quarta-feira, 25 de maio de 2011

Só o Neymar joga?

Olha que Libertadores é coisa séria... Alguns jogadores do Santos pareceram entrar em campo hoje sem se dar conta deste fato, caso de Pará e Zé Eduardo. O Peixe conseguiu apenas um placar apertado, que não garante nada para o jogo da volta no Paraguai, apesar de ter tido muitas chances para fazer um resultado mais elástico e ir para a casa do Cerro já com a parada (quase) garantida.

O time do Cerro Porteño entrou em campo obviamente determinado a arrancar o empate por 0x0. Muito recuada, a equipe dava poucos espaços para o Santos, que parecia nervoso com a atitude do adversário, sem saber bem como reagir. Errando muitos passes, o time de Muricy Ramalho permitia que o Cerro cadenciasse o jogo, mantendo a posse de bola. É verdade que essa posse de bola não era convertida em lances de perigo, mas gastar o tempo era tudo o que a equipe paraguaia queria. As chances mais claras vieram, como sempre, na bola parada (naquela jogadinha clássica do chuveirinho na área que todo mundo conhece, mas ninguém parece saber marcar). Desequilibrado e tenso, o Peixe inventava lances desnecessários, com chutões e tentativas de lançamento de 30 metros que só serviam para o Cerro retomar a bola. Nas poucas vezes em que o Santos manteve a bola no chão e soube passá-la bem de pé em pé, esteve perto de marcar, incluindo uma chance claríssima em que Léo perdeu após passe precioso de Neymar. De bola parada, também teve bons momentos com Elano. Como sempre vem acontecendo nos últimos jogos, Zé Eduardo só atrapalhou. Após belíssimo lançamento de Durval, Danilo chegava livre e de frente para bater com o gol aberto (o goleirinho do Cerro, vamos combinar que era um pânico na pracinha no quesito posicionamento), mas Zé Eduardo fez questão de meter o pé na bola todo torto e isolá-la pela linha de fundo. Olha, o cara pode até ser bom jogador, mas está atravessando uma péssima fase e não marca a 14 jogos. Tira de campo, deixa um tempo no banco! E não me interessa se ele é importante para o esquema tático, centroavante tem que fazer gol, oras! Senão é zagueiro, goleiro... Aliás, para que o primeiro e único gol do Peixe viesse, foram necessários um zagueiro e o talento incontestável de Neymar. Um dos poucos jogadores santistas com a cabeça no lugar (mesmo apanhando muito), Neymar fez bom jogo de corpo na entrada na área e deu boa arrancada, levando QUATRO num único lance e chegando à linha de fundo em condições de acertar um belo cruzamento. Edu Dracena subiu mais que todo mundo para cabecear e acertou a trave, mas a bola já quicou completamente dentro do gol. Aos 43 do primeiro tempo, o Peixe abria o placar. O Cerro teve sua melhor chance e quase chegou ao empate logo na saída da bola. Em mais uma das típicas jogadas falta-chuveirinho, o atacante paraguaio conseguiu cabecear sozinho, parando em belíssima defesa com os pés de Rafael.

No segundo tempo, o Santos voltou mais relaxado, com a cabeça no lugar. Soube recuar de maneira inteligente, obrigando a equipe paraguaia a sair para o jogo para buscar o resultado e oferecer mais espaços. Por incrível que pareça, o Cerro foi menos conclusivo do que na primeira etapa, quando dependeu apenas de bolas paradas por estar muito recuado, mas conseguiu criar algumas boas oportunidades. Errando conclusões e passes definitivos, o Cerro deu chances ao Santos de explorar seu erro, sair em contra-ataque. Mas, apesar de mais tranquilo, o time da Vila Belmiro também não correspondia, perdendo chances inacreditáveis. Um bom exemplo é o cruzamento rasteiro à perfeição de Elano, que Zé Eduardo conseguiu desperdiçar com o gol aberto... Ok, não falo mais nada. Neymar parecia jogar sozinho e tentava resolver a parada por si, sem êxito. Acertava belos passes para conclusões equivocadas dos companheiros, acertava belos chutes para defesas do goleiro Barreto. Além dos vacilos técnicos, o time do Santos também cansou no segundo tempo. Muricy demorou muito a mexer e, quando o fez, já era tarde demais. Maikon Leite entrou apenas aos 35 e Alan Patrick, aos 40. Com os dois em campo (no lugar de Zé Eduardo e Elano, respectivamente), o Santos ainda conseguiu criar algumas boas oportunidades. Talvez se tivessem entrado mais cedo, ainda mais no lugar do apagadíssimo Zé Eduardo, poderiam ampliar o placar. Digo talvez porque Alan Patrick conseguiu perder o gol mais feito de todos, no último lance do jogo (último mesmo). Após cruzamento de Neymar (sempre ele...), a bola resvalou nos zagueiros paraguaios, matando o goleiro Barreto, e sobrou limpa para Alan Patrick, que, com tempo para parar e pensar e o gol aberto, conseguiu chutar fraquinho em cima do goleiro. E fim de papo. Placar final: Santos 1 x 0 Cerro Porteño.

O gol desperdiçado por Alan Patrick ainda serviu para animar os paraguaios, que saíram de campo comemorando a vitória simples do Santos e a defesa do goleiro no último lance. Parece mesmo um placar fácil de reverter. Tomara que o Santos prove o contrário e saia comemorando a classificação na casa do adversário, como eles vibraram aqui.

Abre-alas para a caravela passar

Ao final do jogo em São Januário, em que o Vasco empatou com o Avaí pelo placar de 1x1, Silas disse na coletiva que as chances de classificação para a final da Copa do Brasil eram de 60% para o Avaí e 40% para o Vasco. Mas a equipe cruzmaltina entrou em campo determinada a provar que futebol não é estatística e que a vitória vale mais que tudo.

Logo de cara, o Vasco provou que não pretendia brincar, adiantando seus jogadores para pressionar a saída de bola do Avaí, cujo meio-campo, normalmente o setor mais forte do time, hoje não se acertou, errando muitos passes e facilitando o domínio vascaíno. Domínio esse que logo se converteria em resultado. Aos 3 minutos do primeiro tempo, Felipe (muito pouco marcado durante a partida) cobrou falta com categoria, levantando a bola na área. Os jogadores do Vasco nem precisaram se esforçar, pois Revson fez questão de colocá-la lá dentro. Não, você não está vendo coisas, é o mesmo Revson que marcou contra na vitória do São Paulo por 1x0 no Morumbi pelo jogo de ida nas quartas de final. Agora cata a cara dele. A bola vem vindo e ele se posiciona DE COSTAS para o gol e cabeceia PARA TRÁS, metendo no ângulo, sem possibilidade de defesa para Renan. Ô, Silas, agora sério, TEM QUE VER ISSO AÍ. O cara já deve ser o artilheiro do time! É um gol mais bonito que o outro, um centro-avante oportunista, com fome de bola. Só que, BRINKS!, pelo lado errado. Sério, ele deve ficar muito frustrado de ser zagueiro e aí quer marcar gol a qualquer custo. Se eu fosse o técnico, mandava ele fazer a mesma coisa do outro lado. Vou começar uma campanha REVSON É SELEÇÃO. Quer dizer, isso se ele for escalado como atacante (pode até trazer pro Flamengo, pra resolver a carência de centro-avantes), porque como zagueiro, só se for na seleção dos outros, pra fazer gol pra gente.

Depois de marcar o primeiro, o Vasco recuou, mas de maneira inteligente, sem passar sufoco. Soube aproveitar muito bem os espaços deixados pelo Avaí, que teve que sair para buscar o resultado, armando bons contra-ataques. O Avaí, por sua vez, não teve nem a competência, nem a sorte de marcar um gol logo após o do Vasco, como fez no jogo da volta das quartas de final contra o São Paulo. Errando muitos passes e concluindo muito mal, o time não teve nenhuma chance clara de gol, permitindo o controle da partida por parte da equipe de São Januário. Antes de sair o segundo, Diego Souza ainda perdeu uma boa chance e Alecsandro desperdiçou um gol inacreditável, cara a cara com o gol e com Renan já batido. Mas de tanto insistir, o Vasco fez mais um. Aos 34 do primeiro tempo, Alecsandro avançou pelo meio, livre de marcação, teve tempo de parar, analisar a jogada, observar a posição dos dois companheiros que fechavam um por cada lado da área (alô, zagueiro? tá dormindo!?) e rolar para Diego Souza, que entrava livre, marcar o segundo. A  partir daí, a situação do Avaí se complicou muito. Seria necessário marcar três gols para evitar a classificação vascaína (o empate era do Vasco, pelo critério do gol na casa do adversário). E o Vasco não dava mostras de descontrole, nem de nervosismo, muito pelo contrário. Era um time muito bem postado, jogando no erro do adversário, inteligente. Tudo bem que aos 36 o Avaí quase diminuiu com Julinho, que carimbou a trave, mas esta também foi a única oportunidade do time em todo o primeiro tempo.

No segundo, o Vasco entrou um pouco relaxado demais, dando muitos espaços para o time do Avaí, vendo a classificação já garantida. Com isso, a equipe de Santa Catarina teve algumas oportunidades, mas pecou na hora da finalização. Com o tempo passando e a missão parecendo cada vez mais impossível, o Avaí foi recuando e parando de jogar, pouco a pouco entregando os pontos. O Vasco voltou a mandar na partida, conseguindo muitas chances claras para aumentar ainda mais a vantagem (incluindo duas bolas na trave, uma de Diego Souza, em uma de suas melhores atuações). Houve tempo ainda para um gol mal anulado de Alecsandro, que não estava em posição de impedimento. Mas o placar já era mais do que suficiente para carimbar o passaporte vascaíno para a final da Copa do Brasil. Placar final: Avaí 0 x 2 Vasco. A equipe de São Januário vai enfrentar o Coritiba na final, que passou pelo Ceará com magra vitória por 1x0.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O retorno de R10

Quando a contratação de Ronaldinho Gaúcho foi anunciada pelo Flamengo, eu fui a primeira a desconfiar. Achava que ele seria um daqueles jogadores que não iam fazer nada, nem aparecer para treinar, achava que ele ia querer viver só da própria fama. Enquanto todos enalteciam Ronaldinho e só falavam sobre ele, eu estava mais interessada na contratação de Thiago Neves, para mim o verdadeiro grande negócio. E, de fato, o novo camisa 7 do Flamengo provou o seu valor. Com garra e dedicação, foi de extrema relevância para a recomposição de um time que estava esfacelado após uma péssima temporada em 2010, e que vem se acertando a passos largos, já com muitos frutos em 2011. Soube assumir o seu papel e não quis competir com R10, aceitando a posição de "coadjuvante" em que todos o colocavam.

Mas, com o passar do tempo, houve uma inversão de papéis. Thiago Neves entrou em forma muito rápido e passou a brilhar, entregando-se totalmente ao time, correndo muito e marcando muitos gols. Até o pênalti perdido contra o Fluminense nas semifinais da Taça Rio foi perdoado e esquecido, logo substituído pelos elogios ao pênalti convertido contra o Vasco na final da mesma taça, que garantiu a conquista do Campeonato Carioca por antecedência e, ainda por cima, invicto. Ronaldinho Gaúcho, por sua vez, estava "deixando a desejar", de acordo com a opinião geral. E ninguém parecia mais lembrar do gol de falta marcado contra o Boavista, que garantiu a Taça Guanabara, sem a qual não poderia haver Campeonato Carioca por antecedência. A torcida, a imprensa, todos começaram a criticar os supostos desempenhos ruins de R10, culpando sua falta de entrega ao time. Tudo pareceu culminar na ausência de Ronaldinho Gaúcho na lista dos convocados para os amistosos da Seleção Brasileira nos dias 4 e 7 de junho (e na presença de Thiago Neves nessa mesma lista), da qual deve sair a escalação final para a Copa América, a ser disputada durante o mês de julho na Argentina (a única mudança que parece plausível é a convocação de Ganso para a Copa América).

O momento de redenção de Ronaldinho Gaúcho, contudo, parece ter chegado. Após partida brilhante contra o Avaí no sábado, em que marcou um gol, participou dos outros três e ainda deu passes para outras chances claras, com direito a canetas e o velho truque "olhos para um lado, bola para o outro" de R10, todos já veem aí o ressurgimento do antigo craque, já apontam o Flamengo como favorito ao título e já pedem Seleção para Ronaldinho. Esperançosos. Deslumbrados.

Mas agora vamos com calma e vamos por partes, porque, enquanto para a mídia é 8 ou 80, eu prefiro ficar ali nos 44, e, entre céu e mar, há sempre a terra e o pé no chão. Lembro muito bem que, um pouco antes de Ronaldinho Gaúcho manifestar interesse de retornar ao Brasil, todas as emissoras esportivas de televisão (e eu digo TODAS sem medo de ser feliz) se ocupavam em mostrar lances do jogador no Milan, dribles como lambretas, canetas e chapéus. Se os dribles eram efetivos ou não e se a participação de R10 nos jogos era conclusiva, não vinha ao caso. Apenas soltavam o replay dos lances e condenavam Mano Menezes por não convocar Ronaldinho para a Seleção. No único amistoso do jogador para a Amarelinha de Mano, foi uma algazarra, uma confusão. Um milhão de elogios, comentários, deslumbramentos, oba-obas. A cobertura da negociação de Ronaldinho com os clubes brasileiros foi feita em tempo real, realíssimo. Era plantão de notícias 24 horas por dia. E quando finalmente veio a notícia de que o jogador tinha acertado com o Flamengo, foi um tumulto. "Ninguém espera que ele vá jogar no nível do Barcelona, quando foi eleito melhor jogador do mundo", todos diziam, mas, no fundo, era isso mesmo que esperavam. E, durante todo este processo, eu fiquei na minha, aguardando o maior dos desastres, um fracasso colossal, uma decepção monumental. Thiago Neves era meu consolo.

Aí os jogos do Carioca começaram, Ronaldinho estreou e eu, que temia o pior, tive uma grata surpresa. Pois me deparei com um jogador, apesar de toda a fama, comprometido com o clube, que não falta um treinamento, que demonstra alegria em fazer parte do grupo, que faz questão de comemorar os seus gols com os companheiros, que comemora os gols dos companheiros como se fossem seus, que dá força e deposita confiança em cada um deles. Entre as quatro linhas e nos 90 minutos em que a bola rola (que acaba sendo tudo o que interessa), vi um jogador sério, batalhador, que perde uma bola e faz de tudo para recuperá-la, que corre o tempo todo, sem firulas, que não é fominha e prefere rolar a bola para um companheiro fazer o gol e garantir a vitória do time do que a segurar para ficar com a fama, mas perder o gol. Vi um jogador que arrumou o meio-campo rubro-negro e que, quando colocado no ataque (posição que não é sua especialidade), fez o sacrifício, se adaptou e marcou diversas vezes. Vi um jogador inteligente, que sabe atrair a marcação e que faz um par perfeito com Thiago Neves, trocando de posição com o mesmo e o deixando na cara do gol muitas vezes, bem como a diversos outros jogadores. É lógico que vi ainda muito espaço para melhora, tanto técnica, quanto física. Mas vi também já um bom desempenho, acima da média. Não foi o que a imprensa viu. Porque como eles, no fundo, esperavam e contavam sim com o Ronaldinho eleito melhor jogador do mundo pelo Barcelona (o que eu sabia ser impossível desde o início), tudo o que enxergaram foi o desastre que eu havia antecipado (e, no entanto, não vi). De repente, o jogador que tanto enalteciam, que faziam questão de colocar num pedestal, passou a ser condenado por sua "falta de entrega", por suas "péssimas atuações, abaixo da crítica", por "não valer o investimento". Todo o espaço foi dado para os comentários de Zagallo, que fez questão de descartá-lo sem hesitação da Seleção Brasileira numa entrevista em que estava sentado ao lado de Mano Menezes. E a mídia de repente decidiu que Ronaldinho não era bom o bastante para a Seleção, que não merecia, que pouco tinha feito em Copas anteriores (fato com o qual concordo 100%, mas atentemos para essa postura esquizofrênica).

A nova inversão total veio no sábado, com a vitória de 4x0 do Flamengo sobre o Avaí. Tudo bem que este entrou em campo com um time misto, pensando na Copa do Brasil, e que o esquema com três zagueiros no primeiro tempo não favoreceu (com o meio-campo prejudicado, o time errava muitos passes, devolvendo a bola de graça para o Flamengo e permitindo seu controle e sua posse de bola. Além disso, deixava os meio-campistas rubro-negros, incluindo aí R10, muito livres). Apesar da mudança tática para o segundo tempo, com a marcação mais avançada, os jogadores não corresponderam em campo, erraram muito e permitiram que o Flamengo mantivesse seu domínio, acabando por sofrer uma goleada, que só não foi maior porque o Flamengo também errou muitos passes de definição e pecou em algumas finalizações. Tudo isso posto, a atuação de Ronaldinho Gaúcho foi, de fato, brilhante. O desempenho do time como um todo foi excepcional (já havia sido contra o Ceará, incluindo aí R10, mas como a equipe acabou sendo eliminada da Copa do Brasil naquela partida, todos os méritos coletivos e individuais foram, até certo ponto, deixados de lado). Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu o passe para Galhardo, que cruzou para Bottinelli marcar o primeiro gol. Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu aquela arrancada fantástica e acertou um belo chute para fazer o segundo. Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu o passe para Thiago Neves tabelar com Wanderley e marcar o terceiro. Foi Ronaldinho Gaúcho quem tabelou com Diego Maurício, que fez o quarto. Foi Ronaldinho Gaúcho quem deu aquela caneta e aquele drible. Uma ótima atuação, sem dúvida. Mas aí a imprensa já vê o R10 da época de Barcelona, já vê esperança no retorno do craque, já vê o ressurgimento do "bom futebol brasileiro" (engraçado, achava que o nosso futebol continuava sendo o mais vitorioso do mundo, mas tudo bem), já vê Ronaldinho na Seleção, e que injustiça ele não ter sido convocado, já vê o Flamengo com a mão no título brasileiro...

O que eu vejo é um jogador acima da média que vem tendo boas atuações, mantendo certa regularidade, e que fez duas últimas atuações excepcionais, de altíssimo nível. Eu vejo um jogador que tem chances de chegar à Seleção por mérito próprio, se continuar trabalhando sério e mantendo o nível de evolução técnica e de volume de jogo. Eu vejo um jogador que faz parte de uma equipe que tem chances de conquistar o Brasileirão. Vejo chances. E possibilidades. E um Ronaldinho que vem melhorando, mas nem por isso vai jogar o que jogou no Barcelona. E um Ronaldinho que, se tiver uma má atuação, nem por isso deve ser chamado de perna de pau. Vejo a realidade de um jogador, de um time, de uma Seleção. Agora, o que a mídia vê e desvê e revê, isso aí eu já não sei... Alguém pode me explicar?

terça-feira, 17 de maio de 2011

O Peixe virou o barco do Timão

Agora quem dá bola é o Santos, bicampeão paulista em cima do Corinthians no domingo, com direito a belíssimas atuações de Neymar e Arouca. E olha, vou te dizer, estou para ver um técnico mais pé quente do que o Muricy. É um grande técnico e, ainda por cima, traz muita sorte para os times que dirige. Tudo bem, pega sempre grandes elencos, mas é ele que arruma a casa e transforma um grande elenco num time vencedor (arrumou a defesa do Santos, por exemplo, que antes era um pânico no lago, vamos combinar). Não é à toa que foi campeão paulista com o São Caetano, três vezes campeão brasileiro com o São Paulo, uma com o Fluminense e agora campeão paulista pelo Santos.

Vamos ao jogo, que começou muito movimentado e aberto, com os dois times aparentemente assustados e errando muito. Por isso mesmo, ambos tiveram boas chances de gol. Pouco a pouco, o Santos se acalmou e passou a dominar a partida, adiantando a marcação e forçando o erro do Corinthians, jogando em cima disso. O Timão, aliás, não parecia precisar de ajuda para errar. Muito nervoso, o time teve inúmeros passes errados e os meio-campistas não se acertavam, batendo cabeça e travando o jogo do Corinthians, que era obrigado a tentar lançamentos muito longos para o ataque, rifando a bola no famoso chutão e acabando por devolvê-la de graça para o Santos. Não é à toa que o primeiro gol não demorou a sair. Aos 16 minutos, Léo fez bom lançamento para a área, que ainda desviou no zagueiro do Timão (única participação da defesa com o intuito de tentar evitar o gol no lance inteiro) e sobrou nos pés de Zé Eduardo, que cruzou para o meio e achou Arouca livre. E Arouca, que nunca havia marcado pelo alvinegro, marcou logo na decisão. Agora cata o número de jogadores corinthianos que poderiam ter evitado o gol. Sete perto do lance, quatro só dentro da área e pra quê? Pra aplaudir e parabenizar o Arouca, só pode. O Santos manteve seu domínio total no restante do primeiro tempo e só não ampliou o placar para liquidar o jogo porque também errou muitos passes e pecou nas finalizações. Arouca mandou uma na trave aos 34, Alan Patrick perdeu uma chance clara aos 39 após belo lançamento de Neymar e o próprio Neymar desperdiçou um dos gols mais feitos que eu já vi após lançamento perfeito de Zé Eduardo (a defesa corinthiana ainda parou pedindo impedimento, que não existiu). Acho que Neymar não quis fazer porque estava fácil demais, não ia ser golasso e tal.

No segundo tempo, o Santos voltou mais cauteloso, recuando para administrar a vantagem. O Corinthians melhorou com a entrada de Willian no lugar de Dentinho que, convenhamos, há muito tempo não está jogando nada. O Timão dominou o segundo tempo, mas criou muito pouco, não obrigando o goleiro Rafael a nenhuma grande defesa. Aliás, não obrigou o goleiro Rafael a quase defesa nenhuma. Agitado, mas com poucas chances reais de gol, o nível do jogo caiu no segundo tempo. O time do Corinthians parecia estar muito desentrosado, como se os jogadores estivessem acabando de se conhecer, e a ligação entre meio-campo e ataque era nula. A partida voltou a melhorar com a entrada de Morais no lugar de Bruno César, que também esteve muito apagado em campo. A partir daí, o Corinthians organizou seu meio de campo e ganhou maior volume na partida. Apesar do espaço para contra-ataque que cedia ao Peixe em sua defesa, o time santista parecia cansado demais para aproveitá-lo. É, só parecia. E para provar que domínio de jogo sem gol não adianta nada, aos 38, Neymar, que faz a diferença, penetrou na área corinthiana pela esquerda e, no meio de quatro defensores, chutou para o gol. A bola veio rasteira e sem força, mas Julio Cesar decidiu que estava na hora de retribuir o favor que Neymar lhe havia feito ao chutar aquela bola no primeiro tempo em cima dele. Não teve nem dúvida. Deixou a bola, que estava em suas mãos, escapar, para o delírio do torcedor santista na Vila Belmiro. Mas que frango, hein? Quando o jogo parecia morto e a torcida já gritava "É campeão!", Rafael decidiu tornar as coisas mais dramáticas, porque não quis ficar devendo em número de frangos. Aos 41, Morais chutou de fora da área, talvez tentando cruzar (fica a dúvida), e Edu Dracena, que tinha condições de tirar a bola de cabeça se pulasse, ficou com preguiça e decidiu que era hora do amigo Rafael brilhar (reparem que Edu Dracena foi eleito hoje melhor zagueiro da competição. AHAM, CLÁUDIA, SENTA LÁ). Só que Rafael, que esperava que Edu Dracena fosse tirar a bola, pulou 38 dias atrasado. Show de horrores da defesa santista e desconto do Timão. O final do jogo foi mesmo eletrizante, mas aí já era tarde demais para reverter o placar ou mesmo empatar e levar a decisão para os pênaltis. Placar final: Santos 2 x 1 Corinthians.

Em outros resultados da rodada, o Cruzeiro sagrou-se campeão mineiro em cima do Galo (placar final: Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG); o Inter ficou com o título do Gauchão nos pênaltis, isso porque Renan me fez o favor de tomar mais um frango histórico no finalzinho, largando a bola que já havia defendido no alto nos pés de Borges (placar final: Grêmio 2 (4) x (5) 3 Internacional); a Chapecoense conquistou o título catarinense em cima do Criciúma (placar final: Chapecoense 1 x 0 Criciúma); o Santa Cruz perdeu para o Sport, mas mesmo assim garantiu o título pernambucano (placar final: Sport 1 x 0 Santa Cruz; no jogo de ida: Santa Cruz  2 x 0 Sport); o Atlético-GO conquistou o bicampeonato goiano mesmo empatando por 1x1 nos dois jogos contra o Goiás (o critério de desempate é a melhor campanha da primeira fase); e a zebra ficou por conta do título do Bahia de Feira, que virou o placar para cima do Vitória (placar final: Vitória 1 x 2 Bahia de Feira).

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ressaca paulista na Ressacada

E o Avaí fez o que parecia impossível. Após perder o jogo de ida no Morumbi por 1x0 e sair atrás no placar na Ressacada, conseguiu marcar os três gols necessários para reverter o resultado e garantir sua classificação às semifinais da Copa do Brasil, em que enfrentará o Vasco, que passou pelo Atlético-PR.

Se para mim, que não sou nem Avaí, nem São Paulo, o jogo de quartas de final da Copa do Brasil já foi muito emocionante, um jogasso, imagino para os torcedores de ambos os times que estavam assistindo. É carga de adrenalina pra durar pelo mês inteiro. O jogo foi disputado, aberto e franco do apito inicial até o final. Desde o princípio, os dois times adotaram uma postura agressiva, levando perigo à defesa adversária e chegando com frequência à área, com conclusões interessantes. Logo aos 15 do primeiro tempo, o São Paulo, que não quis saber de vantagem no jogo da ida, abriu o placar. Dagoberto cobrou falta lançando a bola na área e Rhodolfo fintou uma cabeçada de maneira inteligente, atraindo a marcação e deixando Casemiro livre para cabecear para o fundo da rede. Com o gol na casa do adversário, o São Paulo não só ampliava a sua vantagem no placar combinado, como também forçava o Avaí a ir em busca de três gols para conseguir a classificação. A missão parecia impossível e a vitória do São Paulo, decretada. Era o último prego no caixão do Avaí. BRINKS! Logo na saída de bola, aos 16 do primeiro tempo, o Avaí provou que não era por aí quando Estrada cruzou para a área e William, antecipando-se à marcação, cabeceou para marcar o gol de empate. Para o Avaí, foi aquele momento de alívio, para se convencer de que a classificação ainda era possível. Para o São Paulo, foi um balde de água fria.

Balde de água fria maior ainda, para delírio da torcida do Leão, veio aos 30 do primeiro tempo, na jogada bizarra que originou o gol da virada do Avaí. Marquinhos cobrou bem fechado o escanteio, obrigando Rogério Ceni a dar um soco na bola para evitar o gol olímpico. A bola sobrou para Bruno Silva, que cabeceou para as redes tricolores. Mais um gol de cabeça. Agora cata a cara de todos os jogadores da defesa do São Paulo nesse lance. Primeiro, vamos catar juntos a cara do Rogério Ceni. Ele sai para socar a bola e, em vez de voltar para o gol, resolve ir comprar uma pipoca para assistir de camarote o gol de Bruno Silva. Pode reparar que, no replay da câmera que fica atrás do gol, ele nem aparece. Sério, não se esforçou o suficiente nem para sair na foto. Prosseguindo, vamos catar juntos a cara dos TRÊS zagueiros que defendiam o gol na ausência do goleiro. O da esquerda simplesmente não faz nada, fica parado, fazendo a egípcia, figuração clássica. O do meio e o da direita só esticam a perna depois que a bola passa, pode reparar. O do meio ainda tenta tirar a bola cabeceando quando ela já está lá dentro (no que falha, aliás). Para mim, os caras estavam ali só para assistir o gol de uma posição privilegiada e aí quiseram dar uma disfarçada jogando a perninha, como quem tenta tirar a bola. A classificação do Avaí estava cada vez mais próxima.

Esta foi sacramentada logo aos 30 segundos do segundo tempo, num lance daqueles que faz a gente exclamar "tá escrito!". Diego Orlando fez um cruzamento a partir da lateral direita do campo e Estrada FUROU a bola em sua tentativa de bicicleta, que acabou sobrando limpa para Marquinhos Gabriel, livre de marcação porque a defesa havia fechado em cima de Estrada. Todo torto e quase caindo, ele acertou um chute no canto esquerdo de Rogério Ceni. O Avaí marcava o terceiro gol e conquistava o placar necessário para avançar às semifinais da Copa do Brasil em meia hora, contando a partir de seu primeiro gol. Com o resultado nas mãos, o Leão recuou e passou a jogar nos contra-ataques. O São Paulo veio para cima e dominou o jogo, mas esbarrou em sua própria falta de decisão e em algumas boas defesas de Renan, goleiro do time adversário que chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira. No momento de maior pressão do São Paulo no jogo (o time paulista precisava de apenas um gol para reconquistar a vaga, pelo critério dos gols marcados na casa do adversário), foi o Avaí quem quase ampliou o placar para decidir de vez o dono da vaga, numa cobrança de falta de Acleisson que carimbou a trave, aos 41 do segundo tempo. Apesar da pressão, o São Paulo, nos últimos tempos sempre pouco conclusivo, não conseguiu evitar a derrota por dois gols e viu a classificação escapar por entre os dedos. Placar final: Avaí 3 x 1 São Paulo.

Destaque final para a atuação pânico na pracinha de Carpegiani no comando do São Paulo, que lhe custou a desconfiança dos torcedores e a demissão, sendo recontratado em tempo recorde (como disse a manchete da ESPN, o São Paulo demitiu Paulo César na sexta e contratou Carpegiani na segunda). A diretoria está apenas esperando um substituto à altura. No intervalo, o técnico colocou Marlos no lugar de Fernandinho, que voltava de lesão e cansou muito rápido. Aí, por volta dos 35 do segundo tempo, ele tirou o mesmo Marlos de campo, "consertando" a própria substituição, numa grande pegadinha para o torcedor, do tipo "Você achava que o Marlos era bom? BRINKS!". Uma das coisas mais bizonhas que eu já vi. Errou também em não tirar Lucas do jogo, que, retornando de uma lesão, deveria ter ficado no máximo até o intervalo. Cansou muito rápido e depois ficou muito apagado em campo, arriscando uma nova lesão pelo esforço físico. Sinceramente, não é à toa que deu tanta briga com o Rivaldo...

No máximo uma ventania

Quem assistiu Vasco X Atlético-PR na quinta-feira não pode ter dúvidas de que a classificação vascaína para as semifinais da Copa do Brasil é mais do que justa. Não pode ter dúvidas também de que, mesmo inferior à equipe de São Januário, o Furacão fez uma boa partida e ameaçou a classificação vascaína, chegando a sair na frente no placar. Elton, no entanto, acabou com a alegria atleticana logo em seguida, transformando o perigoso Furacão numa ventania inofensiva.

O jogo começou muito disputado e corrido. Por seu ritmo acelerado e sua característica de abertura, houve vários lances de perigo logo no início do primeiro tempo, enquanto os times ainda se estudavam, chutes de média distância tanto pelo lado do Vasco quanto pelo Atlético. Como esse ritmo alucinado não podia se manter, até porque senão nenhum jogador ia voltar pro segundo tempo, por volta dos 10 minutos do primeiro tempo a partida esfriou e o Vasco cadenciou o jogo com uma maior posse de bola, passando a dominar. O Atlético recuou um pouco e passou a depender do contra-ataque, sempre desperdiçado por Guerron, que, sinceramente, é um pânico no lago (pânico na pracinha eu reservo para jogadores do naipe de Rodrigo Alvim). As melhores chances do Furacão vieram, obviamente, dos pés de Paulo Baier, sempre um perigo na bola parada e o melhor jogador disparado do Atlético, responsável por suas melhores jogadas e lances mais perigosos. Apesar do domínio vascaíno, as chances mais claras do time de São Januário também foram de bola parada, saindo dos pés de Bernardo, que começou jogando (incluindo uma que carimbou o travessão de Renan Rocha, outro grande destaque do Atlético).

O segundo tempo começou morno demais, em parte pelo cansaço provocado pela correria do primeiro, ainda com domínio vascaíno. Quando estava começando a ficar sonífero, ambos os técnicos resolveram mexer, fazendo alterações decisivas para a partida - tanto para que o ritmo de jogo voltasse a ser agradável, visto que os jogadores descansados deram novo fôlego a seus times, quanto para o resultado da partida em si. Pelo Furacão, entraram Madson e Nieto (nos lugares de Branquinho e Guerron, respectivamente). Pelo Vasco, os nomes foram Fagner e Elton, substituindo Allan e Diego Souza, que, mais uma vez, nada fez. Para provar que as substituições deram certo, vamos aos gols. Aos 28 do segundo tempo, quando tudo já começava a parecer decidido para o Vasco com o empate em 0x0 (no primeiro jogo, na Arena da Baixada, a equipe cruzmaltina empatara por 2x2, o que garantiria seu avanço na Copa do Brasil pelo critério de gols marcados na casa do adversário), Madson tocou para a entrada da área vascaína, Paulo Baier fez uma espécie de corta-luz não intencional, digamos assim, e Nieto, recém-saído do banco, completou para a rede. A partir daí, o jogo pegou fogo. O Vasco, mesmo atrás no placar e com a classificação ameaçada, não desistiu e não se abalou, pressionando demais a partir do recuo atleticano. Deu certo. Aos 35 do segundo tempo, Fagner lançou uma bola na cabeça de Elton, que subiu mais que todo mundo para cabecear no ângulo (só mesmo assim para evitar que Renan Rocha, que estava fechando o gol, chegasse na bola). Com o empate vascaíno, foi a vez do Furacão reagir e dar tudo de si para tentar a classificação. O gol da virada quase veio aos 41 do segundo tempo, numa linda jogada de Paulo Baier, que não desistiu de um lance aparentemente morto e enterrado e foi buscar a bola na linha de fundo, conseguindo executar um lançamento perfeito para a risca da pequena área. Se Nieto tivesse acreditado que Paulo Baier conseguiria chegar naquela bola, teria sobrado sozinho para empurrar a bola para as redes vascaínas. Como não acreditou, chegou atrasado e não conseguiu a cabeçada, desperdiçando a chance da classificação. Placar final: Vasco 1 x 1 Atlético-PR. A equipe de São Januário segue para encarar o Avaí nas semifinais.

A carroça desembestada

Se tivesse sido 6x0 para o Ceará, como foi Coritiba X Palmeiras, teria sido menos doloroso e sofrido (para mim). Porque aí é um daqueles casos em que o seu time simplesmente não entrou em campo e não há o que fazer, nem o que reclamar. Mas com 2x0 para o Flamengo aos 30 minutos do primeiro tempo, o jogo parecia decidido para o time rubro-negro. Dava até pinta de que seria goleada. Não foi bem assim.

O jogo começou com o Flamengo pressionando demais e indo em busca dos dois gols que precisava. Com o Ceará muito recuado e a defesa rubro-negra bem postada (o esquema com três zagueiros e Ronaldo Angelim funcionando como lateral-esquerdo estava dando certo), só dava Flamengo. Era uma chance atrás da outra, com boas recuperações de bola por parte do time da Gávea, que ditava um ritmo acelerado ao jogo. Com R10 e Thiago Neves em noite inspirada, o primeiro gol veio logo aos 19 do primeiro tempo, numa bola metida à perfeição por R10 para a finalização de Thiago Neves. Sabendo que o 1x0 não era suficiente, o time continuou indo para cima, marcando o segundo logo em seguida, aos 28 do primeiro tempo, de novo com Thiago Neves. E quando parecia que o Flamengo iria aplicar uma goleada histórica no Ceará, o time deu uma bobeada na defesa e precisou fazer uma falta perto da grande área para parar o contra-ataque do time cearense. Era tudo o que o Ceará queria, e precisava. Em sua primeira chance real de gol, o Vozão diminuiu com Washington aos 35. Até aí era pênaltis, com uma retrospectiva positiva para o Flamengo (o time não perde uma disputa de pênaltis desde 2004). Mas o gol do Ceará afetou o time rubro-negro, que se descontrolou por alguns minutos, oferecendo bons contra-ataques ao time cearense. E com a sorte do Ceará, alguns minutos era o suficiente para chegar ao gol de empate, com uma ajudassa de Sandro Meira Ricci, o árbitro da partida, que conseguiu expulsar Ronaldo Angelim numa disputa de ombro com ombro (mais sobre isso no final do post, agora não me prolongo). Falta bem cobrada e bem defendida por Felipe. Do escanteio, saiu o gol, que pegou o Flamengo num momento de descontrole emocional após a expulsão. Washington de novo, aos 41, para deixar tudo igual no placar. Depois do empate, o time rubro-negro colocou a cabeça no lugar. Mesmo com um a menos, foi para cima, buscando o resultado. O desempate quase veio num lance ainda no primeiro tempo, em que Léo Moura (que brilhou de novo, comprovando que faz muita falta ao time quando não joga) mandou a bola na trave e Wanderley, aproveitando o rebote, conseguiu a façanha de cabecear de novo na trave com o gol aberto.

No segundo tempo, mesmo com um jogador a menos, o Flamengo voltou agressivo e mandando no jogo, sabendo que precisava correr atrás do resultado. As jogadas saíam mais pelo lado de Léo Moura, já que, com a expulsão de Ronaldo Angelim, foi necessário colocar Egídio em campo, que, para ser muito bondosa, pouco fez. Com o time todo no ataque e o Vozão muito recuado, este começou a explorar mais os contra-ataques, sem, no entanto, conseguir conclusões mais contundentes. A defesa flamenguista se desdobrava no sentido de cobrir a ausência de Angelim. Mas, mesmo sendo pouco conclusivo, a noite era mesmo do Ceará. E ninguém tasca. O Flamego pressionava e teve boas chances. Perdidas. Wanderley e Thiago Neves perderm cara a cara com Fernando Henrique. A partir dos 30 minutos do segundo tempo, o time da Gávea morreu, cansado de ter que correr por mais um. A saída de Léo Moura também fez diminuir o volume de jogadas ofensivas. Prova de que este é um jogador muito decisivo para o desempenho do time. A partir daí, o ritmo de jogo diminuiu sensivelmente. Com o Flamengo morto e o Ceará contente com o empate, fim de papo. Na melhor exibição do Flamengo no ano, o time foi eliminado da Copa do Brasil. Justo ou injusto, fato é que o Ceará deu muita sorte também. Em seis chances de real perigo nos dois jogos, marcou quatro gols. O Flamengo, com 548 chances, marcou três. Placar final: Ceará 2 x 2 Flamengo. O Ceará segue para enfrentar o Coritiba nas semifinais.

Agora um pouquinho sobre arbitragem, tema sobre o qual eu ODEIO falar. Nesse caso, porém, é necessário. APOSENTA O APITO DO SANDRO MEIRA RICCI, GENTE. Agora quem não é flamenguista está rindo à toa, mas imagina se esse cara vai apitar um jogo do seu time... A arbitragem dele é sempre tumultuada, controversa, cheia de lances duvidosos e confusões. Não dá. Não dá pra ele distribuir cartões amarelos para a defesa do Flamengo, pendurando todo mundo, e mostrar apenas dois para o Ceará, que também bateu muito. Não dá para o cara chutar a canela do Wanderley e não ser nem falta. Não dá pra não marcar uma falta clara em cima do Thiago Neves e permitir um contra-ataque do Ceará que fez com que Ronaldo Angelim precisasse fazer a falta de cartão amarelo (este justo, mas originado de uma jogada injusta). Não dá para o cara ver um lance normal na disputa de bola do Ronaldo Angelim, de ombro com ombro, e aí porque o bandeirinha deu falta ele resolver mostrar o segundo cartão amarelo. Não dá para o cara expulsar o Vanderlei no intervalo porque ele tentou tirar seus jogadores de campo para evitar confusão e afastou um policial covarde que bateu com o escudo em Ronaldinho Gaúcho pelas costas porque este argumentava com o juiz. Ô, Sandro, pede a aposentadoria, sinceramente... E assiste os jogos pela televisão, ok? Porque dentro de campo não dá. Não é à toa que ele já tinha tomado um gancho monumental no Brasileirão do ano passado depois da arbitragem de Cruzeiro X Corinthians, após a marcação de um pênalti controverso contra a Raposa (os dois times tinham chances reais de vencer o campeonato).

Em outros resultados da rodada, o Santos foi à Colômbia para conquistar o placar contra o Once Caldas na casa do adversário pela Libertadores (placar final: Once Caldas 0 x 1 Santos). O Palmeiras, que já entrou em campo derrotado, vamos combinar, fez pelo menos um papel honroso e conseguiu conquistar o seu objetivo: tirar a invencibilidade do Coritiba (placar final: Palmeiras 2 x 0 Coritiba).