quarta-feira, 25 de maio de 2011

Só o Neymar joga?

Olha que Libertadores é coisa séria... Alguns jogadores do Santos pareceram entrar em campo hoje sem se dar conta deste fato, caso de Pará e Zé Eduardo. O Peixe conseguiu apenas um placar apertado, que não garante nada para o jogo da volta no Paraguai, apesar de ter tido muitas chances para fazer um resultado mais elástico e ir para a casa do Cerro já com a parada (quase) garantida.

O time do Cerro Porteño entrou em campo obviamente determinado a arrancar o empate por 0x0. Muito recuada, a equipe dava poucos espaços para o Santos, que parecia nervoso com a atitude do adversário, sem saber bem como reagir. Errando muitos passes, o time de Muricy Ramalho permitia que o Cerro cadenciasse o jogo, mantendo a posse de bola. É verdade que essa posse de bola não era convertida em lances de perigo, mas gastar o tempo era tudo o que a equipe paraguaia queria. As chances mais claras vieram, como sempre, na bola parada (naquela jogadinha clássica do chuveirinho na área que todo mundo conhece, mas ninguém parece saber marcar). Desequilibrado e tenso, o Peixe inventava lances desnecessários, com chutões e tentativas de lançamento de 30 metros que só serviam para o Cerro retomar a bola. Nas poucas vezes em que o Santos manteve a bola no chão e soube passá-la bem de pé em pé, esteve perto de marcar, incluindo uma chance claríssima em que Léo perdeu após passe precioso de Neymar. De bola parada, também teve bons momentos com Elano. Como sempre vem acontecendo nos últimos jogos, Zé Eduardo só atrapalhou. Após belíssimo lançamento de Durval, Danilo chegava livre e de frente para bater com o gol aberto (o goleirinho do Cerro, vamos combinar que era um pânico na pracinha no quesito posicionamento), mas Zé Eduardo fez questão de meter o pé na bola todo torto e isolá-la pela linha de fundo. Olha, o cara pode até ser bom jogador, mas está atravessando uma péssima fase e não marca a 14 jogos. Tira de campo, deixa um tempo no banco! E não me interessa se ele é importante para o esquema tático, centroavante tem que fazer gol, oras! Senão é zagueiro, goleiro... Aliás, para que o primeiro e único gol do Peixe viesse, foram necessários um zagueiro e o talento incontestável de Neymar. Um dos poucos jogadores santistas com a cabeça no lugar (mesmo apanhando muito), Neymar fez bom jogo de corpo na entrada na área e deu boa arrancada, levando QUATRO num único lance e chegando à linha de fundo em condições de acertar um belo cruzamento. Edu Dracena subiu mais que todo mundo para cabecear e acertou a trave, mas a bola já quicou completamente dentro do gol. Aos 43 do primeiro tempo, o Peixe abria o placar. O Cerro teve sua melhor chance e quase chegou ao empate logo na saída da bola. Em mais uma das típicas jogadas falta-chuveirinho, o atacante paraguaio conseguiu cabecear sozinho, parando em belíssima defesa com os pés de Rafael.

No segundo tempo, o Santos voltou mais relaxado, com a cabeça no lugar. Soube recuar de maneira inteligente, obrigando a equipe paraguaia a sair para o jogo para buscar o resultado e oferecer mais espaços. Por incrível que pareça, o Cerro foi menos conclusivo do que na primeira etapa, quando dependeu apenas de bolas paradas por estar muito recuado, mas conseguiu criar algumas boas oportunidades. Errando conclusões e passes definitivos, o Cerro deu chances ao Santos de explorar seu erro, sair em contra-ataque. Mas, apesar de mais tranquilo, o time da Vila Belmiro também não correspondia, perdendo chances inacreditáveis. Um bom exemplo é o cruzamento rasteiro à perfeição de Elano, que Zé Eduardo conseguiu desperdiçar com o gol aberto... Ok, não falo mais nada. Neymar parecia jogar sozinho e tentava resolver a parada por si, sem êxito. Acertava belos passes para conclusões equivocadas dos companheiros, acertava belos chutes para defesas do goleiro Barreto. Além dos vacilos técnicos, o time do Santos também cansou no segundo tempo. Muricy demorou muito a mexer e, quando o fez, já era tarde demais. Maikon Leite entrou apenas aos 35 e Alan Patrick, aos 40. Com os dois em campo (no lugar de Zé Eduardo e Elano, respectivamente), o Santos ainda conseguiu criar algumas boas oportunidades. Talvez se tivessem entrado mais cedo, ainda mais no lugar do apagadíssimo Zé Eduardo, poderiam ampliar o placar. Digo talvez porque Alan Patrick conseguiu perder o gol mais feito de todos, no último lance do jogo (último mesmo). Após cruzamento de Neymar (sempre ele...), a bola resvalou nos zagueiros paraguaios, matando o goleiro Barreto, e sobrou limpa para Alan Patrick, que, com tempo para parar e pensar e o gol aberto, conseguiu chutar fraquinho em cima do goleiro. E fim de papo. Placar final: Santos 1 x 0 Cerro Porteño.

O gol desperdiçado por Alan Patrick ainda serviu para animar os paraguaios, que saíram de campo comemorando a vitória simples do Santos e a defesa do goleiro no último lance. Parece mesmo um placar fácil de reverter. Tomara que o Santos prove o contrário e saia comemorando a classificação na casa do adversário, como eles vibraram aqui.

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