terça-feira, 7 de junho de 2011

Avalanche em amarelo e preto

Apesar do bom resultado no jogo da ida (o Peñarol venceu o Vélez Sarsfield por 1x0 em casa), ninguém creditava a classificação à final da Libertadores ao Peñarol. Eu sim. Todos colocavam o Vélez como um time muito superior tecnicamente (não sei então como teria perdido o primeiro jogo...), que com certeza reverteria a vantagem e sairia do duelo de semifinal classificado. A mídia dava como certa uma coisa que acha impossível do Coritiba fazer pela final da Copa do Brasil, por exemplo.

Desde o apito inicial, contudo, era possível perceber que a história seria diferente. Apesar do que todos esperavam, o Peñarol não veio em uma retranca absurda. Lógico que não partiu desesperado em direção ao ataque, mas manteve uma postura ofensiva. Recuperando muitas bolas no meio-campo, conseguia puxar bons contra-ataques. O Vélez, por sua vez, era muito pouco conclusivo em suas tentativas ofensivas e ficava pouco com a bola no pé. A necessidade da equipe argentina de ir em busca do resultado dava muito espaço para o Peñarol, que aproveitou. Foram muitos lances de perigo por parte do time uruguaio, partindo principalmente do camisa 10 Martinuccio (que parece cada vez mais distante do Palmeiras). As chances, contudo, não resultaram em gol, e a equipe cansou um pouco a partir dos 25 minutos do primeiro tempo. Por este motivo, o Vélez conseguiu reequilibrar a partida. A ligação entre meio-campo e ataque passou a acontecer de forma mais natural, sem chutões, e o time criou boas oportunidades. Mas como quem não faz leva, acabou sofrendo o primeiro gol aos 33 do primeiro tempo, num lance em que Martinuccio deixou Mier sozinho na cara do gol. O Peñarol, entretanto, se acomodou um pouco com a vantagem de 2x0 no placar acumulado (o Vélez precisaria de 3 gols para se classificar) e caiu na retranca. A equipe argentina, que já pressionava e crescia na partida, criou uma chance atrás da outra, até que, finalmente, encontrou o gol nos pés de Fernando Tobio, já aos 45.

No segundo tempo, a postura de ambos os times se manteve a mesma do final do primeiro. O Vélez veio para cima, enquanto o Peñarol permaneceu cautelosamente na retranca, apostando no contra-ataque. Quase chegou ao segundo com Martinuccio e Mier (que perdeu na cara do gol, sozinho). O time argentino, no entanto, não iria entregar os pontos assim tão fácil. O Vélez seguia pressionando e criando chances claras de gol. Aos 21 do segundo tempo, Santiago Silva não perdoou e mandou um chutão para o fundo da rede. 2x1. A partir daí, o jogo pegou fogo. A equipe argentina veio para cima com tudo, acreditando na classificação. O Peñarol se segurava do jeito que dava, abusando dos chutões. De vez em quando, contudo, conseguia encaixar alguns bons contra-ataques, explorando os buracos deixados pelo Vélez no campo defensivo e aproveitando um certo descontrole emocional por parte do time argentino. Descontrole esse que fez com que Fernando Ortiz recebesse o segundo amarelo e fosse expulso aos 23 do segundo tempo. Mesmo assim, o Vélez não alterou em nada sua postura ofensiva (perdido por um, perdido por mil, afinal) e seguiu na briga, pressionando o máximo possível. Finalmente, aos 30, Martínez disputou com Darío Rodríguez uma bola que parecia perdida na linha de fundo, ganhando o lance. Quando se preparava para cruzar, foi derrubado ao MESMO TEMPO por Darío Rodríguez e Guillermo Rodríguez dentro da área. Pênalti. Pênalti para o goleador Santiago Silva bater. Mas vamos catar juntos o fato de que colocar um uruguaio para bater um pênalti contra um time uruguaio não faz o menor sentido. Não que o cara vá errar de propósito, mas ele já vai com aquela pressão de ter que fazer, porque senão vão acusá-lo de ter perdido por ser uruguaio e tal. Vamos combinar que isso deixa o cobrador nervoso, então é melhor evitar. Quando ele se aproximou da bola, eu disse para minha mãe e minha irmã que iria perder, pelo semblante de nervosismo. Acertei. Ele correu todo torto e escorregou um pouco antes da bola, chutando-a por cima do gol. O Vélez via a classificação que antes parecia impossível escapar por entre os dedos. Ainda teve algumas boas oportunidades, mas o pênalti perdido deixou o time e a torcida abalados. Placar final: Vélez Sarsfield 2 x 1 Peñarol.

Na final, o Peñarol pega o Santos, que se classificou após um empate por 3x3 na casa do Cerro Porteño. E avante, Santos!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O Santos dá bola, mas ainda não é campeão

O Cerro Porteño entrou pronto para reverter o resultado ruim (no Pacaembu, o Santos conquistara o placar mínimo: 1x0). Esse é o fato. Desde o início do jogo, veio para cima, adiantou a marcação, pressionou a saída de bola do Santos. A estratégia, claramente, era marcar um gol logo no início para forçar o time brasileiro a sair de sua postura defensiva, oferecendo mais espaços para um possível contra-ataque. Mas futebol nunca deixará de nos surpreender. E às vezes a estratégia vai mesmo por água abaixo e acontece justamente o contrário do planejado. Temos aqui um exemplo claro. Aos dois minutos do primeiro tempo, Neymar (um daqueles jogadores cujo talento não cabe no plano do adversário) fez boa jogada pelo lado esquerdo, driblou o marcador e foi derrubado. Elano cobrou a falta na cabeça de Zé Love, que, após 14 jogos, finalmente desencantou e marcou. Aos dois e meio do primeiro tempo, o Santos, acuado pela postura ofensiva do time paraguaio, ampliava sua vantagem e agora, pelo critério do gol na casa do adversário, forçava o Cerro a virar para 3x1 se quisesse avançar para a final. O time brasileiro seguiu recuado, errando muitos passes e não aproveitando os rebotes de jogadas do Cerro. Com a marcação avançada, a equipe paraguaia forçava o erro logo na saída de bola e rapidamente retomava a jogada. Apesar do domínio, o Santos conseguia encaixar alguns bons contra-ataques e, pelo baixo aproveitamento de finalizações do Cerro, acabava gerando os lances mais perigosos, jogando de maneira inteligente, apesar de parecer um pouco precipitado e nervoso mesmo com a vantagem no placar combinado.

Agora vamos catar juntos o lance do segundo gol do Santos, porque vale MUITO a pena. Show de horrores, pânico no lago e pânico na pracinha, tudo junto. Lembremos que o Cerro dominava a partida. Lembremos que o Santos tinha dificuldade de acertar sua saída de bola, apesar de criar boas oportunidades. Pois bem. Numa bola interceptada por Edu Dracena, este deu um chutão para frente, tentando afastar o perigo. Parecia que aquilo não ia dar em nada. BRINKS! A bola foi em direção à grande área paraguaia e Neymar correu para disputar com os zagueiros. No desespero e apertado pelo atacante santista, o zagueiro Pedro Benítez cabeceou contra seu próprio gol. Mas nada demais, uma bola fraca, devagar, só para o goleiro sair e poder segurar com as mãos. OPS! Parece que Barreto não entendeu bem a sua ideia, meu caro Pedro... O goleiro saiu do gol todo torto, meio escorregando e acabou espalmando uma bola de fácil defesa. Só para ficar ainda mais divertido, espalmou PARA TRÁS. Neymar só acompanhou a bola entrando, sem nem precisar encostar, e correu para o abraço. EPIC FAIL. Aos 27 do primeiro tempo, o Santos via a final cada vez mais perto. Agora cata a cara do goleiro depois desse frango atômico... Gente, foi gol contra dele! MESMO, está anotado na súmula. Sério, pra mim essa foi inédita, nunca tinha visto gol contra de goleiro.

Com um placar combinado de 3x0 e a necessidade do Cerro de marcar quatro gols, o Santos relaxou e simplesmente parou de jogar. Mania das equipes brasileiras de achar que time latino vai se comportar como outro time brasileiro e desistir do jogo... Quando vamos começar a entender que os caras não desistem NUNCA, até o apito final? O Cerro não quis nem saber e seguiu pressionando. Aos 31, diminuiu na cabeçada de César Benítez após boa cobrança de escanteio de Iturbe. Aos 36, quase chegou ao gol de empate na finalização de Bareiro. O goleiro Rafael fez belíssima defesa. Só que como domínio não é gol e às vezes futebol é mesmo dar muita sorte, aos 46 Arouca recuperou uma bola no meio de campo e puxou um excelente contra-ataque. Tocou para Neymar no momento exato. O atacante santista não perdoou. Chutou para marcar o terceiro. O Santos foi para o intervalo com o jogo aniquilado.

A volta para o segundo tempo, entretanto, não foi bem assim. Repetindo a postura que adotou após o segundo gol, o Peixe simplesmente parou de jogar. Abusando dos chutões, não conseguia trocar passes e nem manter a bola no campo ofensivo. A pressão do Cerro, que vinha para o tudo ou nada com três atacantes de ofício (Lucero, que entrou no lugar do volante Burgos, Fabbro e Bareiro, depois substituído por Nani) e mais dois meias de chegada (Iturbe, no lugar do machucado Torres, e o brasileiro Júlio dos Santos), era imensa, com muitos lances de perigo. E deu certo. Numa bola ajeitada de cabeça por Bareiro, Lucero soltou a bomba, marcando o segundo da equipe paraguaia aos 15 do segundo tempo. As saídas de Elano e Zé Eduardo para as entradas de Rodrigo Possebon e Maikon Leite, respectivamente, melhoraram a marcação santista, dificultando um pouco a vida do Cerro, que chegava com muita facilidade. A armação de jogadas, contudo, deixou de existir. Porque Possebon, valha-me Deus, NINGUÉM merece... Com Maikon Leite e Neymar isolados e Arouca concentrado na marcação, havia pouco que o Santos pudesse fazer. Basicamente assistiu os lances de perigo do time paraguaio. Quase sofreu o empate aos 33, num chute de Cáceres defendido por Rafael, que ainda teve que dividir a bola para completar a bela defesa. Ufa... Brinks, sofreu o empate aos 36. Fabbro livrou-se de dois de uma vez só (essa zaga santista, vou te contar, é mais perdida do que cego em tiroteio) e acertou um belíssimo chute de fora da área. De repente, virar o jogo para 5x3 não parecia tão mais impossível assim, por descuido do Santos...

Uma das poucas chances da equipe brasileira no segundo tempo veio logo na saída de bola após o terceiro gol do Cerro. Neymar fez boa jogada e sofreu falta. Antes de cobrar, ainda deu tempo de Muricy ser atingido por um OVNI (que ninguém consegue precisar se era uma antena de rádio, uma matraca ou um daqueles pirulitos voadores, com hélice e tudo) e ganhar alguns preciosos minutos. Com a partida finalmente recomeçada, Neymar fez belíssima cobrança e acertou a trave aos 38. Aos 40, perdeu um gol feito. Após belo passe de calcanhar de Maikon Leite, entrou sozinho e chutou em cima de Barreto (que, dessa vez, não marcou mais um). Aos 42, foi a vez da resposta do time paraguaio. O chute de Cáceres acertou em cheio o travessão. Sinceramente, se essa bola tivesse entrado, era bem capaz do Cerro marcar o quinto e conseguir uma classificação histórica. Ainda bem que não! Antes do apito final, o capitão Edu Dracena ainda conseguiu ser expulso e, assim, não disputa o primeiro jogo da final. Ótimo, é reforço para o Santos! Com o apito, o alívio e a vaga assegurada. Placar final: Cerro Porteño 3 x 3 Santos.

Na final, o Santos enfrenta o Peñarol (sério, que lindo!), que perdeu hoje para o Vélez por 2x1, mas garantiu a classificação pelo placar combinado e o gol marcado na casa do adversário (na ida, no Uruguai, venceu por 1x0).

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Só o Neymar joga?

Olha que Libertadores é coisa séria... Alguns jogadores do Santos pareceram entrar em campo hoje sem se dar conta deste fato, caso de Pará e Zé Eduardo. O Peixe conseguiu apenas um placar apertado, que não garante nada para o jogo da volta no Paraguai, apesar de ter tido muitas chances para fazer um resultado mais elástico e ir para a casa do Cerro já com a parada (quase) garantida.

O time do Cerro Porteño entrou em campo obviamente determinado a arrancar o empate por 0x0. Muito recuada, a equipe dava poucos espaços para o Santos, que parecia nervoso com a atitude do adversário, sem saber bem como reagir. Errando muitos passes, o time de Muricy Ramalho permitia que o Cerro cadenciasse o jogo, mantendo a posse de bola. É verdade que essa posse de bola não era convertida em lances de perigo, mas gastar o tempo era tudo o que a equipe paraguaia queria. As chances mais claras vieram, como sempre, na bola parada (naquela jogadinha clássica do chuveirinho na área que todo mundo conhece, mas ninguém parece saber marcar). Desequilibrado e tenso, o Peixe inventava lances desnecessários, com chutões e tentativas de lançamento de 30 metros que só serviam para o Cerro retomar a bola. Nas poucas vezes em que o Santos manteve a bola no chão e soube passá-la bem de pé em pé, esteve perto de marcar, incluindo uma chance claríssima em que Léo perdeu após passe precioso de Neymar. De bola parada, também teve bons momentos com Elano. Como sempre vem acontecendo nos últimos jogos, Zé Eduardo só atrapalhou. Após belíssimo lançamento de Durval, Danilo chegava livre e de frente para bater com o gol aberto (o goleirinho do Cerro, vamos combinar que era um pânico na pracinha no quesito posicionamento), mas Zé Eduardo fez questão de meter o pé na bola todo torto e isolá-la pela linha de fundo. Olha, o cara pode até ser bom jogador, mas está atravessando uma péssima fase e não marca a 14 jogos. Tira de campo, deixa um tempo no banco! E não me interessa se ele é importante para o esquema tático, centroavante tem que fazer gol, oras! Senão é zagueiro, goleiro... Aliás, para que o primeiro e único gol do Peixe viesse, foram necessários um zagueiro e o talento incontestável de Neymar. Um dos poucos jogadores santistas com a cabeça no lugar (mesmo apanhando muito), Neymar fez bom jogo de corpo na entrada na área e deu boa arrancada, levando QUATRO num único lance e chegando à linha de fundo em condições de acertar um belo cruzamento. Edu Dracena subiu mais que todo mundo para cabecear e acertou a trave, mas a bola já quicou completamente dentro do gol. Aos 43 do primeiro tempo, o Peixe abria o placar. O Cerro teve sua melhor chance e quase chegou ao empate logo na saída da bola. Em mais uma das típicas jogadas falta-chuveirinho, o atacante paraguaio conseguiu cabecear sozinho, parando em belíssima defesa com os pés de Rafael.

No segundo tempo, o Santos voltou mais relaxado, com a cabeça no lugar. Soube recuar de maneira inteligente, obrigando a equipe paraguaia a sair para o jogo para buscar o resultado e oferecer mais espaços. Por incrível que pareça, o Cerro foi menos conclusivo do que na primeira etapa, quando dependeu apenas de bolas paradas por estar muito recuado, mas conseguiu criar algumas boas oportunidades. Errando conclusões e passes definitivos, o Cerro deu chances ao Santos de explorar seu erro, sair em contra-ataque. Mas, apesar de mais tranquilo, o time da Vila Belmiro também não correspondia, perdendo chances inacreditáveis. Um bom exemplo é o cruzamento rasteiro à perfeição de Elano, que Zé Eduardo conseguiu desperdiçar com o gol aberto... Ok, não falo mais nada. Neymar parecia jogar sozinho e tentava resolver a parada por si, sem êxito. Acertava belos passes para conclusões equivocadas dos companheiros, acertava belos chutes para defesas do goleiro Barreto. Além dos vacilos técnicos, o time do Santos também cansou no segundo tempo. Muricy demorou muito a mexer e, quando o fez, já era tarde demais. Maikon Leite entrou apenas aos 35 e Alan Patrick, aos 40. Com os dois em campo (no lugar de Zé Eduardo e Elano, respectivamente), o Santos ainda conseguiu criar algumas boas oportunidades. Talvez se tivessem entrado mais cedo, ainda mais no lugar do apagadíssimo Zé Eduardo, poderiam ampliar o placar. Digo talvez porque Alan Patrick conseguiu perder o gol mais feito de todos, no último lance do jogo (último mesmo). Após cruzamento de Neymar (sempre ele...), a bola resvalou nos zagueiros paraguaios, matando o goleiro Barreto, e sobrou limpa para Alan Patrick, que, com tempo para parar e pensar e o gol aberto, conseguiu chutar fraquinho em cima do goleiro. E fim de papo. Placar final: Santos 1 x 0 Cerro Porteño.

O gol desperdiçado por Alan Patrick ainda serviu para animar os paraguaios, que saíram de campo comemorando a vitória simples do Santos e a defesa do goleiro no último lance. Parece mesmo um placar fácil de reverter. Tomara que o Santos prove o contrário e saia comemorando a classificação na casa do adversário, como eles vibraram aqui.

Abre-alas para a caravela passar

Ao final do jogo em São Januário, em que o Vasco empatou com o Avaí pelo placar de 1x1, Silas disse na coletiva que as chances de classificação para a final da Copa do Brasil eram de 60% para o Avaí e 40% para o Vasco. Mas a equipe cruzmaltina entrou em campo determinada a provar que futebol não é estatística e que a vitória vale mais que tudo.

Logo de cara, o Vasco provou que não pretendia brincar, adiantando seus jogadores para pressionar a saída de bola do Avaí, cujo meio-campo, normalmente o setor mais forte do time, hoje não se acertou, errando muitos passes e facilitando o domínio vascaíno. Domínio esse que logo se converteria em resultado. Aos 3 minutos do primeiro tempo, Felipe (muito pouco marcado durante a partida) cobrou falta com categoria, levantando a bola na área. Os jogadores do Vasco nem precisaram se esforçar, pois Revson fez questão de colocá-la lá dentro. Não, você não está vendo coisas, é o mesmo Revson que marcou contra na vitória do São Paulo por 1x0 no Morumbi pelo jogo de ida nas quartas de final. Agora cata a cara dele. A bola vem vindo e ele se posiciona DE COSTAS para o gol e cabeceia PARA TRÁS, metendo no ângulo, sem possibilidade de defesa para Renan. Ô, Silas, agora sério, TEM QUE VER ISSO AÍ. O cara já deve ser o artilheiro do time! É um gol mais bonito que o outro, um centro-avante oportunista, com fome de bola. Só que, BRINKS!, pelo lado errado. Sério, ele deve ficar muito frustrado de ser zagueiro e aí quer marcar gol a qualquer custo. Se eu fosse o técnico, mandava ele fazer a mesma coisa do outro lado. Vou começar uma campanha REVSON É SELEÇÃO. Quer dizer, isso se ele for escalado como atacante (pode até trazer pro Flamengo, pra resolver a carência de centro-avantes), porque como zagueiro, só se for na seleção dos outros, pra fazer gol pra gente.

Depois de marcar o primeiro, o Vasco recuou, mas de maneira inteligente, sem passar sufoco. Soube aproveitar muito bem os espaços deixados pelo Avaí, que teve que sair para buscar o resultado, armando bons contra-ataques. O Avaí, por sua vez, não teve nem a competência, nem a sorte de marcar um gol logo após o do Vasco, como fez no jogo da volta das quartas de final contra o São Paulo. Errando muitos passes e concluindo muito mal, o time não teve nenhuma chance clara de gol, permitindo o controle da partida por parte da equipe de São Januário. Antes de sair o segundo, Diego Souza ainda perdeu uma boa chance e Alecsandro desperdiçou um gol inacreditável, cara a cara com o gol e com Renan já batido. Mas de tanto insistir, o Vasco fez mais um. Aos 34 do primeiro tempo, Alecsandro avançou pelo meio, livre de marcação, teve tempo de parar, analisar a jogada, observar a posição dos dois companheiros que fechavam um por cada lado da área (alô, zagueiro? tá dormindo!?) e rolar para Diego Souza, que entrava livre, marcar o segundo. A  partir daí, a situação do Avaí se complicou muito. Seria necessário marcar três gols para evitar a classificação vascaína (o empate era do Vasco, pelo critério do gol na casa do adversário). E o Vasco não dava mostras de descontrole, nem de nervosismo, muito pelo contrário. Era um time muito bem postado, jogando no erro do adversário, inteligente. Tudo bem que aos 36 o Avaí quase diminuiu com Julinho, que carimbou a trave, mas esta também foi a única oportunidade do time em todo o primeiro tempo.

No segundo, o Vasco entrou um pouco relaxado demais, dando muitos espaços para o time do Avaí, vendo a classificação já garantida. Com isso, a equipe de Santa Catarina teve algumas oportunidades, mas pecou na hora da finalização. Com o tempo passando e a missão parecendo cada vez mais impossível, o Avaí foi recuando e parando de jogar, pouco a pouco entregando os pontos. O Vasco voltou a mandar na partida, conseguindo muitas chances claras para aumentar ainda mais a vantagem (incluindo duas bolas na trave, uma de Diego Souza, em uma de suas melhores atuações). Houve tempo ainda para um gol mal anulado de Alecsandro, que não estava em posição de impedimento. Mas o placar já era mais do que suficiente para carimbar o passaporte vascaíno para a final da Copa do Brasil. Placar final: Avaí 0 x 2 Vasco. A equipe de São Januário vai enfrentar o Coritiba na final, que passou pelo Ceará com magra vitória por 1x0.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O retorno de R10

Quando a contratação de Ronaldinho Gaúcho foi anunciada pelo Flamengo, eu fui a primeira a desconfiar. Achava que ele seria um daqueles jogadores que não iam fazer nada, nem aparecer para treinar, achava que ele ia querer viver só da própria fama. Enquanto todos enalteciam Ronaldinho e só falavam sobre ele, eu estava mais interessada na contratação de Thiago Neves, para mim o verdadeiro grande negócio. E, de fato, o novo camisa 7 do Flamengo provou o seu valor. Com garra e dedicação, foi de extrema relevância para a recomposição de um time que estava esfacelado após uma péssima temporada em 2010, e que vem se acertando a passos largos, já com muitos frutos em 2011. Soube assumir o seu papel e não quis competir com R10, aceitando a posição de "coadjuvante" em que todos o colocavam.

Mas, com o passar do tempo, houve uma inversão de papéis. Thiago Neves entrou em forma muito rápido e passou a brilhar, entregando-se totalmente ao time, correndo muito e marcando muitos gols. Até o pênalti perdido contra o Fluminense nas semifinais da Taça Rio foi perdoado e esquecido, logo substituído pelos elogios ao pênalti convertido contra o Vasco na final da mesma taça, que garantiu a conquista do Campeonato Carioca por antecedência e, ainda por cima, invicto. Ronaldinho Gaúcho, por sua vez, estava "deixando a desejar", de acordo com a opinião geral. E ninguém parecia mais lembrar do gol de falta marcado contra o Boavista, que garantiu a Taça Guanabara, sem a qual não poderia haver Campeonato Carioca por antecedência. A torcida, a imprensa, todos começaram a criticar os supostos desempenhos ruins de R10, culpando sua falta de entrega ao time. Tudo pareceu culminar na ausência de Ronaldinho Gaúcho na lista dos convocados para os amistosos da Seleção Brasileira nos dias 4 e 7 de junho (e na presença de Thiago Neves nessa mesma lista), da qual deve sair a escalação final para a Copa América, a ser disputada durante o mês de julho na Argentina (a única mudança que parece plausível é a convocação de Ganso para a Copa América).

O momento de redenção de Ronaldinho Gaúcho, contudo, parece ter chegado. Após partida brilhante contra o Avaí no sábado, em que marcou um gol, participou dos outros três e ainda deu passes para outras chances claras, com direito a canetas e o velho truque "olhos para um lado, bola para o outro" de R10, todos já veem aí o ressurgimento do antigo craque, já apontam o Flamengo como favorito ao título e já pedem Seleção para Ronaldinho. Esperançosos. Deslumbrados.

Mas agora vamos com calma e vamos por partes, porque, enquanto para a mídia é 8 ou 80, eu prefiro ficar ali nos 44, e, entre céu e mar, há sempre a terra e o pé no chão. Lembro muito bem que, um pouco antes de Ronaldinho Gaúcho manifestar interesse de retornar ao Brasil, todas as emissoras esportivas de televisão (e eu digo TODAS sem medo de ser feliz) se ocupavam em mostrar lances do jogador no Milan, dribles como lambretas, canetas e chapéus. Se os dribles eram efetivos ou não e se a participação de R10 nos jogos era conclusiva, não vinha ao caso. Apenas soltavam o replay dos lances e condenavam Mano Menezes por não convocar Ronaldinho para a Seleção. No único amistoso do jogador para a Amarelinha de Mano, foi uma algazarra, uma confusão. Um milhão de elogios, comentários, deslumbramentos, oba-obas. A cobertura da negociação de Ronaldinho com os clubes brasileiros foi feita em tempo real, realíssimo. Era plantão de notícias 24 horas por dia. E quando finalmente veio a notícia de que o jogador tinha acertado com o Flamengo, foi um tumulto. "Ninguém espera que ele vá jogar no nível do Barcelona, quando foi eleito melhor jogador do mundo", todos diziam, mas, no fundo, era isso mesmo que esperavam. E, durante todo este processo, eu fiquei na minha, aguardando o maior dos desastres, um fracasso colossal, uma decepção monumental. Thiago Neves era meu consolo.

Aí os jogos do Carioca começaram, Ronaldinho estreou e eu, que temia o pior, tive uma grata surpresa. Pois me deparei com um jogador, apesar de toda a fama, comprometido com o clube, que não falta um treinamento, que demonstra alegria em fazer parte do grupo, que faz questão de comemorar os seus gols com os companheiros, que comemora os gols dos companheiros como se fossem seus, que dá força e deposita confiança em cada um deles. Entre as quatro linhas e nos 90 minutos em que a bola rola (que acaba sendo tudo o que interessa), vi um jogador sério, batalhador, que perde uma bola e faz de tudo para recuperá-la, que corre o tempo todo, sem firulas, que não é fominha e prefere rolar a bola para um companheiro fazer o gol e garantir a vitória do time do que a segurar para ficar com a fama, mas perder o gol. Vi um jogador que arrumou o meio-campo rubro-negro e que, quando colocado no ataque (posição que não é sua especialidade), fez o sacrifício, se adaptou e marcou diversas vezes. Vi um jogador inteligente, que sabe atrair a marcação e que faz um par perfeito com Thiago Neves, trocando de posição com o mesmo e o deixando na cara do gol muitas vezes, bem como a diversos outros jogadores. É lógico que vi ainda muito espaço para melhora, tanto técnica, quanto física. Mas vi também já um bom desempenho, acima da média. Não foi o que a imprensa viu. Porque como eles, no fundo, esperavam e contavam sim com o Ronaldinho eleito melhor jogador do mundo pelo Barcelona (o que eu sabia ser impossível desde o início), tudo o que enxergaram foi o desastre que eu havia antecipado (e, no entanto, não vi). De repente, o jogador que tanto enalteciam, que faziam questão de colocar num pedestal, passou a ser condenado por sua "falta de entrega", por suas "péssimas atuações, abaixo da crítica", por "não valer o investimento". Todo o espaço foi dado para os comentários de Zagallo, que fez questão de descartá-lo sem hesitação da Seleção Brasileira numa entrevista em que estava sentado ao lado de Mano Menezes. E a mídia de repente decidiu que Ronaldinho não era bom o bastante para a Seleção, que não merecia, que pouco tinha feito em Copas anteriores (fato com o qual concordo 100%, mas atentemos para essa postura esquizofrênica).

A nova inversão total veio no sábado, com a vitória de 4x0 do Flamengo sobre o Avaí. Tudo bem que este entrou em campo com um time misto, pensando na Copa do Brasil, e que o esquema com três zagueiros no primeiro tempo não favoreceu (com o meio-campo prejudicado, o time errava muitos passes, devolvendo a bola de graça para o Flamengo e permitindo seu controle e sua posse de bola. Além disso, deixava os meio-campistas rubro-negros, incluindo aí R10, muito livres). Apesar da mudança tática para o segundo tempo, com a marcação mais avançada, os jogadores não corresponderam em campo, erraram muito e permitiram que o Flamengo mantivesse seu domínio, acabando por sofrer uma goleada, que só não foi maior porque o Flamengo também errou muitos passes de definição e pecou em algumas finalizações. Tudo isso posto, a atuação de Ronaldinho Gaúcho foi, de fato, brilhante. O desempenho do time como um todo foi excepcional (já havia sido contra o Ceará, incluindo aí R10, mas como a equipe acabou sendo eliminada da Copa do Brasil naquela partida, todos os méritos coletivos e individuais foram, até certo ponto, deixados de lado). Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu o passe para Galhardo, que cruzou para Bottinelli marcar o primeiro gol. Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu aquela arrancada fantástica e acertou um belo chute para fazer o segundo. Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu o passe para Thiago Neves tabelar com Wanderley e marcar o terceiro. Foi Ronaldinho Gaúcho quem tabelou com Diego Maurício, que fez o quarto. Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu aquela caneta e aquele drible. Uma ótima atuação, sem dúvida. Mas aí a imprensa já vê o R10 da época de Barcelona, já vê esperança no retorno do craque, já vê o ressurgimento do "bom futebol brasileiro" (engraçado, achava que o nosso futebol continuava sendo o mais vitorioso do mundo, mas tudo bem), já vê Ronaldinho na Seleção, e que injustiça ele não ter sido convocado, já vê o Flamengo com a mão no título brasileiro...

O que eu vejo é um jogador acima da média que vem tendo boas atuações, mantendo certa regularidade, e que fez duas últimas atuações excepcionais, de altíssimo nível. Eu vejo um jogador que tem chances de chegar à Seleção por mérito próprio, se continuar trabalhando sério e mantendo o nível de evolução técnica e de volume de jogo. Eu vejo um jogador que faz parte de uma equipe que tem chances de conquistar o Brasileirão. Vejo chances. E possibilidades. E um Ronaldinho que vem melhorando, mas nem por isso vai jogar o que jogou no Barcelona. E um Ronaldinho que, se tiver uma má atuação, nem por isso deve ser chamado de perna de pau. Vejo a realidade de um jogador, de um time, de uma Seleção. Agora, o que a mídia vê e desvê e revê, isso aí eu já não sei... Alguém pode me explicar?

terça-feira, 17 de maio de 2011

O Peixe virou o barco do Timão

Agora quem dá bola é o Santos, bicampeão paulista em cima do Corinthians no domingo, com direito a belíssimas atuações de Neymar e Arouca. E olha, vou te dizer, estou para ver um técnico mais pé quente do que o Muricy. É um grande técnico e, ainda por cima, traz muita sorte para os times que dirige. Tudo bem, pega sempre grandes elencos, mas é ele que arruma a casa e transforma um grande elenco num time vencedor (arrumou a defesa do Santos, por exemplo, que antes era um pânico no lago, vamos combinar). Não é à toa que foi campeão paulista com o São Caetano, três vezes campeão brasileiro com o São Paulo, uma com o Fluminense e agora campeão paulista pelo Santos.

Vamos ao jogo, que começou muito movimentado e aberto, com os dois times aparentemente assustados e errando muito. Por isso mesmo, ambos tiveram boas chances de gol. Pouco a pouco, o Santos se acalmou e passou a dominar a partida, adiantando a marcação e forçando o erro do Corinthians, jogando em cima disso. O Timão, aliás, não parecia precisar de ajuda para errar. Muito nervoso, o time teve inúmeros passes errados e os meio-campistas não se acertavam, batendo cabeça e travando o jogo do Corinthians, que era obrigado a tentar lançamentos muito longos para o ataque, rifando a bola no famoso chutão e acabando por devolvê-la de graça para o Santos. Não é à toa que o primeiro gol não demorou a sair. Aos 16 minutos, Léo fez bom lançamento para a área, que ainda desviou no zagueiro do Timão (única participação da defesa com o intuito de tentar evitar o gol no lance inteiro) e sobrou nos pés de Zé Eduardo, que cruzou para o meio e achou Arouca livre. E Arouca, que nunca havia marcado pelo alvinegro, marcou logo na decisão. Agora cata o número de jogadores corinthianos que poderiam ter evitado o gol. Sete perto do lance, quatro só dentro da área e pra quê? Pra aplaudir e parabenizar o Arouca, só pode. O Santos manteve seu domínio total no restante do primeiro tempo e só não ampliou o placar para liquidar o jogo porque também errou muitos passes e pecou nas finalizações. Arouca mandou uma na trave aos 34, Alan Patrick perdeu uma chance clara aos 39 após belo lançamento de Neymar e o próprio Neymar desperdiçou um dos gols mais feitos que eu já vi após lançamento perfeito de Zé Eduardo (a defesa corinthiana ainda parou pedindo impedimento, que não existiu). Acho que Neymar não quis fazer porque estava fácil demais, não ia ser golasso e tal.

No segundo tempo, o Santos voltou mais cauteloso, recuando para administrar a vantagem. O Corinthians melhorou com a entrada de Willian no lugar de Dentinho que, convenhamos, há muito tempo não está jogando nada. O Timão dominou o segundo tempo, mas criou muito pouco, não obrigando o goleiro Rafael a nenhuma grande defesa. Aliás, não obrigou o goleiro Rafael a quase defesa nenhuma. Agitado, mas com poucas chances reais de gol, o nível do jogo caiu no segundo tempo. O time do Corinthians parecia estar muito desentrosado, como se os jogadores estivessem acabando de se conhecer, e a ligação entre meio-campo e ataque era nula. A partida voltou a melhorar com a entrada de Morais no lugar de Bruno César, que também esteve muito apagado em campo. A partir daí, o Corinthians organizou seu meio de campo e ganhou maior volume na partida. Apesar do espaço para contra-ataque que cedia ao Peixe em sua defesa, o time santista parecia cansado demais para aproveitá-lo. É, só parecia. E para provar que domínio de jogo sem gol não adianta nada, aos 38, Neymar, que faz a diferença, penetrou na área corinthiana pela esquerda e, no meio de quatro defensores, chutou para o gol. A bola veio rasteira e sem força, mas Julio Cesar decidiu que estava na hora de retribuir o favor que Neymar lhe havia feito ao chutar aquela bola no primeiro tempo em cima dele. Não teve nem dúvida. Deixou a bola, que estava em suas mãos, escapar, para o delírio do torcedor santista na Vila Belmiro. Mas que frango, hein? Quando o jogo parecia morto e a torcida já gritava "É campeão!", Rafael decidiu tornar as coisas mais dramáticas, porque não quis ficar devendo em número de frangos. Aos 41, Morais chutou de fora da área, talvez tentando cruzar (fica a dúvida), e Edu Dracena, que tinha condições de tirar a bola de cabeça se pulasse, ficou com preguiça e decidiu que era hora do amigo Rafael brilhar (reparem que Edu Dracena foi eleito hoje melhor zagueiro da competição. AHAM, CLÁUDIA, SENTA LÁ). Só que Rafael, que esperava que Edu Dracena fosse tirar a bola, pulou 38 dias atrasado. Show de horrores da defesa santista e desconto do Timão. O final do jogo foi mesmo eletrizante, mas aí já era tarde demais para reverter o placar ou mesmo empatar e levar a decisão para os pênaltis. Placar final: Santos 2 x 1 Corinthians.

Em outros resultados da rodada, o Cruzeiro sagrou-se campeão mineiro em cima do Galo (placar final: Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG); o Inter ficou com o título do Gauchão nos pênaltis, isso porque Renan me fez o favor de tomar mais um frango histórico no finalzinho, largando a bola que já havia defendido no alto nos pés de Borges (placar final: Grêmio 2 (4) x (5) 3 Internacional); a Chapecoense conquistou o título catarinense em cima do Criciúma (placar final: Chapecoense 1 x 0 Criciúma); o Santa Cruz perdeu para o Sport, mas mesmo assim garantiu o título pernambucano (placar final: Sport 1 x 0 Santa Cruz; no jogo de ida: Santa Cruz  2 x 0 Sport); o Atlético-GO conquistou o bicampeonato goiano mesmo empatando por 1x1 nos dois jogos contra o Goiás (o critério de desempate é a melhor campanha da primeira fase); e a zebra ficou por conta do título do Bahia de Feira, que virou o placar para cima do Vitória (placar final: Vitória 1 x 2 Bahia de Feira).

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ressaca paulista na Ressacada

E o Avaí fez o que parecia impossível. Após perder o jogo de ida no Morumbi por 1x0 e sair atrás no placar na Ressacada, conseguiu marcar os três gols necessários para reverter o resultado e garantir sua classificação às semifinais da Copa do Brasil, em que enfrentará o Vasco, que passou pelo Atlético-PR.

Se para mim, que não sou nem Avaí, nem São Paulo, o jogo de quartas de final da Copa do Brasil já foi muito emocionante, um jogasso, imagino para os torcedores de ambos os times que estavam assistindo. É carga de adrenalina pra durar pelo mês inteiro. O jogo foi disputado, aberto e franco do apito inicial até o final. Desde o princípio, os dois times adotaram uma postura agressiva, levando perigo à defesa adversária e chegando com frequência à área, com conclusões interessantes. Logo aos 15 do primeiro tempo, o São Paulo, que não quis saber de vantagem no jogo da ida, abriu o placar. Dagoberto cobrou falta lançando a bola na área e Rhodolfo fintou uma cabeçada de maneira inteligente, atraindo a marcação e deixando Casemiro livre para cabecear para o fundo da rede. Com o gol na casa do adversário, o São Paulo não só ampliava a sua vantagem no placar combinado, como também forçava o Avaí a ir em busca de três gols para conseguir a classificação. A missão parecia impossível e a vitória do São Paulo, decretada. Era o último prego no caixão do Avaí. BRINKS! Logo na saída de bola, aos 16 do primeiro tempo, o Avaí provou que não era por aí quando Estrada cruzou para a área e William, antecipando-se à marcação, cabeceou para marcar o gol de empate. Para o Avaí, foi aquele momento de alívio, para se convencer de que a classificação ainda era possível. Para o São Paulo, foi um balde de água fria.

Balde de água fria maior ainda, para delírio da torcida do Leão, veio aos 30 do primeiro tempo, na jogada bizarra que originou o gol da virada do Avaí. Marquinhos cobrou bem fechado o escanteio, obrigando Rogério Ceni a dar um soco na bola para evitar o gol olímpico. A bola sobrou para Bruno Silva, que cabeceou para as redes tricolores. Mais um gol de cabeça. Agora cata a cara de todos os jogadores da defesa do São Paulo nesse lance. Primeiro, vamos catar juntos a cara do Rogério Ceni. Ele sai para socar a bola e, em vez de voltar para o gol, resolve ir comprar uma pipoca para assistir de camarote o gol de Bruno Silva. Pode reparar que, no replay da câmera que fica atrás do gol, ele nem aparece. Sério, não se esforçou o suficiente nem para sair na foto. Prosseguindo, vamos catar juntos a cara dos TRÊS zagueiros que defendiam o gol na ausência do goleiro. O da esquerda simplesmente não faz nada, fica parado, fazendo a egípcia, figuração clássica. O do meio e o da direita só esticam a perna depois que a bola passa, pode reparar. O do meio ainda tenta tirar a bola cabeceando quando ela já está lá dentro (no que falha, aliás). Para mim, os caras estavam ali só para assistir o gol de uma posição privilegiada e aí quiseram dar uma disfarçada jogando a perninha, como quem tenta tirar a bola. A classificação do Avaí estava cada vez mais próxima.

Esta foi sacramentada logo aos 30 segundos do segundo tempo, num lance daqueles que faz a gente exclamar "tá escrito!". Diego Orlando fez um cruzamento a partir da lateral direita do campo e Estrada FUROU a bola em sua tentativa de bicicleta, que acabou sobrando limpa para Marquinhos Gabriel, livre de marcação porque a defesa havia fechado em cima de Estrada. Todo torto e quase caindo, ele acertou um chute no canto esquerdo de Rogério Ceni. O Avaí marcava o terceiro gol e conquistava o placar necessário para avançar às semifinais da Copa do Brasil em meia hora, contando a partir de seu primeiro gol. Com o resultado nas mãos, o Leão recuou e passou a jogar nos contra-ataques. O São Paulo veio para cima e dominou o jogo, mas esbarrou em sua própria falta de decisão e em algumas boas defesas de Renan, goleiro do time adversário que chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira. No momento de maior pressão do São Paulo no jogo (o time paulista precisava de apenas um gol para reconquistar a vaga, pelo critério dos gols marcados na casa do adversário), foi o Avaí quem quase ampliou o placar para decidir de vez o dono da vaga, numa cobrança de falta de Acleisson que carimbou a trave, aos 41 do segundo tempo. Apesar da pressão, o São Paulo, nos últimos tempos sempre pouco conclusivo, não conseguiu evitar a derrota por dois gols e viu a classificação escapar por entre os dedos. Placar final: Avaí 3 x 1 São Paulo.

Destaque final para a atuação pânico na pracinha de Carpegiani no comando do São Paulo, que lhe custou a desconfiança dos torcedores e a demissão, sendo recontratado em tempo recorde (como disse a manchete da ESPN, o São Paulo demitiu Paulo César na sexta e contratou Carpegiani na segunda). A diretoria está apenas esperando um substituto à altura. No intervalo, o técnico colocou Marlos no lugar de Fernandinho, que voltava de lesão e cansou muito rápido. Aí, por volta dos 35 do segundo tempo, ele tirou o mesmo Marlos de campo, "consertando" a própria substituição, numa grande pegadinha para o torcedor, do tipo "Você achava que o Marlos era bom? BRINKS!". Uma das coisas mais bizonhas que eu já vi. Errou também em não tirar Lucas do jogo, que, retornando de uma lesão, deveria ter ficado no máximo até o intervalo. Cansou muito rápido e depois ficou muito apagado em campo, arriscando uma nova lesão pelo esforço físico. Sinceramente, não é à toa que deu tanta briga com o Rivaldo...