Quem assistiu Vasco X Atlético-PR na quinta-feira não pode ter dúvidas de que a classificação vascaína para as semifinais da Copa do Brasil é mais do que justa. Não pode ter dúvidas também de que, mesmo inferior à equipe de São Januário, o Furacão fez uma boa partida e ameaçou a classificação vascaína, chegando a sair na frente no placar. Elton, no entanto, acabou com a alegria atleticana logo em seguida, transformando o perigoso Furacão numa ventania inofensiva.
O jogo começou muito disputado e corrido. Por seu ritmo acelerado e sua característica de abertura, houve vários lances de perigo logo no início do primeiro tempo, enquanto os times ainda se estudavam, chutes de média distância tanto pelo lado do Vasco quanto pelo Atlético. Como esse ritmo alucinado não podia se manter, até porque senão nenhum jogador ia voltar pro segundo tempo, por volta dos 10 minutos do primeiro tempo a partida esfriou e o Vasco cadenciou o jogo com uma maior posse de bola, passando a dominar. O Atlético recuou um pouco e passou a depender do contra-ataque, sempre desperdiçado por Guerron, que, sinceramente, é um pânico no lago (pânico na pracinha eu reservo para jogadores do naipe de Rodrigo Alvim). As melhores chances do Furacão vieram, obviamente, dos pés de Paulo Baier, sempre um perigo na bola parada e o melhor jogador disparado do Atlético, responsável por suas melhores jogadas e lances mais perigosos. Apesar do domínio vascaíno, as chances mais claras do time de São Januário também foram de bola parada, saindo dos pés de Bernardo, que começou jogando (incluindo uma que carimbou o travessão de Renan Rocha, outro grande destaque do Atlético).
O segundo tempo começou morno demais, em parte pelo cansaço provocado pela correria do primeiro, ainda com domínio vascaíno. Quando estava começando a ficar sonífero, ambos os técnicos resolveram mexer, fazendo alterações decisivas para a partida - tanto para que o ritmo de jogo voltasse a ser agradável, visto que os jogadores descansados deram novo fôlego a seus times, quanto para o resultado da partida em si. Pelo Furacão, entraram Madson e Nieto (nos lugares de Branquinho e Guerron, respectivamente). Pelo Vasco, os nomes foram Fagner e Elton, substituindo Allan e Diego Souza, que, mais uma vez, nada fez. Para provar que as substituições deram certo, vamos aos gols. Aos 28 do segundo tempo, quando tudo já começava a parecer decidido para o Vasco com o empate em 0x0 (no primeiro jogo, na Arena da Baixada, a equipe cruzmaltina empatara por 2x2, o que garantiria seu avanço na Copa do Brasil pelo critério de gols marcados na casa do adversário), Madson tocou para a entrada da área vascaína, Paulo Baier fez uma espécie de corta-luz não intencional, digamos assim, e Nieto, recém-saído do banco, completou para a rede. A partir daí, o jogo pegou fogo. O Vasco, mesmo atrás no placar e com a classificação ameaçada, não desistiu e não se abalou, pressionando demais a partir do recuo atleticano. Deu certo. Aos 35 do segundo tempo, Fagner lançou uma bola na cabeça de Elton, que subiu mais que todo mundo para cabecear no ângulo (só mesmo assim para evitar que Renan Rocha, que estava fechando o gol, chegasse na bola). Com o empate vascaíno, foi a vez do Furacão reagir e dar tudo de si para tentar a classificação. O gol da virada quase veio aos 41 do segundo tempo, numa linda jogada de Paulo Baier, que não desistiu de um lance aparentemente morto e enterrado e foi buscar a bola na linha de fundo, conseguindo executar um lançamento perfeito para a risca da pequena área. Se Nieto tivesse acreditado que Paulo Baier conseguiria chegar naquela bola, teria sobrado sozinho para empurrar a bola para as redes vascaínas. Como não acreditou, chegou atrasado e não conseguiu a cabeçada, desperdiçando a chance da classificação. Placar final: Vasco 1 x 1 Atlético-PR. A equipe de São Januário segue para encarar o Avaí nas semifinais.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
A carroça desembestada
Se tivesse sido 6x0 para o Ceará, como foi Coritiba X Palmeiras, teria sido menos doloroso e sofrido (para mim). Porque aí é um daqueles casos em que o seu time simplesmente não entrou em campo e não há o que fazer, nem o que reclamar. Mas com 2x0 para o Flamengo aos 30 minutos do primeiro tempo, o jogo parecia decidido para o time rubro-negro. Dava até pinta de que seria goleada. Não foi bem assim.
O jogo começou com o Flamengo pressionando demais e indo em busca dos dois gols que precisava. Com o Ceará muito recuado e a defesa rubro-negra bem postada (o esquema com três zagueiros e Ronaldo Angelim funcionando como lateral-esquerdo estava dando certo), só dava Flamengo. Era uma chance atrás da outra, com boas recuperações de bola por parte do time da Gávea, que ditava um ritmo acelerado ao jogo. Com R10 e Thiago Neves em noite inspirada, o primeiro gol veio logo aos 19 do primeiro tempo, numa bola metida à perfeição por R10 para a finalização de Thiago Neves. Sabendo que o 1x0 não era suficiente, o time continuou indo para cima, marcando o segundo logo em seguida, aos 28 do primeiro tempo, de novo com Thiago Neves. E quando parecia que o Flamengo iria aplicar uma goleada histórica no Ceará, o time deu uma bobeada na defesa e precisou fazer uma falta perto da grande área para parar o contra-ataque do time cearense. Era tudo o que o Ceará queria, e precisava. Em sua primeira chance real de gol, o Vozão diminuiu com Washington aos 35. Até aí era pênaltis, com uma retrospectiva positiva para o Flamengo (o time não perde uma disputa de pênaltis desde 2004). Mas o gol do Ceará afetou o time rubro-negro, que se descontrolou por alguns minutos, oferecendo bons contra-ataques ao time cearense. E com a sorte do Ceará, alguns minutos era o suficiente para chegar ao gol de empate, com uma ajudassa de Sandro Meira Ricci, o árbitro da partida, que conseguiu expulsar Ronaldo Angelim numa disputa de ombro com ombro (mais sobre isso no final do post, agora não me prolongo). Falta bem cobrada e bem defendida por Felipe. Do escanteio, saiu o gol, que pegou o Flamengo num momento de descontrole emocional após a expulsão. Washington de novo, aos 41, para deixar tudo igual no placar. Depois do empate, o time rubro-negro colocou a cabeça no lugar. Mesmo com um a menos, foi para cima, buscando o resultado. O desempate quase veio num lance ainda no primeiro tempo, em que Léo Moura (que brilhou de novo, comprovando que faz muita falta ao time quando não joga) mandou a bola na trave e Wanderley, aproveitando o rebote, conseguiu a façanha de cabecear de novo na trave com o gol aberto.
No segundo tempo, mesmo com um jogador a menos, o Flamengo voltou agressivo e mandando no jogo, sabendo que precisava correr atrás do resultado. As jogadas saíam mais pelo lado de Léo Moura, já que, com a expulsão de Ronaldo Angelim, foi necessário colocar Egídio em campo, que, para ser muito bondosa, pouco fez. Com o time todo no ataque e o Vozão muito recuado, este começou a explorar mais os contra-ataques, sem, no entanto, conseguir conclusões mais contundentes. A defesa flamenguista se desdobrava no sentido de cobrir a ausência de Angelim. Mas, mesmo sendo pouco conclusivo, a noite era mesmo do Ceará. E ninguém tasca. O Flamego pressionava e teve boas chances. Perdidas. Wanderley e Thiago Neves perderm cara a cara com Fernando Henrique. A partir dos 30 minutos do segundo tempo, o time da Gávea morreu, cansado de ter que correr por mais um. A saída de Léo Moura também fez diminuir o volume de jogadas ofensivas. Prova de que este é um jogador muito decisivo para o desempenho do time. A partir daí, o ritmo de jogo diminuiu sensivelmente. Com o Flamengo morto e o Ceará contente com o empate, fim de papo. Na melhor exibição do Flamengo no ano, o time foi eliminado da Copa do Brasil. Justo ou injusto, fato é que o Ceará deu muita sorte também. Em seis chances de real perigo nos dois jogos, marcou quatro gols. O Flamengo, com 548 chances, marcou três. Placar final: Ceará 2 x 2 Flamengo. O Ceará segue para enfrentar o Coritiba nas semifinais.
Agora um pouquinho sobre arbitragem, tema sobre o qual eu ODEIO falar. Nesse caso, porém, é necessário. APOSENTA O APITO DO SANDRO MEIRA RICCI, GENTE. Agora quem não é flamenguista está rindo à toa, mas imagina se esse cara vai apitar um jogo do seu time... A arbitragem dele é sempre tumultuada, controversa, cheia de lances duvidosos e confusões. Não dá. Não dá pra ele distribuir cartões amarelos para a defesa do Flamengo, pendurando todo mundo, e mostrar apenas dois para o Ceará, que também bateu muito. Não dá para o cara chutar a canela do Wanderley e não ser nem falta. Não dá pra não marcar uma falta clara em cima do Thiago Neves e permitir um contra-ataque do Ceará que fez com que Ronaldo Angelim precisasse fazer a falta de cartão amarelo (este justo, mas originado de uma jogada injusta). Não dá para o cara ver um lance normal na disputa de bola do Ronaldo Angelim, de ombro com ombro, e aí porque o bandeirinha deu falta ele resolver mostrar o segundo cartão amarelo. Não dá para o cara expulsar o Vanderlei no intervalo porque ele tentou tirar seus jogadores de campo para evitar confusão e afastou um policial covarde que bateu com o escudo em Ronaldinho Gaúcho pelas costas porque este argumentava com o juiz. Ô, Sandro, pede a aposentadoria, sinceramente... E assiste os jogos pela televisão, ok? Porque dentro de campo não dá. Não é à toa que ele já tinha tomado um gancho monumental no Brasileirão do ano passado depois da arbitragem de Cruzeiro X Corinthians, após a marcação de um pênalti controverso contra a Raposa (os dois times tinham chances reais de vencer o campeonato).
Em outros resultados da rodada, o Santos foi à Colômbia para conquistar o placar contra o Once Caldas na casa do adversário pela Libertadores (placar final: Once Caldas 0 x 1 Santos). O Palmeiras, que já entrou em campo derrotado, vamos combinar, fez pelo menos um papel honroso e conseguiu conquistar o seu objetivo: tirar a invencibilidade do Coritiba (placar final: Palmeiras 2 x 0 Coritiba).
O jogo começou com o Flamengo pressionando demais e indo em busca dos dois gols que precisava. Com o Ceará muito recuado e a defesa rubro-negra bem postada (o esquema com três zagueiros e Ronaldo Angelim funcionando como lateral-esquerdo estava dando certo), só dava Flamengo. Era uma chance atrás da outra, com boas recuperações de bola por parte do time da Gávea, que ditava um ritmo acelerado ao jogo. Com R10 e Thiago Neves em noite inspirada, o primeiro gol veio logo aos 19 do primeiro tempo, numa bola metida à perfeição por R10 para a finalização de Thiago Neves. Sabendo que o 1x0 não era suficiente, o time continuou indo para cima, marcando o segundo logo em seguida, aos 28 do primeiro tempo, de novo com Thiago Neves. E quando parecia que o Flamengo iria aplicar uma goleada histórica no Ceará, o time deu uma bobeada na defesa e precisou fazer uma falta perto da grande área para parar o contra-ataque do time cearense. Era tudo o que o Ceará queria, e precisava. Em sua primeira chance real de gol, o Vozão diminuiu com Washington aos 35. Até aí era pênaltis, com uma retrospectiva positiva para o Flamengo (o time não perde uma disputa de pênaltis desde 2004). Mas o gol do Ceará afetou o time rubro-negro, que se descontrolou por alguns minutos, oferecendo bons contra-ataques ao time cearense. E com a sorte do Ceará, alguns minutos era o suficiente para chegar ao gol de empate, com uma ajudassa de Sandro Meira Ricci, o árbitro da partida, que conseguiu expulsar Ronaldo Angelim numa disputa de ombro com ombro (mais sobre isso no final do post, agora não me prolongo). Falta bem cobrada e bem defendida por Felipe. Do escanteio, saiu o gol, que pegou o Flamengo num momento de descontrole emocional após a expulsão. Washington de novo, aos 41, para deixar tudo igual no placar. Depois do empate, o time rubro-negro colocou a cabeça no lugar. Mesmo com um a menos, foi para cima, buscando o resultado. O desempate quase veio num lance ainda no primeiro tempo, em que Léo Moura (que brilhou de novo, comprovando que faz muita falta ao time quando não joga) mandou a bola na trave e Wanderley, aproveitando o rebote, conseguiu a façanha de cabecear de novo na trave com o gol aberto.
No segundo tempo, mesmo com um jogador a menos, o Flamengo voltou agressivo e mandando no jogo, sabendo que precisava correr atrás do resultado. As jogadas saíam mais pelo lado de Léo Moura, já que, com a expulsão de Ronaldo Angelim, foi necessário colocar Egídio em campo, que, para ser muito bondosa, pouco fez. Com o time todo no ataque e o Vozão muito recuado, este começou a explorar mais os contra-ataques, sem, no entanto, conseguir conclusões mais contundentes. A defesa flamenguista se desdobrava no sentido de cobrir a ausência de Angelim. Mas, mesmo sendo pouco conclusivo, a noite era mesmo do Ceará. E ninguém tasca. O Flamego pressionava e teve boas chances. Perdidas. Wanderley e Thiago Neves perderm cara a cara com Fernando Henrique. A partir dos 30 minutos do segundo tempo, o time da Gávea morreu, cansado de ter que correr por mais um. A saída de Léo Moura também fez diminuir o volume de jogadas ofensivas. Prova de que este é um jogador muito decisivo para o desempenho do time. A partir daí, o ritmo de jogo diminuiu sensivelmente. Com o Flamengo morto e o Ceará contente com o empate, fim de papo. Na melhor exibição do Flamengo no ano, o time foi eliminado da Copa do Brasil. Justo ou injusto, fato é que o Ceará deu muita sorte também. Em seis chances de real perigo nos dois jogos, marcou quatro gols. O Flamengo, com 548 chances, marcou três. Placar final: Ceará 2 x 2 Flamengo. O Ceará segue para enfrentar o Coritiba nas semifinais.
Agora um pouquinho sobre arbitragem, tema sobre o qual eu ODEIO falar. Nesse caso, porém, é necessário. APOSENTA O APITO DO SANDRO MEIRA RICCI, GENTE. Agora quem não é flamenguista está rindo à toa, mas imagina se esse cara vai apitar um jogo do seu time... A arbitragem dele é sempre tumultuada, controversa, cheia de lances duvidosos e confusões. Não dá. Não dá pra ele distribuir cartões amarelos para a defesa do Flamengo, pendurando todo mundo, e mostrar apenas dois para o Ceará, que também bateu muito. Não dá para o cara chutar a canela do Wanderley e não ser nem falta. Não dá pra não marcar uma falta clara em cima do Thiago Neves e permitir um contra-ataque do Ceará que fez com que Ronaldo Angelim precisasse fazer a falta de cartão amarelo (este justo, mas originado de uma jogada injusta). Não dá para o cara ver um lance normal na disputa de bola do Ronaldo Angelim, de ombro com ombro, e aí porque o bandeirinha deu falta ele resolver mostrar o segundo cartão amarelo. Não dá para o cara expulsar o Vanderlei no intervalo porque ele tentou tirar seus jogadores de campo para evitar confusão e afastou um policial covarde que bateu com o escudo em Ronaldinho Gaúcho pelas costas porque este argumentava com o juiz. Ô, Sandro, pede a aposentadoria, sinceramente... E assiste os jogos pela televisão, ok? Porque dentro de campo não dá. Não é à toa que ele já tinha tomado um gancho monumental no Brasileirão do ano passado depois da arbitragem de Cruzeiro X Corinthians, após a marcação de um pênalti controverso contra a Raposa (os dois times tinham chances reais de vencer o campeonato).
Em outros resultados da rodada, o Santos foi à Colômbia para conquistar o placar contra o Once Caldas na casa do adversário pela Libertadores (placar final: Once Caldas 0 x 1 Santos). O Palmeiras, que já entrou em campo derrotado, vamos combinar, fez pelo menos um papel honroso e conseguiu conquistar o seu objetivo: tirar a invencibilidade do Coritiba (placar final: Palmeiras 2 x 0 Coritiba).
segunda-feira, 9 de maio de 2011
E o vento levou o Ganso
E nós perdemos o Ganso de novo... Quando ele se machucou ano passado, eu lembro de falar que a camisa 10 da Seleção deveria ser temporariamente aposentada, porque não havia nenhum outro camisa 10 brasileiro jogando o que ele estava jogando (uma barbaridade) naquele momento. Como de fato. Nesses últimos amistosos da Seleção, tem sido um camisa 10 decepcionante atrás do outro e, por conseguinte, uma série de jogos frustrantes, em que o time fica perde a capacidade de criação no meio-campo. E Ganso é muito mais do que uma capacidade considerável de criação. Ele é um craque, e só não digo o maior surgido nos últimos tempos porque há também Neymar e Lucas. O departamento médico do Santos está prevendo seis semanas fora de combate (com a possibilidade de reduzir para quatro). E aí eu estou prevendo uma Copa América sem Ganso no Brasil. PODE APOSENTAR A CAMISA 10, MANO MENEZES.
E aí? De quem é a culpa? Da própria compleição física do Ganso? Da diretoria do Santos? Do Muricy? Do calendário de competições? Da macumba do Ronaldinho Gaúcho, de olho na camisa 10 da Seleção? Vamos por partes. Que o Ganso tem uma compleição mais frágil do que a da maioria dos jogadores é fato, e inegável. O cara tem 21 anos e já passou por duas operações de grande porte, vamos combinar. Mas ninguém se machuca do nada também. Vejamos o calendário: o Santos está jogando incessantemente às terças, quartas ou quintas (pela Libertadores) e aos sábados ou domingos (pelo Paulistão). É uma rotina pra lá de sacrificante, ainda mais se considerarmos a última semana. No último sábado de abril (30/4), o Santos fez um jogo decisivo contra o São Paulo pelas semifinais do Paulistão. Logo depois, após dar tudo de si e conseguir a classificação, pegou um voo super agradável de 16 horas com destino ao meio do nada no México. Chegando lá onde Judas perdeu as meias, jogou mais 90 minutos de decisão, pelas oitavas de final da Libertadores. Apesar de visivelmente exausto, o Santos conseguiu a classificação para as quartas contra o América do México, segurando o empate por 0x0 (não sem pagar um preço, tendo perdido Arouca durante o jogo). Ufa, finalmente um descanso. NOT! É brinks, galera, porque logo em seguida o Santos teve que encarar o voo de 16 horas da volta (até eu já estou cansada). Aí ontem mais uma vez teve que dar tudo de si pelo primeiro jogo da final do Paulistão, contra o Corinthians (outro 0x0). E aí Ganso se machucou. Realmente, fica um pouco difícil.
O que nos leva ao próximo fator. Tudo bem que o calendário é um absurdo e tal (parece que eles pegam uma grande roda da fortuna e vão puxando as datas ao acaso, por loteria), mas também ninguém tem cara de reclamar com a CBF, porque ninguém quer se indispôr com Ricardo Teixeira e cia., essa quadrilha do futebol brasileiro. Nisso, a diretoria do Santos falha, como falha em muitos outros aspectos (em muitos sentidos, considero a administração santista um desastre). Mas por que não poupar alguns jogadores? É preciso definir um campeonato para priorizar. Afinal, quem tudo quer, nada tem. Levando-se em consideração que o Santos foi o campeão paulista em três dos últimos cinco anos e que não ganha uma Libertadores desde 1963, o torneio a ser priorizado é a Libertadores, logicamente. Não estou dizendo que era para ter entrado com todo o time reserva contra o São Paulo e contra o Corinthians, mas alguns jogadores poderiam ter sido poupados (como o próprio Ganso, voltando de uma lesão que o deixou sete meses afastado do futebol, afinal). Aí eu já ouvi tanto que o culpado disso é o Muricy, que quer jogar sempre com o time titular, quanto que é a diretoria, que pressiona Muricy a escalar o time titular. Para mim, o erro é de ambos. De Muricy por escalar e da diretoria por pressioná-lo e depois querer tirar o corpo fora.
O fato permanece que ontem perdemos mais uma vez um dos maiores jogadores brasileiros da atualidade e, sem dúvida, o maior camisa 10 atual. Tomara que o Ganso consiga se recuperar a tempo de jogar a Copa América pelo Brasil e que não seja um daqueles jogadores cuja fantástica e promissora carreira é interrompida por sucessivas lesões. Ele merece ter um futuro brilhante. A Seleção merece. Todos nós, torcedores e apreciadores do bom futebol, merecemos. Caso contrário, vou ter que admitir que o fator decisivo foi mesmo a macumba de Ronaldinho Gaúcho, que deve ter sido da braba.
E aí? De quem é a culpa? Da própria compleição física do Ganso? Da diretoria do Santos? Do Muricy? Do calendário de competições? Da macumba do Ronaldinho Gaúcho, de olho na camisa 10 da Seleção? Vamos por partes. Que o Ganso tem uma compleição mais frágil do que a da maioria dos jogadores é fato, e inegável. O cara tem 21 anos e já passou por duas operações de grande porte, vamos combinar. Mas ninguém se machuca do nada também. Vejamos o calendário: o Santos está jogando incessantemente às terças, quartas ou quintas (pela Libertadores) e aos sábados ou domingos (pelo Paulistão). É uma rotina pra lá de sacrificante, ainda mais se considerarmos a última semana. No último sábado de abril (30/4), o Santos fez um jogo decisivo contra o São Paulo pelas semifinais do Paulistão. Logo depois, após dar tudo de si e conseguir a classificação, pegou um voo super agradável de 16 horas com destino ao meio do nada no México. Chegando lá onde Judas perdeu as meias, jogou mais 90 minutos de decisão, pelas oitavas de final da Libertadores. Apesar de visivelmente exausto, o Santos conseguiu a classificação para as quartas contra o América do México, segurando o empate por 0x0 (não sem pagar um preço, tendo perdido Arouca durante o jogo). Ufa, finalmente um descanso. NOT! É brinks, galera, porque logo em seguida o Santos teve que encarar o voo de 16 horas da volta (até eu já estou cansada). Aí ontem mais uma vez teve que dar tudo de si pelo primeiro jogo da final do Paulistão, contra o Corinthians (outro 0x0). E aí Ganso se machucou. Realmente, fica um pouco difícil.
O que nos leva ao próximo fator. Tudo bem que o calendário é um absurdo e tal (parece que eles pegam uma grande roda da fortuna e vão puxando as datas ao acaso, por loteria), mas também ninguém tem cara de reclamar com a CBF, porque ninguém quer se indispôr com Ricardo Teixeira e cia., essa quadrilha do futebol brasileiro. Nisso, a diretoria do Santos falha, como falha em muitos outros aspectos (em muitos sentidos, considero a administração santista um desastre). Mas por que não poupar alguns jogadores? É preciso definir um campeonato para priorizar. Afinal, quem tudo quer, nada tem. Levando-se em consideração que o Santos foi o campeão paulista em três dos últimos cinco anos e que não ganha uma Libertadores desde 1963, o torneio a ser priorizado é a Libertadores, logicamente. Não estou dizendo que era para ter entrado com todo o time reserva contra o São Paulo e contra o Corinthians, mas alguns jogadores poderiam ter sido poupados (como o próprio Ganso, voltando de uma lesão que o deixou sete meses afastado do futebol, afinal). Aí eu já ouvi tanto que o culpado disso é o Muricy, que quer jogar sempre com o time titular, quanto que é a diretoria, que pressiona Muricy a escalar o time titular. Para mim, o erro é de ambos. De Muricy por escalar e da diretoria por pressioná-lo e depois querer tirar o corpo fora.
O fato permanece que ontem perdemos mais uma vez um dos maiores jogadores brasileiros da atualidade e, sem dúvida, o maior camisa 10 atual. Tomara que o Ganso consiga se recuperar a tempo de jogar a Copa América pelo Brasil e que não seja um daqueles jogadores cuja fantástica e promissora carreira é interrompida por sucessivas lesões. Ele merece ter um futuro brilhante. A Seleção merece. Todos nós, torcedores e apreciadores do bom futebol, merecemos. Caso contrário, vou ter que admitir que o fator decisivo foi mesmo a macumba de Ronaldinho Gaúcho, que deve ter sido da braba.
0x0 é praga de mãe?
Vi muita gente dizendo que, apesar do placar de 0x0, o jogo Corinthians X Santos foi um bom jogo, até um jogasso, cheio de emoções. Gente, me desculpa, mas jogo 0x0 não pode ser um jogasso. Ou pelo menos eu nunca vi, em 21 anos de existência e pelo menos uns 15 de memória futebolística. Só por não ter a emoção maior, a do gol, a da torcida levantando e pulando toda ao mesmo tempo para comemorar, a da rede balançando, já não pode ser um jogasso. Fica sempre aquela sensação de que não aconteceu absolutamente nada em campo. E normalmente é mesmo um jogo-sonífero, daqueles que depois você se pergunta porque desperdiçou duas horas da sua vida assistindo, seja por ser caracterizado por uma marcação muito forte, ficando mais concentrado no meio-campo sem muita ação nas áreas, seja por trazer uma série de erros grotescos e um caminhão de gols feitos desperdiçados.
O Corinthians X Santos foi uma mistura pouco usual (e, pelo menos no primeiro tempo, mais chata ainda) dos dois fatores. No primeiro tempo (daqueles de apagar imediatamente da memória), o Santos veio muito retrancado (time à la Muricy), talvez contente em segurar o empate, sabendo que o segundo jogo será na Vila Belmiro. Só dá pra extrair de positivo uns dois minutos de surto em que o Santos resolveu vir para cima, criando boas oportunidades e, ao mesmo tempo, oferecendo o contra-ataque ao Corinthians, que também teve alguns bons lances (ao chute na trave de Neymar, por exemplo, seguiu-se a chance desperdiçada por Bruno César, chutando para fora com Rafael já batido, num contra-ataque que teve origem após a melhor chance santista do primeiro tempo). Isso para a sorte do pessoal responsável por selecionar os melhores momentos, senão só poderiam colocar o apito final do juiz, que acabou com a tortura. Ainda no intervalo, o Santos perdeu Ganso definitivamente, lesionado (vou dedicar um post exclusivo a isso, por isso não faço maiores comentários aqui).
No segundo tempo, o Santos resolveu fazer algo de diferente, e não foi ficar na sua casa na Europa, Espanha (pode catar Luísa Marilac no Youtube se você não sacou a interna, vale a pena): mesmo tendo perdido Ganso, sem condições de voltar para os 45 minutos restantes, veio para cima desde o início, como num último ato de desespero, digamos assim. Era aquele derradeiro esforço para fazer o gol, sair na frente e administrar o resultado, num jogo em que o Corinthians estava melhor. Apesar das chances (Neymar mandou mais uma na trave e Chicão salvou o que seria o gol por cobertura de Danilo), não conseguiu marcar. E morreu em campo, fato que já vinha se anunciando devido à sequência de jogos do Santos. A partir dos 20 minutos do segundo tempo, o domínio total foi do Corinthians, que, apesar das muitas chances (Liedson perdeu uma na linha da pequena área e também mandou a sua na trave), também não foi conclusivo. Mil chances perdidas depois, fim de papo e decisão adiada para a Vila Belmiro. Placar final: Corinthians 0 x 0 Santos.
O placar só deve mesmo ter agradado às mães paulistas e cariocas, que puderam contar com a atenção e dedicação exclusiva de seus filhos em seu dia especial, pouco interessados em assistir a uma partida digna de esquecimento. Em outros placares da rodada, o Vozão foi campeão cearense por antecipação (o que já está contribuindo para o oba-oba em torno do Ceará para a partida contra o Flamengo na quarta-feira pela Copa do Brasil. Bom para o Flamengo. E para mim.) em cima do Guarani de Juazeiro (placar final: Ceará 5 x 0 Guarani de Juazeiro); o Grêmio ganhou do Inter pelo jogo de ida da decisão do Gaúchão, com direito a dois frangassos de Renan, que mais pareciam replays um do outro, pode catar os lances (placar final: Inter 2 x 3 Grêmio); e o Galo desbancou o tão poderoso Cruzeiro, "melhor time do Brasil", no jogo de ida da final do Campeonato Mineiro (placar final: Atlético-MG 2 X 1 Cruzeiro).
O Corinthians X Santos foi uma mistura pouco usual (e, pelo menos no primeiro tempo, mais chata ainda) dos dois fatores. No primeiro tempo (daqueles de apagar imediatamente da memória), o Santos veio muito retrancado (time à la Muricy), talvez contente em segurar o empate, sabendo que o segundo jogo será na Vila Belmiro. Só dá pra extrair de positivo uns dois minutos de surto em que o Santos resolveu vir para cima, criando boas oportunidades e, ao mesmo tempo, oferecendo o contra-ataque ao Corinthians, que também teve alguns bons lances (ao chute na trave de Neymar, por exemplo, seguiu-se a chance desperdiçada por Bruno César, chutando para fora com Rafael já batido, num contra-ataque que teve origem após a melhor chance santista do primeiro tempo). Isso para a sorte do pessoal responsável por selecionar os melhores momentos, senão só poderiam colocar o apito final do juiz, que acabou com a tortura. Ainda no intervalo, o Santos perdeu Ganso definitivamente, lesionado (vou dedicar um post exclusivo a isso, por isso não faço maiores comentários aqui).
No segundo tempo, o Santos resolveu fazer algo de diferente, e não foi ficar na sua casa na Europa, Espanha (pode catar Luísa Marilac no Youtube se você não sacou a interna, vale a pena): mesmo tendo perdido Ganso, sem condições de voltar para os 45 minutos restantes, veio para cima desde o início, como num último ato de desespero, digamos assim. Era aquele derradeiro esforço para fazer o gol, sair na frente e administrar o resultado, num jogo em que o Corinthians estava melhor. Apesar das chances (Neymar mandou mais uma na trave e Chicão salvou o que seria o gol por cobertura de Danilo), não conseguiu marcar. E morreu em campo, fato que já vinha se anunciando devido à sequência de jogos do Santos. A partir dos 20 minutos do segundo tempo, o domínio total foi do Corinthians, que, apesar das muitas chances (Liedson perdeu uma na linha da pequena área e também mandou a sua na trave), também não foi conclusivo. Mil chances perdidas depois, fim de papo e decisão adiada para a Vila Belmiro. Placar final: Corinthians 0 x 0 Santos.
O placar só deve mesmo ter agradado às mães paulistas e cariocas, que puderam contar com a atenção e dedicação exclusiva de seus filhos em seu dia especial, pouco interessados em assistir a uma partida digna de esquecimento. Em outros placares da rodada, o Vozão foi campeão cearense por antecipação (o que já está contribuindo para o oba-oba em torno do Ceará para a partida contra o Flamengo na quarta-feira pela Copa do Brasil. Bom para o Flamengo. E para mim.) em cima do Guarani de Juazeiro (placar final: Ceará 5 x 0 Guarani de Juazeiro); o Grêmio ganhou do Inter pelo jogo de ida da decisão do Gaúchão, com direito a dois frangassos de Renan, que mais pareciam replays um do outro, pode catar os lances (placar final: Inter 2 x 3 Grêmio); e o Galo desbancou o tão poderoso Cruzeiro, "melhor time do Brasil", no jogo de ida da final do Campeonato Mineiro (placar final: Atlético-MG 2 X 1 Cruzeiro).
quinta-feira, 5 de maio de 2011
E o bonde, parou?
Outro jogo duro de assitir (para mim) foi Flamengo X Ceará. Difícil porque, como boa rubro-negra, por mim o Flamengo continuava invicto para todo sempre. Mas, tudo bem, alguma hora alguém ia ter que acionar o freio do bonde. Vamos aos fatos, o mais imparcialmente possível.
O Flamengo dominou o jogo e a derrota foi um placar injusto. Mas e daí? Posse de bola e chance de gol não decidem jogo algum. O time entrou morno em campo para o primeiro tempo, com atuações apagadas de Ronaldinho Gaúcho e Deivid (como sempre). Thiago Neves também não estava inspirado. O Ceará ficou todo atrás, numa retranca sem fim, disposto a aproveitar os contra-ataques. O empate em 0x0, afinal, já era um bom negócio. Numa das poucas chances que teve, Marcelo Nicácio acertou a trave numa cobrança de falta perto da grande área. O Flamengo continuou tipo enceradeira, rolava a bolava para um lado, rolava a bola para o outro, mantinha a posse de bola, mas nada de levar perigo ao gol do Ceará. Chances claras foram poucas, defesas importantes do Fernando Henrique, apenas uma. E quando parecia que era arrumar a casa no intervalo para sair com a vitória, Willians me arrumou uma falta boba perto da risca da grande área aos 43 do primeiro tempo. Ok, só não reclamo mais porque Willians é constantemente um dos melhores do Flamengo em campo (como o foi hoje, aliás). Dessa vez, Marcelo Nicácio não perdoou. Felipe ainda por cima foi para o mesmo canto em que a outra falta havia sido cobrada antes da bola ultrapassar a barreira. BRINKS, Felipe, a bola entrou do outro lado.
No segundo tempo, o Flamengo voltou diferente. Imagino o esporro que o Vanderlei deve ter dado no vestiário. Só que alguém precisa dar um nele também, por insistir com Deivid. É impressionante como ele é apático, sem vontade, sempre se escondendo atrás dos zagueiros, não sabe se postar, se antecipar pra fazer o gol. E parece que sempre deixa o time todo mais apático e morno também. Mas no segundo tempo não, o time voltou com garra, vontade, disposto a empatar o jogo e até, quem sabe, virar. Foram vinte minutos de total pessão do Flamengo. Mas aí o Ceará roubou uma bola no ataque e encaixou um contra-ataque rápido em que todos os jogadores do Flamengo resolveram ir tirar uma soneca (principalmente Rodrigo Alvim, já nem comento mais nada sobre ele. Acho que até eu jogaria melhor, sério, é abaixo da crítica). Justiça seja feita que a bola bateu na mão de Geraldo e sobrou limpa pra ele fazer o gol (e não me interessa se ele teve ou não a intenção, o fato é que ele se aproveitou do lance, a partir do momento em que só conseguiu dominar a bola com tanta facilidade por causa da matada de mão), mas não dá para os jogadores da defesa pararem e não marcarem o cara, deixando ele livre, pra pedir o toque de mão. Não dá também pro Felipe pular 38 dias atrasado numa bola que veio devagarinho. E o Flamengo, que dominou o jogo inteiro, tomava o 2x0 de um time que ficou o tempo todo na retranca. Mesmo assim, o time não desistiu e manteve uma postura agressiva, disposto a correr atrás do resultado. Passou a criar chances mais contundentes e a obrigar Fernando Henrique a boas defesas, chegando a mandar uma bola no travessão. Finalmente, aos 30 minutos do segundo tempo, Vanderlei resolveu tirar Deivid (finalmente) para colocar Wanderley no lugar. O primeiro toque na bola de Wanderley foi para marcar o primeiro gol do Flamengo, se antecipando ao marcador, coisa que parecia impossível a Deivid. O Flamengo ainda teve outras chances claras de gol, incluindo uma cabeçada de Ronaldo Angelim que Fernando Henrique salvou por milagre. Mas quem desperdiçou o gol mais feito foi o Ceará. Após cruzamento, Geraldo perdeu cara a cara com o gol, sem marcação e com Felipe já batido. E fim de papo. Quatro chances para um Ceará retranqueiro e dois gols. Um milhão de chances para um Flamengo agressivo, 900% de posse de bola e um gol. Mas não adianta chorar, tem que ter qualidade e oportunismo pra botar a bola na rede, porque é isso que conta. Placar final: Flamengo 1 x 2 Ceará.
Agora, o que eu achei mais engraçado MESMO foi a mídia dar como mais certa a classificação do Ceará para as semifinais do que a do Coritiba. Gente, o Coritiba meteu seis! Tudo bem que o Ceará conseguiu a vitória fora de casa e que gol na casa do adversário é muito importante e que o Ceará fez dois aqui no Engenhão. Mas em que mundo 2x1 é um placar mais difícil de reverter do que 6x0??? O Once Caldas não fez 2x0 no Cruzeiro na casa do Cruzeiro? O Libertad não fez 3x0 no Fluminense lá no Paraguai? O Peñarol não virou o jogou pra cima do Inter no Beira Rio? A imprensa está fazendo com o Ceará o mesmo oba-oba que fez com Cruzeiro, Inter e Fluminense. Eu estou achando ótimo. Não é nada impossível que o Flamengo consiga fazer dois gols semana que vem, ainda mais se entrar com garra, jogar o jogo inteiro como jogou o segundo tempo hoje e o Ceará entrar relaxado. E se o Vanderlei se mancar e colocar o Wanderley desde o início do segundo tempo e não aos 30 (ele já mostrou que é jogador de segundo tempo com algumas atuações ruins quando começou jogando, tudo bem, mas então coloca o cara no intervalo!). E, de preferência, se escolher Diego Maurício para o primeiro, e não Deivid. Aguardemos semana que vem. E tomara que o bonde tenha parado só para o condutor fazer um lanchinho, e não enguiçado de vez.
O Flamengo dominou o jogo e a derrota foi um placar injusto. Mas e daí? Posse de bola e chance de gol não decidem jogo algum. O time entrou morno em campo para o primeiro tempo, com atuações apagadas de Ronaldinho Gaúcho e Deivid (como sempre). Thiago Neves também não estava inspirado. O Ceará ficou todo atrás, numa retranca sem fim, disposto a aproveitar os contra-ataques. O empate em 0x0, afinal, já era um bom negócio. Numa das poucas chances que teve, Marcelo Nicácio acertou a trave numa cobrança de falta perto da grande área. O Flamengo continuou tipo enceradeira, rolava a bolava para um lado, rolava a bola para o outro, mantinha a posse de bola, mas nada de levar perigo ao gol do Ceará. Chances claras foram poucas, defesas importantes do Fernando Henrique, apenas uma. E quando parecia que era arrumar a casa no intervalo para sair com a vitória, Willians me arrumou uma falta boba perto da risca da grande área aos 43 do primeiro tempo. Ok, só não reclamo mais porque Willians é constantemente um dos melhores do Flamengo em campo (como o foi hoje, aliás). Dessa vez, Marcelo Nicácio não perdoou. Felipe ainda por cima foi para o mesmo canto em que a outra falta havia sido cobrada antes da bola ultrapassar a barreira. BRINKS, Felipe, a bola entrou do outro lado.
No segundo tempo, o Flamengo voltou diferente. Imagino o esporro que o Vanderlei deve ter dado no vestiário. Só que alguém precisa dar um nele também, por insistir com Deivid. É impressionante como ele é apático, sem vontade, sempre se escondendo atrás dos zagueiros, não sabe se postar, se antecipar pra fazer o gol. E parece que sempre deixa o time todo mais apático e morno também. Mas no segundo tempo não, o time voltou com garra, vontade, disposto a empatar o jogo e até, quem sabe, virar. Foram vinte minutos de total pessão do Flamengo. Mas aí o Ceará roubou uma bola no ataque e encaixou um contra-ataque rápido em que todos os jogadores do Flamengo resolveram ir tirar uma soneca (principalmente Rodrigo Alvim, já nem comento mais nada sobre ele. Acho que até eu jogaria melhor, sério, é abaixo da crítica). Justiça seja feita que a bola bateu na mão de Geraldo e sobrou limpa pra ele fazer o gol (e não me interessa se ele teve ou não a intenção, o fato é que ele se aproveitou do lance, a partir do momento em que só conseguiu dominar a bola com tanta facilidade por causa da matada de mão), mas não dá para os jogadores da defesa pararem e não marcarem o cara, deixando ele livre, pra pedir o toque de mão. Não dá também pro Felipe pular 38 dias atrasado numa bola que veio devagarinho. E o Flamengo, que dominou o jogo inteiro, tomava o 2x0 de um time que ficou o tempo todo na retranca. Mesmo assim, o time não desistiu e manteve uma postura agressiva, disposto a correr atrás do resultado. Passou a criar chances mais contundentes e a obrigar Fernando Henrique a boas defesas, chegando a mandar uma bola no travessão. Finalmente, aos 30 minutos do segundo tempo, Vanderlei resolveu tirar Deivid (finalmente) para colocar Wanderley no lugar. O primeiro toque na bola de Wanderley foi para marcar o primeiro gol do Flamengo, se antecipando ao marcador, coisa que parecia impossível a Deivid. O Flamengo ainda teve outras chances claras de gol, incluindo uma cabeçada de Ronaldo Angelim que Fernando Henrique salvou por milagre. Mas quem desperdiçou o gol mais feito foi o Ceará. Após cruzamento, Geraldo perdeu cara a cara com o gol, sem marcação e com Felipe já batido. E fim de papo. Quatro chances para um Ceará retranqueiro e dois gols. Um milhão de chances para um Flamengo agressivo, 900% de posse de bola e um gol. Mas não adianta chorar, tem que ter qualidade e oportunismo pra botar a bola na rede, porque é isso que conta. Placar final: Flamengo 1 x 2 Ceará.
Agora, o que eu achei mais engraçado MESMO foi a mídia dar como mais certa a classificação do Ceará para as semifinais do que a do Coritiba. Gente, o Coritiba meteu seis! Tudo bem que o Ceará conseguiu a vitória fora de casa e que gol na casa do adversário é muito importante e que o Ceará fez dois aqui no Engenhão. Mas em que mundo 2x1 é um placar mais difícil de reverter do que 6x0??? O Once Caldas não fez 2x0 no Cruzeiro na casa do Cruzeiro? O Libertad não fez 3x0 no Fluminense lá no Paraguai? O Peñarol não virou o jogou pra cima do Inter no Beira Rio? A imprensa está fazendo com o Ceará o mesmo oba-oba que fez com Cruzeiro, Inter e Fluminense. Eu estou achando ótimo. Não é nada impossível que o Flamengo consiga fazer dois gols semana que vem, ainda mais se entrar com garra, jogar o jogo inteiro como jogou o segundo tempo hoje e o Ceará entrar relaxado. E se o Vanderlei se mancar e colocar o Wanderley desde o início do segundo tempo e não aos 30 (ele já mostrou que é jogador de segundo tempo com algumas atuações ruins quando começou jogando, tudo bem, mas então coloca o cara no intervalo!). E, de preferência, se escolher Diego Maurício para o primeiro, e não Deivid. Aguardemos semana que vem. E tomara que o bonde tenha parado só para o condutor fazer um lanchinho, e não enguiçado de vez.
Alguém para o Coritiba?
Mais um dia atípico no futebol brasileiro. Copa do Brasil é mesmo cheia de surpresas.
Comecemos por Coritiba X Palmeiras. Tudo bem, todos diziam que uma vitória do Coxa Branca era possível, até mesmo provável, mas todos também diziam que ia ser jogo duro. É, jogo duro pra torcida palmeirense assistir. Aliás, alguém viu o Palmeiras em campo? Porque eu procurei durante 90 minutos e não achei... Sinceramente, se colocassem 11 cones em campo vestidos com a camisa do Palmeiras, acho que o Coritiba ia ter mais dificuldade. Ok, 10 cones e o Marcos. Se não fossem as defesas do goleiro palmeirense, não ia me surpreender se o placar chegasse a uma dezena. Pode ver que tem lance e gol perdido por parte do Coxa pra isso. O Palmeiras foi um show de horrores em campo, um bando. Teve pouquíssimas chances, mesmo assim a maioria de bola parada, porque organização pra tramar uma jogada inteira estava difícil. Tirando alguns poucos sustos que o Coritiba levou, domínio total por parte deste. Do início ao fim. Agora cata os lances do segundo, quinto e sexto gols do Coritiba. Aliás, quer saber? Cata os lances de TODOS os gols. Ok, o primeiro é o menos pior, falha da defesa na cobertura, acontece. Cata o segundo: Marcos Assunção chuta, a bola bate no zagueiro, o Coxa fica com o rebote e aproveita o contra-ataque. A bola vai de pé em pé e ninguém do Palmeiras faz absolutamente NADA. Gol. Cata o terceiro: chute de fora da área, a bola desvia em Danilo e entra. Coitado do Marcos, sério. Cata o quarto: penalidade máxima. Seu time está perdendo de 3x0 e você me arruma um pênalti. Bacana. Entre o quarto e o quinto, ainda deu tempo de Rivaldo (do Palmeiras) ser expulso. Meu Deus do céu, pânico generalizado na pracinha. O quinto e o sexto são os que você mais precisa catar. E olha que o quinto saiu após algumas chances desperdiçadas por parte do Coxa, grandes defesas do Marcos, e aos 45 minutos do segundo tempo. Pois é, ainda daria tempo pro sexto. Bom, o quinto: Geraldo recebe a bola ali perto da grande área, cercado não por um, nem por dois, mas por três defensores palmeirenses. Aí Geraldo para, olha pro lado, vê se tem alguém pra passar a bola, pensa, vai caminhando lentamente em direção ao gol, toma um chá. Nada de alguém tentar tirar a bola dele. Aí Geraldo resolve fazer o gol. E faz. No meio de TRÊS que estavam há cinco minutos só cercando o cara. A quantidade três te parece absurda? E que tal Anderson Aquino que, aos 47 do segundo tempo, passou por CINCO pra marcar o sexto? Pode contar. Aproveita e cata a cara do Felipão também depois de tudo isso. É melhor ele abrir o olho, porque daqui a pouco vão começar a perguntar quem é ele na noite. Placar final: Coritiba 6 x 0 Palmeiras.
O melhor de tudo é a imprensa, que cantou vitória dos times brasileiros na Libertadores com placares nos jogos de ida muito menos expressivos, ficar com medo de cravar o Coxa na semifinal da Copa do Brasil e se utilizar de expressões como "a probabilidade é grande", "tudo indica", "é um placar difícil de reverter". Pois eu estou cravando. É um placar impossível de reverter. O Coritiba está na semifinal da Copa do Brasil.
Comecemos por Coritiba X Palmeiras. Tudo bem, todos diziam que uma vitória do Coxa Branca era possível, até mesmo provável, mas todos também diziam que ia ser jogo duro. É, jogo duro pra torcida palmeirense assistir. Aliás, alguém viu o Palmeiras em campo? Porque eu procurei durante 90 minutos e não achei... Sinceramente, se colocassem 11 cones em campo vestidos com a camisa do Palmeiras, acho que o Coritiba ia ter mais dificuldade. Ok, 10 cones e o Marcos. Se não fossem as defesas do goleiro palmeirense, não ia me surpreender se o placar chegasse a uma dezena. Pode ver que tem lance e gol perdido por parte do Coxa pra isso. O Palmeiras foi um show de horrores em campo, um bando. Teve pouquíssimas chances, mesmo assim a maioria de bola parada, porque organização pra tramar uma jogada inteira estava difícil. Tirando alguns poucos sustos que o Coritiba levou, domínio total por parte deste. Do início ao fim. Agora cata os lances do segundo, quinto e sexto gols do Coritiba. Aliás, quer saber? Cata os lances de TODOS os gols. Ok, o primeiro é o menos pior, falha da defesa na cobertura, acontece. Cata o segundo: Marcos Assunção chuta, a bola bate no zagueiro, o Coxa fica com o rebote e aproveita o contra-ataque. A bola vai de pé em pé e ninguém do Palmeiras faz absolutamente NADA. Gol. Cata o terceiro: chute de fora da área, a bola desvia em Danilo e entra. Coitado do Marcos, sério. Cata o quarto: penalidade máxima. Seu time está perdendo de 3x0 e você me arruma um pênalti. Bacana. Entre o quarto e o quinto, ainda deu tempo de Rivaldo (do Palmeiras) ser expulso. Meu Deus do céu, pânico generalizado na pracinha. O quinto e o sexto são os que você mais precisa catar. E olha que o quinto saiu após algumas chances desperdiçadas por parte do Coxa, grandes defesas do Marcos, e aos 45 minutos do segundo tempo. Pois é, ainda daria tempo pro sexto. Bom, o quinto: Geraldo recebe a bola ali perto da grande área, cercado não por um, nem por dois, mas por três defensores palmeirenses. Aí Geraldo para, olha pro lado, vê se tem alguém pra passar a bola, pensa, vai caminhando lentamente em direção ao gol, toma um chá. Nada de alguém tentar tirar a bola dele. Aí Geraldo resolve fazer o gol. E faz. No meio de TRÊS que estavam há cinco minutos só cercando o cara. A quantidade três te parece absurda? E que tal Anderson Aquino que, aos 47 do segundo tempo, passou por CINCO pra marcar o sexto? Pode contar. Aproveita e cata a cara do Felipão também depois de tudo isso. É melhor ele abrir o olho, porque daqui a pouco vão começar a perguntar quem é ele na noite. Placar final: Coritiba 6 x 0 Palmeiras.
O melhor de tudo é a imprensa, que cantou vitória dos times brasileiros na Libertadores com placares nos jogos de ida muito menos expressivos, ficar com medo de cravar o Coxa na semifinal da Copa do Brasil e se utilizar de expressões como "a probabilidade é grande", "tudo indica", "é um placar difícil de reverter". Pois eu estou cravando. É um placar impossível de reverter. O Coritiba está na semifinal da Copa do Brasil.
Tragédia na Libertadores
A noite de quarta foi um desastre generalizado para o futebol brasileiro... De uma tacada só, saíram os quatro que jogavam ontem. No geral, só ficou o Santos. Em grande parte, culpo a mídia e seu eterno oba-oba. O problema é que nenhum dos times que jogaram ontem construíram uma vantagem pra REALMENTE poder relaxar nos jogos de ida. Tudo bem, o Grêmio já se previa que fosse sair mesmo. Mas vamos aos outros três, Inter, Fluminense e Cruzeiro. A mídia já dava como certa a classificação dos três, já calculava os encontros de quartas de final, cantando vitória MUITO antes do tempo. Isso só faz com que os times entrem em campo relaxados demais e com que eles fiquem baratinados ao tomar o primeiro gol e perceber que a possibilidade de derrota realmente existe. Vamos elaborar caso a caso.
Primeiramente, o Inter, que dos três é o pior caso de oba-oba: o Inter empatou com o Peñarol no Uruguai (1x1). Aí do nada as pessoas decidiram que essa era uma vantagem gigantesca, que tudo já estava resolvido e começaram a adiantar um possível Grenal nas quartas (sendo que a situaão do Grêmio era ainda pior). Que vantagem é essa? Um empate? Vantagem pra mim é sinônimo de vitória. E pouco me importa o gol na casa do adversário, porque, independentemente disso, a vitória simples era do Peñarol. Ainda quiseram dizer que ao Inter bastava o empate. Qual empate? Porque só o 0x0 servia. 1x1 levava pros pênaltis e, a partir de 2x2, era do Peñarol. Mas fica o oba-oba e o time entra em campo relaxado demais. Mesmo fazendo o primeiro gol, fica totalmente baratinado com o empate do Peñarol, ao perceber que a derrota é uma possibilidade, e toma o segundo pouco tempo depois. O pior é ver a apatia do time em campo depois da virada do Peñarol, um time entregue, morno. Os jogadores não arriscavam nada, nem tentavam um chute de fora da área pra ver no que dava, por exemplo. Tudo bem que o Inter precisaria virar o jogo, mas havia tempo pra isso. Sinceramente, deu raiva de ver. Placar final: Inter 1 x 2 Peñarol.
Aí vem o Cruzeiro. O Cruzeiro ganhou o primeiro jogo do Once Caldas lá na Colômbia por 2x1. Ok, uma boa vantagem, dois gols na casa do adversário e tal, mas não uma vantagem irreversível. Mas aí começa o papo de que o Cruzeiro é o melhor time do Brasil, de que o Cruzeiro tem a melhor campanha da Libertadores e o Once Caldas a pior, de que vai dar um Santos X Cruzeiro nas quartas porque o Once Caldas NUNCA vai conseguir marcar dois gols na casa do Cruzeiro. Por que não? Primeiro que esse negócio de casa do adversário é como se não existisse pra time latino-hispânico. Porque os caras não estão nem aí, eles entram com tudo sempre, e até gostam de jogar na casa do outro, acho que fica uma gana de calar a boca da galera. E eles calaram. Porque o Cruzeiro também entrou na onda, veio pra campo relaxado demais. E, quando o Once Caldas começou a vir pra cima e a mandar no jogo, o time se descontrolou, Roger foi expulso e eles tomaram os dois gols que não poderiam jamais. Tamanho foi o descontrole que até Cuca deu uma cotovelada num jogador do time colombiano. Uma vergonha. Placar final: Cruzeiro 0 x 2 Once Caldas.
A pedra do Cruzeiro, aliás, eu tinha cantado há muito tempo. Quando começou a golear todos os adversários na primeira fase e todo mundo ficou endeusando o time, dizendo que era o favorito ao título, que finalmente tinha se vingado do Estudiantes (não sei como, se o Estudiantes ganhou o título em cima do Cruzeiro e o Cruzeiro nem das oitavas tirou o Estudiantes, que, aliás, agora tem a chance de ir além do Cruzeiro, se passar para as quartas), eu logo disse que ia cair fora nas oitavas. Não adianta, fase de grupo é fase de grupo, mata-mata são outros quinhentos...
Finalmente, chegamos ao Fluminense. O Fluminense construiu a melhor vantagem aqui no Engenhão, 3x1 pra cima do Libertad. Mas permitiu que o time paraguaio fizesse um gol aqui e ia jogar o da volta lá. O 2x0 já era do Libertad, pq ia desempatar pelo gol marcado fora de casa. Mas aí o pessoal diz que não tem como o Fluminense perder, que a vantagem é irreversível, que o time do Libertad é muito fraco (sendo que o Libertad se classificou com a segunda melhor campanha e o Fluminense com a segunda pior. Tudo bem que a chave do Fluminense era BEM mais difícil, mas permanece o fato), que, se a LDU conseguir reverter o resultado ruim do primeiro jogo, vai dar Fluminense X LDU nas quartas, com a possibilidade de uma revanche tricolor. Como se o Libertad não existisse. E como se o Libertad não existisse, o Fluminense entrou em campo, sentado em cima da vantagem, pra garantir o resultado, cumprir tabela, digamos assim. Com os 11 atrás da linha da bola, abdicou de ir ao ataque e passou a tomar sufoco do time paraguaio. Mesmo com o primeiro gol do Libertad, o Fluminense não mudou sua postura, porque, afinal, seria impossível o Libertad fazer 2x0, como todos diziam. Pois bem. Aos 40 do segundo tempo tomou o segundo e, aos 46, o terceiro. O pior de tudo foi ver a cara de quem comeu e não gostou do Enderson Moreira à beira de campo. Meu filho, reage! Muda o time, arrisca alguma coisa, paga um esporro pra ver se os jogadores acordam. Ao Fluminense bastava um gol pra levar a decisão para os pênaltis. Mas, com a apatia do técnico e o descontrole dos jogadores, isso se provou impossível. Placar final: Libertad 3 x 0 Fluminense.
Vantagem pra sentar em cima e se vangloriar é de três gols de diferença pra cima. E tenho dito. Mas a mídia não pensa assim. Acha que com o empate já é moleza. E pelo oba-oba sem fim da imprensa esportiva e pelo fato de que os times acabam entrando na pilha é que eu vi, com muita tristeza, quatro dos cinco times brasileiros que disputavam uma vaga nas quartas da Libertadores caírem todos na mesma noite. O que dizer? Avante, Santos!
Primeiramente, o Inter, que dos três é o pior caso de oba-oba: o Inter empatou com o Peñarol no Uruguai (1x1). Aí do nada as pessoas decidiram que essa era uma vantagem gigantesca, que tudo já estava resolvido e começaram a adiantar um possível Grenal nas quartas (sendo que a situaão do Grêmio era ainda pior). Que vantagem é essa? Um empate? Vantagem pra mim é sinônimo de vitória. E pouco me importa o gol na casa do adversário, porque, independentemente disso, a vitória simples era do Peñarol. Ainda quiseram dizer que ao Inter bastava o empate. Qual empate? Porque só o 0x0 servia. 1x1 levava pros pênaltis e, a partir de 2x2, era do Peñarol. Mas fica o oba-oba e o time entra em campo relaxado demais. Mesmo fazendo o primeiro gol, fica totalmente baratinado com o empate do Peñarol, ao perceber que a derrota é uma possibilidade, e toma o segundo pouco tempo depois. O pior é ver a apatia do time em campo depois da virada do Peñarol, um time entregue, morno. Os jogadores não arriscavam nada, nem tentavam um chute de fora da área pra ver no que dava, por exemplo. Tudo bem que o Inter precisaria virar o jogo, mas havia tempo pra isso. Sinceramente, deu raiva de ver. Placar final: Inter 1 x 2 Peñarol.
Aí vem o Cruzeiro. O Cruzeiro ganhou o primeiro jogo do Once Caldas lá na Colômbia por 2x1. Ok, uma boa vantagem, dois gols na casa do adversário e tal, mas não uma vantagem irreversível. Mas aí começa o papo de que o Cruzeiro é o melhor time do Brasil, de que o Cruzeiro tem a melhor campanha da Libertadores e o Once Caldas a pior, de que vai dar um Santos X Cruzeiro nas quartas porque o Once Caldas NUNCA vai conseguir marcar dois gols na casa do Cruzeiro. Por que não? Primeiro que esse negócio de casa do adversário é como se não existisse pra time latino-hispânico. Porque os caras não estão nem aí, eles entram com tudo sempre, e até gostam de jogar na casa do outro, acho que fica uma gana de calar a boca da galera. E eles calaram. Porque o Cruzeiro também entrou na onda, veio pra campo relaxado demais. E, quando o Once Caldas começou a vir pra cima e a mandar no jogo, o time se descontrolou, Roger foi expulso e eles tomaram os dois gols que não poderiam jamais. Tamanho foi o descontrole que até Cuca deu uma cotovelada num jogador do time colombiano. Uma vergonha. Placar final: Cruzeiro 0 x 2 Once Caldas.
A pedra do Cruzeiro, aliás, eu tinha cantado há muito tempo. Quando começou a golear todos os adversários na primeira fase e todo mundo ficou endeusando o time, dizendo que era o favorito ao título, que finalmente tinha se vingado do Estudiantes (não sei como, se o Estudiantes ganhou o título em cima do Cruzeiro e o Cruzeiro nem das oitavas tirou o Estudiantes, que, aliás, agora tem a chance de ir além do Cruzeiro, se passar para as quartas), eu logo disse que ia cair fora nas oitavas. Não adianta, fase de grupo é fase de grupo, mata-mata são outros quinhentos...
Finalmente, chegamos ao Fluminense. O Fluminense construiu a melhor vantagem aqui no Engenhão, 3x1 pra cima do Libertad. Mas permitiu que o time paraguaio fizesse um gol aqui e ia jogar o da volta lá. O 2x0 já era do Libertad, pq ia desempatar pelo gol marcado fora de casa. Mas aí o pessoal diz que não tem como o Fluminense perder, que a vantagem é irreversível, que o time do Libertad é muito fraco (sendo que o Libertad se classificou com a segunda melhor campanha e o Fluminense com a segunda pior. Tudo bem que a chave do Fluminense era BEM mais difícil, mas permanece o fato), que, se a LDU conseguir reverter o resultado ruim do primeiro jogo, vai dar Fluminense X LDU nas quartas, com a possibilidade de uma revanche tricolor. Como se o Libertad não existisse. E como se o Libertad não existisse, o Fluminense entrou em campo, sentado em cima da vantagem, pra garantir o resultado, cumprir tabela, digamos assim. Com os 11 atrás da linha da bola, abdicou de ir ao ataque e passou a tomar sufoco do time paraguaio. Mesmo com o primeiro gol do Libertad, o Fluminense não mudou sua postura, porque, afinal, seria impossível o Libertad fazer 2x0, como todos diziam. Pois bem. Aos 40 do segundo tempo tomou o segundo e, aos 46, o terceiro. O pior de tudo foi ver a cara de quem comeu e não gostou do Enderson Moreira à beira de campo. Meu filho, reage! Muda o time, arrisca alguma coisa, paga um esporro pra ver se os jogadores acordam. Ao Fluminense bastava um gol pra levar a decisão para os pênaltis. Mas, com a apatia do técnico e o descontrole dos jogadores, isso se provou impossível. Placar final: Libertad 3 x 0 Fluminense.
Vantagem pra sentar em cima e se vangloriar é de três gols de diferença pra cima. E tenho dito. Mas a mídia não pensa assim. Acha que com o empate já é moleza. E pelo oba-oba sem fim da imprensa esportiva e pelo fato de que os times acabam entrando na pilha é que eu vi, com muita tristeza, quatro dos cinco times brasileiros que disputavam uma vaga nas quartas da Libertadores caírem todos na mesma noite. O que dizer? Avante, Santos!
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