Agora quem dá bola é o Santos, bicampeão paulista em cima do Corinthians no domingo, com direito a belíssimas atuações de Neymar e Arouca. E olha, vou te dizer, estou para ver um técnico mais pé quente do que o Muricy. É um grande técnico e, ainda por cima, traz muita sorte para os times que dirige. Tudo bem, pega sempre grandes elencos, mas é ele que arruma a casa e transforma um grande elenco num time vencedor (arrumou a defesa do Santos, por exemplo, que antes era um pânico no lago, vamos combinar). Não é à toa que foi campeão paulista com o São Caetano, três vezes campeão brasileiro com o São Paulo, uma com o Fluminense e agora campeão paulista pelo Santos.
Vamos ao jogo, que começou muito movimentado e aberto, com os dois times aparentemente assustados e errando muito. Por isso mesmo, ambos tiveram boas chances de gol. Pouco a pouco, o Santos se acalmou e passou a dominar a partida, adiantando a marcação e forçando o erro do Corinthians, jogando em cima disso. O Timão, aliás, não parecia precisar de ajuda para errar. Muito nervoso, o time teve inúmeros passes errados e os meio-campistas não se acertavam, batendo cabeça e travando o jogo do Corinthians, que era obrigado a tentar lançamentos muito longos para o ataque, rifando a bola no famoso chutão e acabando por devolvê-la de graça para o Santos. Não é à toa que o primeiro gol não demorou a sair. Aos 16 minutos, Léo fez bom lançamento para a área, que ainda desviou no zagueiro do Timão (única participação da defesa com o intuito de tentar evitar o gol no lance inteiro) e sobrou nos pés de Zé Eduardo, que cruzou para o meio e achou Arouca livre. E Arouca, que nunca havia marcado pelo alvinegro, marcou logo na decisão. Agora cata o número de jogadores corinthianos que poderiam ter evitado o gol. Sete perto do lance, quatro só dentro da área e pra quê? Pra aplaudir e parabenizar o Arouca, só pode. O Santos manteve seu domínio total no restante do primeiro tempo e só não ampliou o placar para liquidar o jogo porque também errou muitos passes e pecou nas finalizações. Arouca mandou uma na trave aos 34, Alan Patrick perdeu uma chance clara aos 39 após belo lançamento de Neymar e o próprio Neymar desperdiçou um dos gols mais feitos que eu já vi após lançamento perfeito de Zé Eduardo (a defesa corinthiana ainda parou pedindo impedimento, que não existiu). Acho que Neymar não quis fazer porque estava fácil demais, não ia ser golasso e tal.
No segundo tempo, o Santos voltou mais cauteloso, recuando para administrar a vantagem. O Corinthians melhorou com a entrada de Willian no lugar de Dentinho que, convenhamos, há muito tempo não está jogando nada. O Timão dominou o segundo tempo, mas criou muito pouco, não obrigando o goleiro Rafael a nenhuma grande defesa. Aliás, não obrigou o goleiro Rafael a quase defesa nenhuma. Agitado, mas com poucas chances reais de gol, o nível do jogo caiu no segundo tempo. O time do Corinthians parecia estar muito desentrosado, como se os jogadores estivessem acabando de se conhecer, e a ligação entre meio-campo e ataque era nula. A partida voltou a melhorar com a entrada de Morais no lugar de Bruno César, que também esteve muito apagado em campo. A partir daí, o Corinthians organizou seu meio de campo e ganhou maior volume na partida. Apesar do espaço para contra-ataque que cedia ao Peixe em sua defesa, o time santista parecia cansado demais para aproveitá-lo. É, só parecia. E para provar que domínio de jogo sem gol não adianta nada, aos 38, Neymar, que faz a diferença, penetrou na área corinthiana pela esquerda e, no meio de quatro defensores, chutou para o gol. A bola veio rasteira e sem força, mas Julio Cesar decidiu que estava na hora de retribuir o favor que Neymar lhe havia feito ao chutar aquela bola no primeiro tempo em cima dele. Não teve nem dúvida. Deixou a bola, que estava em suas mãos, escapar, para o delírio do torcedor santista na Vila Belmiro. Mas que frango, hein? Quando o jogo parecia morto e a torcida já gritava "É campeão!", Rafael decidiu tornar as coisas mais dramáticas, porque não quis ficar devendo em número de frangos. Aos 41, Morais chutou de fora da área, talvez tentando cruzar (fica a dúvida), e Edu Dracena, que tinha condições de tirar a bola de cabeça se pulasse, ficou com preguiça e decidiu que era hora do amigo Rafael brilhar (reparem que Edu Dracena foi eleito hoje melhor zagueiro da competição. AHAM, CLÁUDIA, SENTA LÁ). Só que Rafael, que esperava que Edu Dracena fosse tirar a bola, pulou 38 dias atrasado. Show de horrores da defesa santista e desconto do Timão. O final do jogo foi mesmo eletrizante, mas aí já era tarde demais para reverter o placar ou mesmo empatar e levar a decisão para os pênaltis. Placar final: Santos 2 x 1 Corinthians.
Em outros resultados da rodada, o Cruzeiro sagrou-se campeão mineiro em cima do Galo (placar final: Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG); o Inter ficou com o título do Gauchão nos pênaltis, isso porque Renan me fez o favor de tomar mais um frango histórico no finalzinho, largando a bola que já havia defendido no alto nos pés de Borges (placar final: Grêmio 2 (4) x (5) 3 Internacional); a Chapecoense conquistou o título catarinense em cima do Criciúma (placar final: Chapecoense 1 x 0 Criciúma); o Santa Cruz perdeu para o Sport, mas mesmo assim garantiu o título pernambucano (placar final: Sport 1 x 0 Santa Cruz; no jogo de ida: Santa Cruz 2 x 0 Sport); o Atlético-GO conquistou o bicampeonato goiano mesmo empatando por 1x1 nos dois jogos contra o Goiás (o critério de desempate é a melhor campanha da primeira fase); e a zebra ficou por conta do título do Bahia de Feira, que virou o placar para cima do Vitória (placar final: Vitória 1 x 2 Bahia de Feira).
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