segunda-feira, 9 de maio de 2011

0x0 é praga de mãe?

Vi muita gente dizendo que, apesar do placar de 0x0, o jogo Corinthians X Santos foi um bom jogo, até um jogasso, cheio de emoções. Gente, me desculpa, mas jogo 0x0 não pode ser um jogasso. Ou pelo menos eu nunca vi, em 21 anos de existência e pelo menos uns 15 de memória futebolística. Só por não ter a emoção maior, a do gol, a da torcida levantando e pulando toda ao mesmo tempo para comemorar, a da rede balançando, já não pode ser um jogasso. Fica sempre aquela sensação de que não aconteceu absolutamente nada em campo. E normalmente é mesmo um jogo-sonífero, daqueles que depois você se pergunta porque desperdiçou duas horas da sua vida assistindo, seja por ser caracterizado por uma marcação muito forte, ficando mais concentrado no meio-campo sem muita ação nas áreas, seja por trazer uma série de erros grotescos e um caminhão de gols feitos desperdiçados.

O Corinthians X Santos foi uma mistura pouco usual (e, pelo menos no primeiro tempo, mais chata ainda) dos dois fatores. No primeiro tempo (daqueles de apagar imediatamente da memória), o Santos veio muito retrancado (time à la Muricy), talvez contente em segurar o empate, sabendo que o segundo jogo será na Vila Belmiro. Só dá pra extrair de positivo uns dois minutos de surto em que o Santos resolveu vir para cima, criando boas oportunidades e, ao mesmo tempo, oferecendo o contra-ataque ao Corinthians, que também teve alguns bons lances (ao chute na trave de Neymar, por exemplo, seguiu-se a chance desperdiçada por Bruno César, chutando para fora com Rafael já batido, num contra-ataque que teve origem após a melhor chance santista do primeiro tempo). Isso para a sorte do pessoal responsável por selecionar os melhores momentos, senão só poderiam colocar o apito final do juiz, que acabou com a tortura. Ainda no intervalo, o Santos perdeu Ganso definitivamente, lesionado (vou dedicar um post exclusivo a isso, por isso não faço maiores comentários aqui).

No segundo tempo, o Santos resolveu fazer algo de diferente, e não foi ficar na sua casa na Europa, Espanha (pode catar Luísa Marilac no Youtube se você não sacou a interna, vale a pena): mesmo tendo perdido Ganso, sem condições de voltar para os 45 minutos restantes, veio para cima desde o início, como num último ato de desespero, digamos assim. Era aquele derradeiro esforço para fazer o gol, sair na frente e administrar o resultado, num jogo em que o Corinthians estava melhor. Apesar das chances (Neymar mandou mais uma na trave e Chicão salvou o que seria o gol por cobertura de Danilo), não conseguiu marcar. E morreu em campo, fato que já vinha se anunciando devido à sequência de jogos do Santos. A partir dos 20 minutos do segundo tempo, o domínio total foi do Corinthians, que, apesar das muitas chances (Liedson perdeu uma na linha da pequena área e também mandou a sua na trave), também não foi conclusivo. Mil chances perdidas depois, fim de papo e decisão adiada para a Vila Belmiro. Placar final: Corinthians 0 x 0 Santos.

O placar só deve mesmo ter agradado às mães paulistas e cariocas, que puderam contar com a atenção e dedicação exclusiva de seus filhos em seu dia especial, pouco interessados em assistir a uma partida digna de esquecimento. Em outros placares da rodada, o Vozão foi campeão cearense por antecipação (o que já está contribuindo para o oba-oba em torno do Ceará para a partida contra o Flamengo na quarta-feira pela Copa do Brasil. Bom para o Flamengo. E para mim.) em cima do Guarani de Juazeiro (placar final: Ceará 5 x 0 Guarani de Juazeiro); o Grêmio ganhou do Inter pelo jogo de ida da decisão do Gaúchão, com direito a dois frangassos de Renan, que mais pareciam replays um do outro, pode catar os lances (placar final: Inter 2 x 3 Grêmio); e o Galo desbancou o tão poderoso Cruzeiro, "melhor time do Brasil", no jogo de ida da final do Campeonato Mineiro (placar final: Atlético-MG 2 X 1 Cruzeiro).

Nenhum comentário:

Postar um comentário