou um belo chute para fazer o segundo. Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu o passe para Thiago Neves tabelar com Wanderley e marcar o terceiro. Foi Ronaldinho Gaúcho quem tabelou com Diego Maurício, que fez o quarto. Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu aquela caneta e aquele drible. Uma ótima atuação, sem dúvida. Mas aí a imprensa já vê o R10 da época de Barcelona, já vê esperança no retorno do craque, já vê o ressurgimento do "bom futebol brasileiro" (engraçado, achava que o nosso futebol continuava sendo o mais vitorioso do mundo, mas tudo bem), já vê Ronaldinho na Seleção, e que injustiça ele não ter sido convocado, já vê o Flamengo com a mão no título brasileiro...
O que eu vejo é um jogador acima da média que vem tendo boas atuações, mantendo certa regularidade, e que fez duas últimas atuações excepcionais, de altíssimo nível. Eu vejo um jogador que tem chances de chegar à Seleção por mérito próprio, se continuar trabalhando sério e mantendo o nível de evolução técnica e de volume de jogo. Eu vejo um jogador que faz parte de uma equipe que tem chances de conquistar o Brasileirão. Vejo chances. E possibilidades. E um Ronaldinho que vem melhorando, mas nem por isso vai jogar o que jogou no Barcelona. E um Ronaldinho que, se tiver uma má atuação, nem por isso deve ser chamado de perna de pau. Vejo a realidade de um jogador, de um time, de uma Seleção. Agora, o que a mídia vê e desvê e revê, isso aí eu já não sei... Alguém pode me explicar?
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Tragédia na Libertadores
A noite de quarta foi um desastre generalizado para o futebol brasileiro... De uma tacada só, saíram os quatro que jogavam ontem. No geral, só ficou o Santos. Em grande parte, culpo a mídia e seu eterno oba-oba. O problema é que nenhum dos times que jogaram ontem construíram uma vantagem pra REALMENTE poder relaxar nos jogos de ida. Tudo bem, o Grêmio já se previa que fosse sair mesmo. Mas vamos aos outros três, Inter, Fluminense e Cruzeiro. A mídia já dava como certa a classificação dos três, já calculava os encontros de quartas de final, cantando vitória MUITO antes do tempo. Isso só faz com que os times entrem em campo relaxados demais e com que eles fiquem baratinados ao tomar o primeiro gol e perceber que a possibilidade de derrota realmente existe. Vamos elaborar caso a caso.
Primeiramente, o Inter, que dos três é o pior caso de oba-oba: o Inter empatou com o Peñarol no Uruguai (1x1). Aí do nada as pessoas decidiram que essa era uma vantagem gigantesca, que tudo já estava resolvido e começaram a adiantar um possível Grenal nas quartas (sendo que a situaão do Grêmio era ainda pior). Que vantagem é essa? Um empate? Vantagem pra mim é sinônimo de vitória. E pouco me importa o gol na casa do adversário, porque, independentemente disso, a vitória simples era do Peñarol. Ainda quiseram dizer que ao Inter bastava o empate. Qual empate? Porque só o 0x0 servia. 1x1 levava pros pênaltis e, a partir de 2x2, era do Peñarol. Mas fica o oba-oba e o time entra em campo relaxado demais. Mesmo fazendo o primeiro gol, fica totalmente baratinado com o empate do Peñarol, ao perceber que a derrota é uma possibilidade, e toma o segundo pouco tempo depois. O pior é ver a apatia do time em campo depois da virada do Peñarol, um time entregue, morno. Os jogadores não arriscavam nada, nem tentavam um chute de fora da área pra ver no que dava, por exemplo. Tudo bem que o Inter precisaria virar o jogo, mas havia tempo pra isso. Sinceramente, deu raiva de ver. Placar final: Inter 1 x 2 Peñarol.
Aí vem o Cruzeiro. O Cruzeiro ganhou o primeiro jogo do Once Caldas lá na Colômbia por 2x1. Ok, uma boa vantagem, dois gols na casa do adversário e tal, mas não uma vantagem irreversível. Mas aí começa o papo de que o Cruzeiro é o melhor time do Brasil, de que o Cruzeiro tem a melhor campanha da Libertadores e o Once Caldas a pior, de que vai dar um Santos X Cruzeiro nas quartas porque o Once Caldas NUNCA vai conseguir marcar dois gols na casa do Cruzeiro. Por que não? Primeiro que esse negócio de casa do adversário é como se não existisse pra time latino-hispânico. Porque os caras não estão nem aí, eles entram com tudo sempre, e até gostam de jogar na casa do outro, acho que fica uma gana de calar a boca da galera. E eles calaram. Porque o Cruzeiro também entrou na onda, veio pra campo relaxado demais. E, quando o Once Caldas começou a vir pra cima e a mandar no jogo, o time se descontrolou, Roger foi expulso e eles tomaram os dois gols que não poderiam jamais. Tamanho foi o descontrole que até Cuca deu uma cotovelada num jogador do time colombiano. Uma vergonha. Placar final: Cruzeiro 0 x 2 Once Caldas.
A pedra do Cruzeiro, aliás, eu tinha cantado há muito tempo. Quando começou a golear todos os adversários na primeira fase e todo mundo ficou endeusando o time, dizendo que era o favorito ao título, que finalmente tinha se vingado do Estudiantes (não sei como, se o Estudiantes ganhou o título em cima do Cruzeiro e o Cruzeiro nem das oitavas tirou o Estudiantes, que, aliás, agora tem a chance de ir além do Cruzeiro, se passar para as quartas), eu logo disse que ia cair fora nas oitavas. Não adianta, fase de grupo é fase de grupo, mata-mata são outros quinhentos...
Finalmente, chegamos ao Fluminense. O Fluminense construiu a melhor vantagem aqui no Engenhão, 3x1 pra cima do Libertad. Mas permitiu que o time paraguaio fizesse um gol aqui e ia jogar o da volta lá. O 2x0 já era do Libertad, pq ia desempatar pelo gol marcado fora de casa. Mas aí o pessoal diz que não tem como o Fluminense perder, que a vantagem é irreversível, que o time do Libertad é muito fraco (sendo que o Libertad se classificou com a segunda melhor campanha e o Fluminense com a segunda pior. Tudo bem que a chave do Fluminense era BEM mais difícil, mas permanece o fato), que, se a LDU conseguir reverter o resultado ruim do primeiro jogo, vai dar Fluminense X LDU nas quartas, com a possibilidade de uma revanche tricolor. Como se o Libertad não existisse. E como se o Libertad não existisse, o Fluminense entrou em campo, sentado em cima da vantagem, pra garantir o resultado, cumprir tabela, digamos assim. Com os 11 atrás da linha da bola, abdicou de ir ao ataque e passou a tomar sufoco do time paraguaio. Mesmo com o primeiro gol do Libertad, o Fluminense não mudou sua postura, porque, afinal, seria impossível o Libertad fazer 2x0, como todos diziam. Pois bem. Aos 40 do segundo tempo tomou o segundo e, aos 46, o terceiro. O pior de tudo foi ver a cara de quem comeu e não gostou do Enderson Moreira à beira de campo. Meu filho, reage! Muda o time, arrisca alguma coisa, paga um esporro pra ver se os jogadores acordam. Ao Fluminense bastava um gol pra levar a decisão para os pênaltis. Mas, com a apatia do técnico e o descontrole dos jogadores, isso se provou impossível. Placar final: Libertad 3 x 0 Fluminense.
Vantagem pra sentar em cima e se vangloriar é de três gols de diferença pra cima. E tenho dito. Mas a mídia não pensa assim. Acha que com o empate já é moleza. E pelo oba-oba sem fim da imprensa esportiva e pelo fato de que os times acabam entrando na pilha é que eu vi, com muita tristeza, quatro dos cinco times brasileiros que disputavam uma vaga nas quartas da Libertadores caírem todos na mesma noite. O que dizer? Avante, Santos!
Primeiramente, o Inter, que dos três é o pior caso de oba-oba: o Inter empatou com o Peñarol no Uruguai (1x1). Aí do nada as pessoas decidiram que essa era uma vantagem gigantesca, que tudo já estava resolvido e começaram a adiantar um possível Grenal nas quartas (sendo que a situaão do Grêmio era ainda pior). Que vantagem é essa? Um empate? Vantagem pra mim é sinônimo de vitória. E pouco me importa o gol na casa do adversário, porque, independentemente disso, a vitória simples era do Peñarol. Ainda quiseram dizer que ao Inter bastava o empate. Qual empate? Porque só o 0x0 servia. 1x1 levava pros pênaltis e, a partir de 2x2, era do Peñarol. Mas fica o oba-oba e o time entra em campo relaxado demais. Mesmo fazendo o primeiro gol, fica totalmente baratinado com o empate do Peñarol, ao perceber que a derrota é uma possibilidade, e toma o segundo pouco tempo depois. O pior é ver a apatia do time em campo depois da virada do Peñarol, um time entregue, morno. Os jogadores não arriscavam nada, nem tentavam um chute de fora da área pra ver no que dava, por exemplo. Tudo bem que o Inter precisaria virar o jogo, mas havia tempo pra isso. Sinceramente, deu raiva de ver. Placar final: Inter 1 x 2 Peñarol.
Aí vem o Cruzeiro. O Cruzeiro ganhou o primeiro jogo do Once Caldas lá na Colômbia por 2x1. Ok, uma boa vantagem, dois gols na casa do adversário e tal, mas não uma vantagem irreversível. Mas aí começa o papo de que o Cruzeiro é o melhor time do Brasil, de que o Cruzeiro tem a melhor campanha da Libertadores e o Once Caldas a pior, de que vai dar um Santos X Cruzeiro nas quartas porque o Once Caldas NUNCA vai conseguir marcar dois gols na casa do Cruzeiro. Por que não? Primeiro que esse negócio de casa do adversário é como se não existisse pra time latino-hispânico. Porque os caras não estão nem aí, eles entram com tudo sempre, e até gostam de jogar na casa do outro, acho que fica uma gana de calar a boca da galera. E eles calaram. Porque o Cruzeiro também entrou na onda, veio pra campo relaxado demais. E, quando o Once Caldas começou a vir pra cima e a mandar no jogo, o time se descontrolou, Roger foi expulso e eles tomaram os dois gols que não poderiam jamais. Tamanho foi o descontrole que até Cuca deu uma cotovelada num jogador do time colombiano. Uma vergonha. Placar final: Cruzeiro 0 x 2 Once Caldas.
A pedra do Cruzeiro, aliás, eu tinha cantado há muito tempo. Quando começou a golear todos os adversários na primeira fase e todo mundo ficou endeusando o time, dizendo que era o favorito ao título, que finalmente tinha se vingado do Estudiantes (não sei como, se o Estudiantes ganhou o título em cima do Cruzeiro e o Cruzeiro nem das oitavas tirou o Estudiantes, que, aliás, agora tem a chance de ir além do Cruzeiro, se passar para as quartas), eu logo disse que ia cair fora nas oitavas. Não adianta, fase de grupo é fase de grupo, mata-mata são outros quinhentos...
Finalmente, chegamos ao Fluminense. O Fluminense construiu a melhor vantagem aqui no Engenhão, 3x1 pra cima do Libertad. Mas permitiu que o time paraguaio fizesse um gol aqui e ia jogar o da volta lá. O 2x0 já era do Libertad, pq ia desempatar pelo gol marcado fora de casa. Mas aí o pessoal diz que não tem como o Fluminense perder, que a vantagem é irreversível, que o time do Libertad é muito fraco (sendo que o Libertad se classificou com a segunda melhor campanha e o Fluminense com a segunda pior. Tudo bem que a chave do Fluminense era BEM mais difícil, mas permanece o fato), que, se a LDU conseguir reverter o resultado ruim do primeiro jogo, vai dar Fluminense X LDU nas quartas, com a possibilidade de uma revanche tricolor. Como se o Libertad não existisse. E como se o Libertad não existisse, o Fluminense entrou em campo, sentado em cima da vantagem, pra garantir o resultado, cumprir tabela, digamos assim. Com os 11 atrás da linha da bola, abdicou de ir ao ataque e passou a tomar sufoco do time paraguaio. Mesmo com o primeiro gol do Libertad, o Fluminense não mudou sua postura, porque, afinal, seria impossível o Libertad fazer 2x0, como todos diziam. Pois bem. Aos 40 do segundo tempo tomou o segundo e, aos 46, o terceiro. O pior de tudo foi ver a cara de quem comeu e não gostou do Enderson Moreira à beira de campo. Meu filho, reage! Muda o time, arrisca alguma coisa, paga um esporro pra ver se os jogadores acordam. Ao Fluminense bastava um gol pra levar a decisão para os pênaltis. Mas, com a apatia do técnico e o descontrole dos jogadores, isso se provou impossível. Placar final: Libertad 3 x 0 Fluminense.
Vantagem pra sentar em cima e se vangloriar é de três gols de diferença pra cima. E tenho dito. Mas a mídia não pensa assim. Acha que com o empate já é moleza. E pelo oba-oba sem fim da imprensa esportiva e pelo fato de que os times acabam entrando na pilha é que eu vi, com muita tristeza, quatro dos cinco times brasileiros que disputavam uma vaga nas quartas da Libertadores caírem todos na mesma noite. O que dizer? Avante, Santos!
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