segunda-feira, 9 de maio de 2011

E o vento levou o Ganso

E nós perdemos o Ganso de novo... Quando ele se machucou ano passado, eu lembro de falar que a camisa 10 da Seleção deveria ser temporariamente aposentada, porque não havia nenhum outro camisa 10 brasileiro jogando o que ele estava jogando (uma barbaridade) naquele momento. Como de fato. Nesses últimos amistosos da Seleção, tem sido um camisa 10 decepcionante atrás do outro e, por conseguinte, uma série de jogos frustrantes, em que o time fica perde a capacidade de criação no meio-campo. E Ganso é muito mais do que uma capacidade considerável de criação. Ele é um craque, e só não digo o maior surgido nos últimos tempos porque há também Neymar e Lucas. O departamento médico do Santos está prevendo seis semanas fora de combate (com a possibilidade de reduzir para quatro). E aí eu estou prevendo uma Copa América sem Ganso no Brasil. PODE APOSENTAR A CAMISA 10, MANO MENEZES.

E aí? De quem é a culpa? Da própria compleição física do Ganso? Da diretoria do Santos? Do Muricy? Do calendário de competições? Da macumba do Ronaldinho Gaúcho, de olho na camisa 10 da Seleção? Vamos por partes. Que o Ganso tem uma compleição mais frágil do que a da maioria dos jogadores é fato, e inegável. O cara tem 21 anos e já passou por duas operações de grande porte, vamos combinar. Mas ninguém se machuca do nada também. Vejamos o calendário: o Santos está jogando incessantemente às terças, quartas ou quintas (pela Libertadores) e aos sábados ou domingos (pelo Paulistão). É uma rotina pra lá de sacrificante, ainda mais se considerarmos a última semana. No último sábado de abril (30/4), o Santos fez um jogo decisivo contra o São Paulo pelas semifinais do Paulistão. Logo depois, após dar tudo de si e conseguir a classificação, pegou um voo super agradável de 16 horas com destino ao meio do nada no México. Chegando lá onde Judas perdeu as meias, jogou mais 90 minutos de decisão, pelas oitavas de final da Libertadores. Apesar de visivelmente exausto, o Santos conseguiu a classificação para as quartas contra o América do México, segurando o empate por 0x0 (não sem pagar um preço, tendo perdido Arouca durante o jogo). Ufa, finalmente um descanso. NOT! É brinks, galera, porque logo em seguida o Santos teve que encarar o voo de 16 horas da volta (até eu já estou cansada). Aí ontem mais uma vez teve que dar tudo de si pelo primeiro jogo da final do Paulistão, contra o Corinthians (outro 0x0). E aí Ganso se machucou. Realmente, fica um pouco difícil.

O que nos leva ao próximo fator. Tudo bem que o calendário é um absurdo e tal (parece que eles pegam uma grande roda da fortuna e vão puxando as datas ao acaso, por loteria), mas também ninguém tem cara de reclamar com a CBF, porque ninguém quer se indispôr com Ricardo Teixeira e cia., essa quadrilha do futebol brasileiro. Nisso, a diretoria do Santos falha, como falha em muitos outros aspectos (em muitos sentidos, considero a administração santista um desastre). Mas por que não poupar alguns jogadores? É preciso definir um campeonato para priorizar. Afinal, quem tudo quer, nada tem. Levando-se em consideração que o Santos foi o campeão paulista em três dos últimos cinco anos e que não ganha uma Libertadores desde 1963, o torneio a ser priorizado é a Libertadores, logicamente. Não estou dizendo que era para ter entrado com todo o time reserva contra o São Paulo e contra o Corinthians, mas alguns jogadores poderiam ter sido poupados (como o próprio Ganso, voltando de uma lesão que o deixou sete meses afastado do futebol, afinal). Aí eu já ouvi tanto que o culpado disso é o Muricy, que quer jogar sempre com o time titular, quanto que é a diretoria, que pressiona Muricy a escalar o time titular. Para mim, o erro é de ambos. De Muricy por escalar e da diretoria por pressioná-lo e depois querer tirar o corpo fora.

O fato permanece que ontem perdemos mais uma vez um dos maiores jogadores brasileiros da atualidade e, sem dúvida, o maior camisa 10 atual. Tomara que o Ganso consiga se recuperar a tempo de jogar a Copa América pelo Brasil e que não seja um daqueles jogadores cuja fantástica e promissora carreira é interrompida por sucessivas lesões. Ele merece ter um futuro brilhante. A Seleção merece. Todos nós, torcedores e apreciadores do bom futebol, merecemos. Caso contrário, vou ter que admitir que o fator decisivo foi mesmo a macumba de Ronaldinho Gaúcho, que deve ter sido da braba.

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