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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Abre-alas para a caravela passar

Ao final do jogo em São Januário, em que o Vasco empatou com o Avaí pelo placar de 1x1, Silas disse na coletiva que as chances de classificação para a final da Copa do Brasil eram de 60% para o Avaí e 40% para o Vasco. Mas a equipe cruzmaltina entrou em campo determinada a provar que futebol não é estatística e que a vitória vale mais que tudo.

Logo de cara, o Vasco provou que não pretendia brincar, adiantando seus jogadores para pressionar a saída de bola do Avaí, cujo meio-campo, normalmente o setor mais forte do time, hoje não se acertou, errando muitos passes e facilitando o domínio vascaíno. Domínio esse que logo se converteria em resultado. Aos 3 minutos do primeiro tempo, Felipe (muito pouco marcado durante a partida) cobrou falta com categoria, levantando a bola na área. Os jogadores do Vasco nem precisaram se esforçar, pois Revson fez questão de colocá-la lá dentro. Não, você não está vendo coisas, é o mesmo Revson que marcou contra na vitória do São Paulo por 1x0 no Morumbi pelo jogo de ida nas quartas de final. Agora cata a cara dele. A bola vem vindo e ele se posiciona DE COSTAS para o gol e cabeceia PARA TRÁS, metendo no ângulo, sem possibilidade de defesa para Renan. Ô, Silas, agora sério, TEM QUE VER ISSO AÍ. O cara já deve ser o artilheiro do time! É um gol mais bonito que o outro, um centro-avante oportunista, com fome de bola. Só que, BRINKS!, pelo lado errado. Sério, ele deve ficar muito frustrado de ser zagueiro e aí quer marcar gol a qualquer custo. Se eu fosse o técnico, mandava ele fazer a mesma coisa do outro lado. Vou começar uma campanha REVSON É SELEÇÃO. Quer dizer, isso se ele for escalado como atacante (pode até trazer pro Flamengo, pra resolver a carência de centro-avantes), porque como zagueiro, só se for na seleção dos outros, pra fazer gol pra gente.

Depois de marcar o primeiro, o Vasco recuou, mas de maneira inteligente, sem passar sufoco. Soube aproveitar muito bem os espaços deixados pelo Avaí, que teve que sair para buscar o resultado, armando bons contra-ataques. O Avaí, por sua vez, não teve nem a competência, nem a sorte de marcar um gol logo após o do Vasco, como fez no jogo da volta das quartas de final contra o São Paulo. Errando muitos passes e concluindo muito mal, o time não teve nenhuma chance clara de gol, permitindo o controle da partida por parte da equipe de São Januário. Antes de sair o segundo, Diego Souza ainda perdeu uma boa chance e Alecsandro desperdiçou um gol inacreditável, cara a cara com o gol e com Renan já batido. Mas de tanto insistir, o Vasco fez mais um. Aos 34 do primeiro tempo, Alecsandro avançou pelo meio, livre de marcação, teve tempo de parar, analisar a jogada, observar a posição dos dois companheiros que fechavam um por cada lado da área (alô, zagueiro? tá dormindo!?) e rolar para Diego Souza, que entrava livre, marcar o segundo. A  partir daí, a situação do Avaí se complicou muito. Seria necessário marcar três gols para evitar a classificação vascaína (o empate era do Vasco, pelo critério do gol na casa do adversário). E o Vasco não dava mostras de descontrole, nem de nervosismo, muito pelo contrário. Era um time muito bem postado, jogando no erro do adversário, inteligente. Tudo bem que aos 36 o Avaí quase diminuiu com Julinho, que carimbou a trave, mas esta também foi a única oportunidade do time em todo o primeiro tempo.

No segundo, o Vasco entrou um pouco relaxado demais, dando muitos espaços para o time do Avaí, vendo a classificação já garantida. Com isso, a equipe de Santa Catarina teve algumas oportunidades, mas pecou na hora da finalização. Com o tempo passando e a missão parecendo cada vez mais impossível, o Avaí foi recuando e parando de jogar, pouco a pouco entregando os pontos. O Vasco voltou a mandar na partida, conseguindo muitas chances claras para aumentar ainda mais a vantagem (incluindo duas bolas na trave, uma de Diego Souza, em uma de suas melhores atuações). Houve tempo ainda para um gol mal anulado de Alecsandro, que não estava em posição de impedimento. Mas o placar já era mais do que suficiente para carimbar o passaporte vascaíno para a final da Copa do Brasil. Placar final: Avaí 0 x 2 Vasco. A equipe de São Januário vai enfrentar o Coritiba na final, que passou pelo Ceará com magra vitória por 1x0.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ressaca paulista na Ressacada

E o Avaí fez o que parecia impossível. Após perder o jogo de ida no Morumbi por 1x0 e sair atrás no placar na Ressacada, conseguiu marcar os três gols necessários para reverter o resultado e garantir sua classificação às semifinais da Copa do Brasil, em que enfrentará o Vasco, que passou pelo Atlético-PR.

Se para mim, que não sou nem Avaí, nem São Paulo, o jogo de quartas de final da Copa do Brasil já foi muito emocionante, um jogasso, imagino para os torcedores de ambos os times que estavam assistindo. É carga de adrenalina pra durar pelo mês inteiro. O jogo foi disputado, aberto e franco do apito inicial até o final. Desde o princípio, os dois times adotaram uma postura agressiva, levando perigo à defesa adversária e chegando com frequência à área, com conclusões interessantes. Logo aos 15 do primeiro tempo, o São Paulo, que não quis saber de vantagem no jogo da ida, abriu o placar. Dagoberto cobrou falta lançando a bola na área e Rhodolfo fintou uma cabeçada de maneira inteligente, atraindo a marcação e deixando Casemiro livre para cabecear para o fundo da rede. Com o gol na casa do adversário, o São Paulo não só ampliava a sua vantagem no placar combinado, como também forçava o Avaí a ir em busca de três gols para conseguir a classificação. A missão parecia impossível e a vitória do São Paulo, decretada. Era o último prego no caixão do Avaí. BRINKS! Logo na saída de bola, aos 16 do primeiro tempo, o Avaí provou que não era por aí quando Estrada cruzou para a área e William, antecipando-se à marcação, cabeceou para marcar o gol de empate. Para o Avaí, foi aquele momento de alívio, para se convencer de que a classificação ainda era possível. Para o São Paulo, foi um balde de água fria.

Balde de água fria maior ainda, para delírio da torcida do Leão, veio aos 30 do primeiro tempo, na jogada bizarra que originou o gol da virada do Avaí. Marquinhos cobrou bem fechado o escanteio, obrigando Rogério Ceni a dar um soco na bola para evitar o gol olímpico. A bola sobrou para Bruno Silva, que cabeceou para as redes tricolores. Mais um gol de cabeça. Agora cata a cara de todos os jogadores da defesa do São Paulo nesse lance. Primeiro, vamos catar juntos a cara do Rogério Ceni. Ele sai para socar a bola e, em vez de voltar para o gol, resolve ir comprar uma pipoca para assistir de camarote o gol de Bruno Silva. Pode reparar que, no replay da câmera que fica atrás do gol, ele nem aparece. Sério, não se esforçou o suficiente nem para sair na foto. Prosseguindo, vamos catar juntos a cara dos TRÊS zagueiros que defendiam o gol na ausência do goleiro. O da esquerda simplesmente não faz nada, fica parado, fazendo a egípcia, figuração clássica. O do meio e o da direita só esticam a perna depois que a bola passa, pode reparar. O do meio ainda tenta tirar a bola cabeceando quando ela já está lá dentro (no que falha, aliás). Para mim, os caras estavam ali só para assistir o gol de uma posição privilegiada e aí quiseram dar uma disfarçada jogando a perninha, como quem tenta tirar a bola. A classificação do Avaí estava cada vez mais próxima.

Esta foi sacramentada logo aos 30 segundos do segundo tempo, num lance daqueles que faz a gente exclamar "tá escrito!". Diego Orlando fez um cruzamento a partir da lateral direita do campo e Estrada FUROU a bola em sua tentativa de bicicleta, que acabou sobrando limpa para Marquinhos Gabriel, livre de marcação porque a defesa havia fechado em cima de Estrada. Todo torto e quase caindo, ele acertou um chute no canto esquerdo de Rogério Ceni. O Avaí marcava o terceiro gol e conquistava o placar necessário para avançar às semifinais da Copa do Brasil em meia hora, contando a partir de seu primeiro gol. Com o resultado nas mãos, o Leão recuou e passou a jogar nos contra-ataques. O São Paulo veio para cima e dominou o jogo, mas esbarrou em sua própria falta de decisão e em algumas boas defesas de Renan, goleiro do time adversário que chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira. No momento de maior pressão do São Paulo no jogo (o time paulista precisava de apenas um gol para reconquistar a vaga, pelo critério dos gols marcados na casa do adversário), foi o Avaí quem quase ampliou o placar para decidir de vez o dono da vaga, numa cobrança de falta de Acleisson que carimbou a trave, aos 41 do segundo tempo. Apesar da pressão, o São Paulo, nos últimos tempos sempre pouco conclusivo, não conseguiu evitar a derrota por dois gols e viu a classificação escapar por entre os dedos. Placar final: Avaí 3 x 1 São Paulo.

Destaque final para a atuação pânico na pracinha de Carpegiani no comando do São Paulo, que lhe custou a desconfiança dos torcedores e a demissão, sendo recontratado em tempo recorde (como disse a manchete da ESPN, o São Paulo demitiu Paulo César na sexta e contratou Carpegiani na segunda). A diretoria está apenas esperando um substituto à altura. No intervalo, o técnico colocou Marlos no lugar de Fernandinho, que voltava de lesão e cansou muito rápido. Aí, por volta dos 35 do segundo tempo, ele tirou o mesmo Marlos de campo, "consertando" a própria substituição, numa grande pegadinha para o torcedor, do tipo "Você achava que o Marlos era bom? BRINKS!". Uma das coisas mais bizonhas que eu já vi. Errou também em não tirar Lucas do jogo, que, retornando de uma lesão, deveria ter ficado no máximo até o intervalo. Cansou muito rápido e depois ficou muito apagado em campo, arriscando uma nova lesão pelo esforço físico. Sinceramente, não é à toa que deu tanta briga com o Rivaldo...

No máximo uma ventania

Quem assistiu Vasco X Atlético-PR na quinta-feira não pode ter dúvidas de que a classificação vascaína para as semifinais da Copa do Brasil é mais do que justa. Não pode ter dúvidas também de que, mesmo inferior à equipe de São Januário, o Furacão fez uma boa partida e ameaçou a classificação vascaína, chegando a sair na frente no placar. Elton, no entanto, acabou com a alegria atleticana logo em seguida, transformando o perigoso Furacão numa ventania inofensiva.

O jogo começou muito disputado e corrido. Por seu ritmo acelerado e sua característica de abertura, houve vários lances de perigo logo no início do primeiro tempo, enquanto os times ainda se estudavam, chutes de média distância tanto pelo lado do Vasco quanto pelo Atlético. Como esse ritmo alucinado não podia se manter, até porque senão nenhum jogador ia voltar pro segundo tempo, por volta dos 10 minutos do primeiro tempo a partida esfriou e o Vasco cadenciou o jogo com uma maior posse de bola, passando a dominar. O Atlético recuou um pouco e passou a depender do contra-ataque, sempre desperdiçado por Guerron, que, sinceramente, é um pânico no lago (pânico na pracinha eu reservo para jogadores do naipe de Rodrigo Alvim). As melhores chances do Furacão vieram, obviamente, dos pés de Paulo Baier, sempre um perigo na bola parada e o melhor jogador disparado do Atlético, responsável por suas melhores jogadas e lances mais perigosos. Apesar do domínio vascaíno, as chances mais claras do time de São Januário também foram de bola parada, saindo dos pés de Bernardo, que começou jogando (incluindo uma que carimbou o travessão de Renan Rocha, outro grande destaque do Atlético).

O segundo tempo começou morno demais, em parte pelo cansaço provocado pela correria do primeiro, ainda com domínio vascaíno. Quando estava começando a ficar sonífero, ambos os técnicos resolveram mexer, fazendo alterações decisivas para a partida - tanto para que o ritmo de jogo voltasse a ser agradável, visto que os jogadores descansados deram novo fôlego a seus times, quanto para o resultado da partida em si. Pelo Furacão, entraram Madson e Nieto (nos lugares de Branquinho e Guerron, respectivamente). Pelo Vasco, os nomes foram Fagner e Elton, substituindo Allan e Diego Souza, que, mais uma vez, nada fez. Para provar que as substituições deram certo, vamos aos gols. Aos 28 do segundo tempo, quando tudo já começava a parecer decidido para o Vasco com o empate em 0x0 (no primeiro jogo, na Arena da Baixada, a equipe cruzmaltina empatara por 2x2, o que garantiria seu avanço na Copa do Brasil pelo critério de gols marcados na casa do adversário), Madson tocou para a entrada da área vascaína, Paulo Baier fez uma espécie de corta-luz não intencional, digamos assim, e Nieto, recém-saído do banco, completou para a rede. A partir daí, o jogo pegou fogo. O Vasco, mesmo atrás no placar e com a classificação ameaçada, não desistiu e não se abalou, pressionando demais a partir do recuo atleticano. Deu certo. Aos 35 do segundo tempo, Fagner lançou uma bola na cabeça de Elton, que subiu mais que todo mundo para cabecear no ângulo (só mesmo assim para evitar que Renan Rocha, que estava fechando o gol, chegasse na bola). Com o empate vascaíno, foi a vez do Furacão reagir e dar tudo de si para tentar a classificação. O gol da virada quase veio aos 41 do segundo tempo, numa linda jogada de Paulo Baier, que não desistiu de um lance aparentemente morto e enterrado e foi buscar a bola na linha de fundo, conseguindo executar um lançamento perfeito para a risca da pequena área. Se Nieto tivesse acreditado que Paulo Baier conseguiria chegar naquela bola, teria sobrado sozinho para empurrar a bola para as redes vascaínas. Como não acreditou, chegou atrasado e não conseguiu a cabeçada, desperdiçando a chance da classificação. Placar final: Vasco 1 x 1 Atlético-PR. A equipe de São Januário segue para encarar o Avaí nas semifinais.

A carroça desembestada

Se tivesse sido 6x0 para o Ceará, como foi Coritiba X Palmeiras, teria sido menos doloroso e sofrido (para mim). Porque aí é um daqueles casos em que o seu time simplesmente não entrou em campo e não há o que fazer, nem o que reclamar. Mas com 2x0 para o Flamengo aos 30 minutos do primeiro tempo, o jogo parecia decidido para o time rubro-negro. Dava até pinta de que seria goleada. Não foi bem assim.

O jogo começou com o Flamengo pressionando demais e indo em busca dos dois gols que precisava. Com o Ceará muito recuado e a defesa rubro-negra bem postada (o esquema com três zagueiros e Ronaldo Angelim funcionando como lateral-esquerdo estava dando certo), só dava Flamengo. Era uma chance atrás da outra, com boas recuperações de bola por parte do time da Gávea, que ditava um ritmo acelerado ao jogo. Com R10 e Thiago Neves em noite inspirada, o primeiro gol veio logo aos 19 do primeiro tempo, numa bola metida à perfeição por R10 para a finalização de Thiago Neves. Sabendo que o 1x0 não era suficiente, o time continuou indo para cima, marcando o segundo logo em seguida, aos 28 do primeiro tempo, de novo com Thiago Neves. E quando parecia que o Flamengo iria aplicar uma goleada histórica no Ceará, o time deu uma bobeada na defesa e precisou fazer uma falta perto da grande área para parar o contra-ataque do time cearense. Era tudo o que o Ceará queria, e precisava. Em sua primeira chance real de gol, o Vozão diminuiu com Washington aos 35. Até aí era pênaltis, com uma retrospectiva positiva para o Flamengo (o time não perde uma disputa de pênaltis desde 2004). Mas o gol do Ceará afetou o time rubro-negro, que se descontrolou por alguns minutos, oferecendo bons contra-ataques ao time cearense. E com a sorte do Ceará, alguns minutos era o suficiente para chegar ao gol de empate, com uma ajudassa de Sandro Meira Ricci, o árbitro da partida, que conseguiu expulsar Ronaldo Angelim numa disputa de ombro com ombro (mais sobre isso no final do post, agora não me prolongo). Falta bem cobrada e bem defendida por Felipe. Do escanteio, saiu o gol, que pegou o Flamengo num momento de descontrole emocional após a expulsão. Washington de novo, aos 41, para deixar tudo igual no placar. Depois do empate, o time rubro-negro colocou a cabeça no lugar. Mesmo com um a menos, foi para cima, buscando o resultado. O desempate quase veio num lance ainda no primeiro tempo, em que Léo Moura (que brilhou de novo, comprovando que faz muita falta ao time quando não joga) mandou a bola na trave e Wanderley, aproveitando o rebote, conseguiu a façanha de cabecear de novo na trave com o gol aberto.

No segundo tempo, mesmo com um jogador a menos, o Flamengo voltou agressivo e mandando no jogo, sabendo que precisava correr atrás do resultado. As jogadas saíam mais pelo lado de Léo Moura, já que, com a expulsão de Ronaldo Angelim, foi necessário colocar Egídio em campo, que, para ser muito bondosa, pouco fez. Com o time todo no ataque e o Vozão muito recuado, este começou a explorar mais os contra-ataques, sem, no entanto, conseguir conclusões mais contundentes. A defesa flamenguista se desdobrava no sentido de cobrir a ausência de Angelim. Mas, mesmo sendo pouco conclusivo, a noite era mesmo do Ceará. E ninguém tasca. O Flamego pressionava e teve boas chances. Perdidas. Wanderley e Thiago Neves perderm cara a cara com Fernando Henrique. A partir dos 30 minutos do segundo tempo, o time da Gávea morreu, cansado de ter que correr por mais um. A saída de Léo Moura também fez diminuir o volume de jogadas ofensivas. Prova de que este é um jogador muito decisivo para o desempenho do time. A partir daí, o ritmo de jogo diminuiu sensivelmente. Com o Flamengo morto e o Ceará contente com o empate, fim de papo. Na melhor exibição do Flamengo no ano, o time foi eliminado da Copa do Brasil. Justo ou injusto, fato é que o Ceará deu muita sorte também. Em seis chances de real perigo nos dois jogos, marcou quatro gols. O Flamengo, com 548 chances, marcou três. Placar final: Ceará 2 x 2 Flamengo. O Ceará segue para enfrentar o Coritiba nas semifinais.

Agora um pouquinho sobre arbitragem, tema sobre o qual eu ODEIO falar. Nesse caso, porém, é necessário. APOSENTA O APITO DO SANDRO MEIRA RICCI, GENTE. Agora quem não é flamenguista está rindo à toa, mas imagina se esse cara vai apitar um jogo do seu time... A arbitragem dele é sempre tumultuada, controversa, cheia de lances duvidosos e confusões. Não dá. Não dá pra ele distribuir cartões amarelos para a defesa do Flamengo, pendurando todo mundo, e mostrar apenas dois para o Ceará, que também bateu muito. Não dá para o cara chutar a canela do Wanderley e não ser nem falta. Não dá pra não marcar uma falta clara em cima do Thiago Neves e permitir um contra-ataque do Ceará que fez com que Ronaldo Angelim precisasse fazer a falta de cartão amarelo (este justo, mas originado de uma jogada injusta). Não dá para o cara ver um lance normal na disputa de bola do Ronaldo Angelim, de ombro com ombro, e aí porque o bandeirinha deu falta ele resolver mostrar o segundo cartão amarelo. Não dá para o cara expulsar o Vanderlei no intervalo porque ele tentou tirar seus jogadores de campo para evitar confusão e afastou um policial covarde que bateu com o escudo em Ronaldinho Gaúcho pelas costas porque este argumentava com o juiz. Ô, Sandro, pede a aposentadoria, sinceramente... E assiste os jogos pela televisão, ok? Porque dentro de campo não dá. Não é à toa que ele já tinha tomado um gancho monumental no Brasileirão do ano passado depois da arbitragem de Cruzeiro X Corinthians, após a marcação de um pênalti controverso contra a Raposa (os dois times tinham chances reais de vencer o campeonato).

Em outros resultados da rodada, o Santos foi à Colômbia para conquistar o placar contra o Once Caldas na casa do adversário pela Libertadores (placar final: Once Caldas 0 x 1 Santos). O Palmeiras, que já entrou em campo derrotado, vamos combinar, fez pelo menos um papel honroso e conseguiu conquistar o seu objetivo: tirar a invencibilidade do Coritiba (placar final: Palmeiras 2 x 0 Coritiba).

quinta-feira, 5 de maio de 2011

E o bonde, parou?

Outro jogo duro de assitir (para mim) foi Flamengo X Ceará. Difícil porque, como boa rubro-negra, por mim o Flamengo continuava invicto para todo sempre. Mas, tudo bem, alguma hora alguém ia ter que acionar o freio do bonde. Vamos aos fatos, o mais imparcialmente possível.

O Flamengo dominou o jogo e a derrota foi um placar injusto. Mas e daí? Posse de bola e chance de gol não decidem jogo algum. O time entrou morno em campo para o primeiro tempo, com atuações apagadas de Ronaldinho Gaúcho e Deivid (como sempre). Thiago Neves também não estava inspirado. O Ceará ficou todo atrás, numa retranca sem fim, disposto a aproveitar os contra-ataques. O empate em 0x0, afinal, já era um bom negócio. Numa das poucas chances que teve, Marcelo Nicácio acertou a trave numa cobrança de falta perto da grande área. O Flamengo continuou tipo enceradeira, rolava a bolava para um lado, rolava a bola para o outro, mantinha a posse de bola, mas nada de levar perigo ao gol do Ceará. Chances claras foram poucas, defesas importantes do Fernando Henrique, apenas uma. E quando parecia que era arrumar a casa no intervalo para sair com a vitória, Willians me arrumou uma falta boba perto da risca da grande área aos 43 do primeiro tempo. Ok, só não reclamo mais porque Willians é constantemente um dos melhores do Flamengo em campo (como o foi hoje, aliás). Dessa vez, Marcelo Nicácio não perdoou. Felipe ainda por cima foi para o mesmo canto em que a outra falta havia sido cobrada antes da bola ultrapassar a barreira. BRINKS, Felipe, a bola entrou do outro lado.

No segundo tempo, o Flamengo voltou diferente. Imagino o esporro que o Vanderlei deve ter dado no vestiário. Só que alguém precisa dar um nele também, por insistir com Deivid. É impressionante como ele é apático, sem vontade, sempre se escondendo atrás dos zagueiros, não sabe se postar, se antecipar pra fazer o gol. E parece que sempre deixa o time todo mais apático e morno também. Mas no segundo tempo não, o time voltou com garra, vontade, disposto a empatar o jogo e até, quem sabe, virar. Foram vinte minutos de total pessão do Flamengo. Mas aí o Ceará roubou uma bola no ataque e encaixou um contra-ataque rápido em que todos os jogadores do Flamengo resolveram ir tirar uma soneca (principalmente Rodrigo Alvim, já nem comento mais nada sobre ele. Acho que até eu jogaria melhor, sério, é abaixo da crítica). Justiça seja feita que a bola bateu na mão de Geraldo e sobrou limpa pra ele fazer o gol (e não me interessa se ele teve ou não a intenção, o fato é que ele se aproveitou do lance, a partir do momento em que só conseguiu dominar a bola com tanta facilidade por causa da matada de mão), mas não dá para os jogadores da defesa pararem e não marcarem o cara, deixando ele livre, pra pedir o toque de mão. Não dá também pro Felipe pular 38 dias atrasado numa bola que veio devagarinho. E o Flamengo, que dominou o jogo inteiro, tomava o 2x0 de um time que ficou o tempo todo na retranca. Mesmo assim, o time não desistiu e manteve uma postura agressiva, disposto a correr atrás do resultado. Passou a criar chances mais contundentes e a obrigar Fernando Henrique a boas defesas, chegando a mandar uma bola no travessão. Finalmente, aos 30 minutos do segundo tempo, Vanderlei resolveu tirar Deivid (finalmente) para colocar Wanderley no lugar. O primeiro toque na bola de Wanderley foi para marcar o primeiro gol do Flamengo, se antecipando ao marcador, coisa que parecia impossível a Deivid. O Flamengo ainda teve outras chances claras de gol, incluindo uma cabeçada de Ronaldo Angelim que Fernando Henrique salvou por milagre. Mas quem desperdiçou o gol mais feito foi o Ceará. Após cruzamento, Geraldo perdeu cara a cara com o gol, sem marcação e com Felipe já batido. E fim de papo. Quatro chances para um Ceará retranqueiro e dois gols. Um milhão de chances para um Flamengo agressivo, 900% de posse de bola e um gol. Mas não adianta chorar, tem que ter qualidade e oportunismo pra botar a bola na rede, porque é isso que conta. Placar final: Flamengo 1 x 2 Ceará.

Agora, o que eu achei mais engraçado MESMO foi a mídia dar como mais certa a classificação do Ceará para as semifinais do que a do Coritiba. Gente, o Coritiba meteu seis! Tudo bem que o Ceará conseguiu a vitória fora de casa e que gol na casa do adversário é muito importante e que o Ceará fez dois aqui no Engenhão. Mas em que mundo 2x1 é um placar mais difícil de reverter do que 6x0??? O Once Caldas não fez 2x0 no Cruzeiro na casa do Cruzeiro? O Libertad não fez 3x0 no Fluminense lá no Paraguai? O Peñarol não virou o jogou pra cima do Inter no Beira Rio? A imprensa está fazendo com o Ceará o mesmo oba-oba que fez com Cruzeiro, Inter e Fluminense. Eu estou achando ótimo. Não é nada impossível que o Flamengo consiga fazer dois gols semana que vem, ainda mais se entrar com garra, jogar o jogo inteiro como jogou o segundo tempo hoje e o Ceará entrar relaxado. E se o Vanderlei se mancar e colocar o Wanderley desde o início do segundo tempo e não aos 30 (ele já mostrou que é jogador de segundo tempo com algumas atuações ruins quando começou jogando, tudo bem, mas então coloca o cara no intervalo!). E, de preferência, se escolher Diego Maurício para o primeiro, e não Deivid. Aguardemos semana que vem. E tomara que o bonde tenha parado só para o condutor fazer um lanchinho, e não enguiçado de vez.

Alguém para o Coritiba?

Mais um dia atípico no futebol brasileiro. Copa do Brasil é mesmo cheia de surpresas.

Comecemos por Coritiba X Palmeiras. Tudo bem, todos diziam que uma vitória do Coxa Branca era possível, até mesmo provável, mas todos também diziam que ia ser jogo duro. É, jogo duro pra torcida palmeirense assistir. Aliás, alguém viu o Palmeiras em campo? Porque eu procurei durante 90 minutos e não achei... Sinceramente, se colocassem 11 cones em campo vestidos com a camisa do Palmeiras, acho que o Coritiba ia ter mais dificuldade. Ok, 10 cones e o Marcos. Se não fossem as defesas do goleiro palmeirense, não ia me surpreender se o placar chegasse a uma dezena. Pode ver que tem lance e gol perdido por parte do Coxa pra isso. O Palmeiras foi um show de horrores em campo, um bando. Teve pouquíssimas chances, mesmo assim a maioria de bola parada, porque organização pra tramar uma jogada inteira estava difícil. Tirando alguns poucos sustos que o Coritiba levou, domínio total por parte deste. Do início ao fim. Agora cata os lances do segundo, quinto e sexto gols do Coritiba. Aliás, quer saber? Cata os lances de TODOS os gols. Ok, o primeiro é o menos pior, falha da defesa na cobertura, acontece. Cata o segundo: Marcos Assunção chuta, a bola bate no zagueiro, o Coxa fica com o rebote e aproveita o contra-ataque. A bola vai de pé em pé e ninguém do Palmeiras faz absolutamente NADA. Gol. Cata o terceiro: chute de fora da área, a bola desvia em Danilo e entra. Coitado do Marcos, sério. Cata o quarto: penalidade máxima. Seu time está perdendo de 3x0 e você me arruma um pênalti. Bacana. Entre o quarto e o quinto, ainda deu tempo de Rivaldo (do Palmeiras) ser expulso. Meu Deus do céu, pânico generalizado na pracinha. O quinto e o sexto são os que você mais precisa catar. E olha que o quinto saiu após algumas chances desperdiçadas por parte do Coxa, grandes defesas do Marcos, e aos 45 minutos do segundo tempo. Pois é, ainda daria tempo pro sexto. Bom, o quinto: Geraldo recebe a bola ali perto da grande área, cercado não por um, nem por dois, mas por três defensores palmeirenses. Aí Geraldo para, olha pro lado, vê se tem alguém pra passar a bola, pensa, vai caminhando lentamente em direção ao gol, toma um chá. Nada de alguém tentar tirar a bola dele. Aí Geraldo resolve fazer o gol. E faz. No meio de TRÊS que estavam há cinco minutos só cercando o cara. A quantidade três te parece absurda? E que tal Anderson Aquino que, aos 47 do segundo tempo, passou por CINCO pra marcar o sexto? Pode contar. Aproveita e cata a cara do Felipão também depois de tudo isso. É melhor ele abrir o olho, porque daqui a pouco vão começar a perguntar quem é ele na noite. Placar final: Coritiba 6 x 0 Palmeiras.

O melhor de tudo é a imprensa, que cantou vitória dos times brasileiros na Libertadores com placares nos jogos de ida muito menos expressivos, ficar com medo de cravar o Coxa na semifinal da Copa do Brasil e se utilizar de expressões como "a probabilidade é grande", "tudo indica", "é um placar difícil de reverter". Pois eu estou cravando. É um placar impossível de reverter. O Coritiba está na semifinal da Copa do Brasil.

Show de horrores na Copa do Brasil

A noite de quarta na Copa do Brasil foi um pânico na pracinha. Mas ninguém pode dizer que não foi divertida. Assistir Atlético Paranaense X Vasco e São Paulo X Avaí foi tipo assistir uma daquelas peladas nos campinhos do Aterro do Flamengo (ok, estou subestimando as peladas do Aterro do Flamengo, acho que foi pior): não se vê muita qualidade, mas ri-se bastante.

Comecemos pelo gol contra RIDÍCULO do Avaí. Atenção ao lance: o cara se antecipa à marcação, pula mais alto que todo mundo e cabeceia que nem centroavante, tirando a bola do goleiro. Pode procurar. Gol do Avaí? Não, gol do São Paulo. Com uma ajudinha (uma ajudassa) do Avaí. O Revson (autor dessa pintura) conseguiu fazer o que todos do São Paulo tentaram, tentaram, mas não conseguiram de jeito nenhum. Quando mostraram o replay, minha mãe achou que aquele era o gol de empate do Avaí. Sinceramente, acho que o Revson está sendo muito mal aproveitado. A cabeçada foi de artilheiro! Silas, TEM QUE VER ISSO AÍ. De resto, um jogo muito truncado, com o Avaí muito recuado, obviamente jogando pelo empate pra ir com tudo depois na Ressacada. E um São Paulo tipo enceradeira: muito mais tempo de posse de bola, um milhão de chances de gol, mas bola na rede que é bom nada. Só mesmo o talento de Revson pra acabar com esse 0x0. Placar final: São Paulo 1 x 0 Avaí.

Vasco e Atlético Paranaense... Ou melhor: Atlético Paranaense e Vasco. Que show de horrores! Um milhão de passes errados, bola rifada pra cá, bola rifada pra lá, erros grotescos. Mas, justamente pela falta generalizada de qualidade técnica, um jogasso. Jogo aberto, jogo franco, jogo divertidíssimo, quase uma piada (quase). E quando parecia que Diego Souza finalmente ia brilhar, não foi bem assim. Um bom primeiro tempo, alguns lances muito conscientes. E parou por aí. Ok, fez o segundo gol, é verdade, mas não perdoo mesmo assim. E Bernardo no banco, né, Ricardo Gomes? Tá bom então. Felipe foi bem neutralizado pela marcação especial do Furacão, mas, mesmo assim, conseguiu algumas boas jogadas. Pelo Atlético, o nome, como sempre, foi Paulo Baier. É aquele tipo de jogador que ninguém presta atenção, ninguém faz marcação especial, mas que decide jogo. E como decide. É passe pra gol, cobrança de falta que assusta, cobrança de pênalti que entra. Agora cata os lances do primeiro gol do Atlético-PR e do segundo do Vasco. Pode catar, você não vai se arrepender. O primeiro gol do Atlético-PR surgiu num lance bizonho com milhares de rebatidas em que a defesa do Vasco fez de tudo menos dar o bom e velho chutão e afastar o perigo. Um milhão de defensores na área servem pra que, mesmo? Ah, pro Atlético fazer gol. Beleza. E o segundo do Vasco? O zagueiro do Atlético passa da bola cruzada, fica de costas e tenta tirar com o calcanhar, ajeitando a bola à perfeição para o chute de Diego Souza. Mas, ok, não vou reclamar dos apagões da defesa, a graça foi toda essa. Placar final: Atlético-PR 2 x 2 Vasco.